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O Trajo Regional Da Madeira

O Trajo Regional Da Madeira

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Análise crítica sobre o Trajo Regional da Madeira, suas origens e mitos.
Análise crítica sobre o Trajo Regional da Madeira, suas origens e mitos.

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O Traje Regional da Madeira
Fábio Duarte Teles Abreu
Trabalho desenvolvido para a Sociologia da Comunicação no âmbito doMestrado em Design da Faculdade de Arquitectura de Lisboa 2006/2007
“Quando se fa
la no traje regional da Madeira acode ao espírito a saia irisada,de fundo vermelho vivo, que tanto alinda quem a veste, camponesa ou cidadã e ofato de linho branco
 –
camisa e calções tufados no joelho - com que o nosso vilãodoutras eras se vestia, fresco como uma alface, carapuça ao lado e bota chã malcobrindo um terço da
canela gadelhuda.
A impressão geral é de que foi esse o trajecaracterístico da terra, generalizado por todas as freguesias, como parecem atestargravuras do século passado e muitos postais e fotografias, ainda hoje à venda nosestabelecimentos comerciais. Mas é uma impressão abstrata, porquanto ninguém aconcretizou, nem mesmo os cronistas antigos, em cujos trabalhos não se encontramais do que vagas alusões de onde é impossível extrair elementos bastantes parase chegar a conclusõe
s definitivas.”
 
Carlos Maria Santos in
O Traje Regional da Madeira 
, 1952
Introdução
Para falarmos sobre o trajo típico da ilha da Madeira é necessário nãoesquecer que este arquipélago foi descoberto em 1418 e 1419, Porto Santo eMadeira respectivamente, tendo a sua colonização começado 6 anos depois. Peloque, o trajar desta gente era o que usavam antes de chegarem às ilhas, e pelomenos nos primeiros anos, até serem criadas condições dignas de sobrevivência,não se alterou, mantendo-se as tradições das suas terras no continente.Tendo a ilha desempenhado um papel fundamental nos DescobrimentosPortugueses a partir do séc. XV, tornando-se num porto de passagem obrigatóriadurante as viagens, rapidamente adquiriu o estatuto de porto comercial. Graças aocultivo do açúcar e respectiva exportação, os senhores da terra encetaram viagens etrocas comerciais com os mercadores que por cá passavam, pelo que não é deestranhar as inúmeras referências de mercadores, essencialmente ingleses, queacabavam por se estabelecer na região comercializando tecidos em troca de açúcare mais tarde do vinho produzido na ilha.É a partir deste contexto que podemos começar a falar de alterações ao trajodos ilhéus, nunca esquecendo que uma coisa é o trajo da nobreza, que acompanhou
a “moda” das grandes capitais europeias e outra é o trajo fabricado pelo povo.
 
Enquadramento
A comercialização de tecidos na Madeira foi sem dúvida um negócio muitolucrativo, sobretudo para os mercadores ingleses. Tomemos apenas um exemplo, o
 
de William Bolton. Na correspondência deste mercador inglês são várias assolicitações de tecidos de qualidade para comercializar bem como recomendaçõespara que não fossem enviados artigos de fraca qualidade ou em desuso.
Carta n.º1 Plymouth 6 de Setembro de 1695
 
“Tomo nota de que V Senhoria fornecerá as coisas mencionadas
no memorando dos portugueses, a serem enviadas quando surgir transporte e de acordo com a quantidade de vinhos quetencionais carregar. Assim, em proporção com essa mercadoria,enviai-nos por favor baetas, meias, calções de lã, lãs, tecidos paraforros em preto, tecidos de seda, cera de abelhas e tudo o queachardes conveniente até que eu vos avise da Madeira, àexcepção de tecidos de algodão, a menos que estejam mais
baratos…”
 Carta n.º3 Madeira, 16 de Dezembro de 1695
“Aqui não existem senão as mercadorias inglesas que W. B. trouxe
consigo, portanto logo que haja oportunidade de frete, por favor enviai-nos alguma, à vossa conta como se segue:20 peças de tecido de lã em moda30 peças de baeta preta de Colchester e outra mercadoria queconsiderem adequada. De momento tenho bastante sortido maseste, entretanto, gastar-se-
á.”
 Carta n.º7, Madeira, 19 de Abril de 1696 (continuada a 27 e 30 eAbril e 1 de Maio)
“Pedimos o favor de se não esqu
ecerem de enviar alguns arcospara arranjo das nossas pipas, além de bom tecido negro, baeta
preta, crepes negros e sarja, que são muito pedidos.”
 Carta n.º 9, Madeira 22 de Maio de 1969
“São muito procurados todos os lanifícios, especialmente baeta
preta, boa sarja preta, crepe negro, tecidos finos para forros, em
preto, e «black ten hundred»”
 Carta n.º 11 Madeira, 16 de Julho de 1969
“… um fardo contendo 15 de peças de baeta preta que, por descuido dele ou dos tripulantes, foi armazenado como lastro….”,“Quanto às baetas estragadas era para serem deixadas ao sr.Bolton para as vender…fez uma petição ao nosso juiz para que as
baetas fossem vendidas em hasta pública, o que está agora a ser 
feito…”
 (as baetas estragadas atingiram os 150 mil reis em hasta pública)Carta n.º 29, Madeira 1 de Junho de 1697
“Temos necessidade de mercadoria e portanto desejamos que nos
envie pelo primeiro barco, baeta preta de Colchester; cinco meiaspeças de lã de Bocking, a saber: duas vermelhas, uma azul, umaverde e uma amarela; 20 pares de calções de lã grossa emvermelho e azul; 2º peças de perpetuanas; 20 peças de boa sarjapreta; 10 peças de tecido de lã em moda; 2 peças de tecidonegro com cerca de 12 polegadas por jarda; calções pretos,sortido, alguns grandes e bons, outros coloridos; dez peças de «tenhundred» pretas. Podeis fazer o aumento que entenderdes quanto
às quantidades destes tecidos.”
 Carta n.º 31, Madeira 22 de Julho de 1697
 
“Essas miudezas que V. Senhoria enviou como, por exemplo, botões
forrados a seda, não se gastam aqui e, especialmente, não temvenda esse material ordinário de lojistas antiquados: fica tudo nas
prateleiras.”
 Carta n.º 33, Madeira, 1 4 de Setembro de 1697
“Temos falta de sortido de baetas pretas sarjas e meias compridas
de acordo com a l
ista que já vos enviámos”
 Carta n.º 35, Madeira 30 de Novembro de 1697
“Ainda temos os botões que nos mandou o ano passado e
pensamos se nos vai mandar mais: seremos forçados a remetê-los
para as índias Ocidentais”
 Carta n.º 37, Madeira 21 de Dezembro de 1697
“ …fornecimento de mercadorias que não são vendáveis na ilha,especialmente botões, seda ou espécies de artigos capelistas.”
 Carta n.º 56, Madeira 12 de Dezembro de 1698
“Sete jardas de bom tecido escarlate.”
 
“Sete jardas e meia de fita escarlate e
sete jardas de verde-
marinho com a largura em uso.”
 Carta n.º 86, 24 de Maio de 1700
“Podeis enviar:
 30 peças de baeta de Colchester negra;10 peças de tapete de lã grosseira (Bocking) a saber: 6 azuis. 2vermelhos e 2 cinzentos;10 peças de sarja fina;30 meias compridas, a saber: 20 azuis e 10 de cores sortidas;10 curtas, n.º 3;10 peças de Bowdyd ten hundreds e 10 peças de lã vermelha e
azul estampada.”
 
Analisando estas cartas e atendendo à realidade comercial, facilmenteconcluímos que a nobreza e
stava a par da “moda” internacional de então, sobretudo
das novidades em Inglaterra, França e Flandres, daí que investigar sobre o vestuárioda nobreza na ilha conduziria a conclusões semelhantes senão iguais à de outrascidades europeias.Por outro lado, o vestuário do povo campesino, aquele que é comumenteaceite como tradicional, tem outros contornos, na sua origem, fabrico e uso. Não será
de todo errado afirmar que este vestuário também representa uma “moda” e que
recebe influências, nomeadamente de classes sociais mais favorecidas.
Conforme Weiss notou, «a moda é inimiga da tradição. A moda éo distintivo do espírito da época, o trajo é a expressão docompromisso popular da comunidade. Mas a moda,
 
através dasclasses elevadas, consegue, também, influir nos trajos populares,embora muito lentamente e aproveitando o povo aquilo que nãoesteja em contradição com a comunidade local ou, melhor, queesteja de acordo com o seu espírito da época. Os trajas regionaisrepresentam heranças de modas de vários séculos e de váriasorigens que se foram reunindo para formar um todo em que, com o

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