fossem postas em prática, com a homilia nos domingos e dias de festa17, ou a introdução de algumas explicaçõesdurante os ritos sagrados18.Mas o Concílio Vaticano II, aconselhando "aquela participação mais perfeita na missa, em que os fiéis,depois da comunhão do sacerdote, recebem o Corpo do Senhor consagrado no mesmo sacrifício"19, urgiu que sepusesse em prática um outro desejo dos Padres de Trento, ou seja, que, para participar mais plenamente nasagrada Eucaristia, "os fiéis presentes em cada Missa não comunguem apenas espiritualmente, mas também pelarecepção sacramental da Eucaristia"20. 14.Movido pelo mesmo desejo e zelo pastoral, o Concílio Vaticano II pôde reexaminar o que o Tridentinodeterminara a respeito da Comunhão sob as duas espécies. Com efeito, como hoje já não se põem mais emdúvida os princípios doutrinários quanto à plena eficácia da Comunhão recebida apenas sob a espécie de pão,permitiu ele que se dê algumas vezes a Comunhão sob as duas espécies, a fim de que, através de umaapresentação mais elucidativa do sinal sacramental, haja uma oportunidade para se compreender melhor omistério de que os fiéis participam21. 15.Deste modo, enquanto permanece fiel ao seu múnus de mestra da verdade, a Igreja, conservando "o queé antigo", isto é, o depósito da tradição, cumpre também o seu dever de julgar e de prudentemente assumir "oque é novo" (cf. Mt 13, 52).Na verdade, certa parte do novo Missal relaciona mais claramente as preces da Igreja com asnecessidades do nosso tempo. Isto acontece sobretudo com as Missas rituais e as Missas "para as diversascircunstâncias", nas quais a tradição e a inovação harmoniosamente se associam. Por isso, enquanto muitostextos hauridos na mais antiga tradição da Igreja e divulgados pelas diversas edições do Missal Romanopermanecem inteiramente intactos, outros foram adaptados às aspirações e condições hodiernas. Outros,finalmente, como as orações pela Igreja, pelos leigos, pela santificação do trabalho humano, pela comunidade detodos os povos e por algumas necessidades do nosso tempo, foram integralmente compostas a partir depensamentos, e, muitas vezes, das próprias palavras dos documentos conciliares.Igualmente, devido à consciência da nova situação do mundo de hoje, não se julgou comprometer ovenerável tesouro da tradição, modificando-se algumas expressões de textos antiquíssimos, para que melhor seadaptassem à atual linguagem teológica e correspondessem melhor à atual disciplina eclesiástica. Assim, forammudadas algumas expressões referentes à estima e ao uso dos bens terrenos, como também algumas fórmulasque acentuavam certas modalidades de penitência externa, mais apropriadas a outros tempos da Igreja.Deste modo, as normas litúrgicas do Concílio Tridentino foram em muitos pontos completadas eaperfeiçoadas pelas normas do Vaticano II, que levou a bom termo os esforços que visavam a aproximar os fiéisda sagrada Liturgia, empreendidos nos quatro últimos séculos, principalmente nos últimos tempos, graçassobretudo à estima pelos estudos litúrgicos, promovidos por S. Pio X e seus sucessores. Capítulo I IMPORTÂNCIA E DIGNIDADEDA CELEBRAÇÃO EUCARÍSTICA 16.A celebração da Missa, como ação de Cristo e do povo de Deus hierarquicamente ordenado, é o centro detoda a vida cristã tanto para a Igreja universal como local e também para cada um dos fiéis22. Pois nela seencontra tanto o ápice da ação pela qual Deus santifica o mundo em Cristo, como o do culto que os homensoferecem ao Pai, adorando-o pelo Cristo, Filho de Deus23. Além disso, nela são de tal modo relembrados, nodecorrer do ano, os mistérios da redenção, que eles se tornam de certo modo presentes24. As demais açõessagradas e todas as atividades da vida cristã a ela estão ligadas, dela decorrendo ou a ela sendo ordenadas25. 17.É por isso de máxima conveniência dispor a celebração da Missa ou Ceia do Senhor de tal forma que osministros sagrados e os fiéis, participando cada um conforme sua condição, recebam mais plenamente aquelesfrutos26 que o Cristo Senhor quis prodigalizar, ao instituir o sacrifício eucarístico de seu Corpo e Sangue,confiando-o à usa dileta esposa, a Igreja, como memorial de sua paixão e ressurreição27. 18.Isto se conseguirá de modo adequado se, levando em conta a natureza e as circunstâncias de cadaassembléia litúrgica, toda a celebração for disposta de tal modo que leve os fiéis à participação consciente, ativa eplena do corpo e do espírito, animada pelo fervor da fé, da esperança e da caridade. Esta é a participaçãoardentemente desejada pela Igreja e exigida pela própria natureza da celebração; ela constitui um direito e umdever do povo cristão em virtude do seu batismo28. 19.Embora às vezes não se possa contar com a presença dos fiéis e sua participação ativa, que manifestammais claramente a natureza eclesial da celebração29, a celebração eucarística conserva sempre sua eficácia edignidade, uma vez que é ação de Cristo e da Igreja, na qual o sacerdote cumpre seu múnus principal e agesempre pela salvação do povo.Por isso, recomenda-se que ele, na medida do possível, celebre mesmo diariamente o sacrifícioeucarístico30. 20.Realizando-se a celebração da Eucaristia, como também toda a Liturgia, por meio de sinais sensíveis quealimentam, fortalecem e exprimem a fé31, deve-se escolher e dispor com o maior cuidado as formas e elementospropostos pela Igreja que, em vista das circunstâncias de pessoas e lugres, promovam mais intensamente aparticipação ativa e plena dos fiéis, e que melhor respondam às suas necessidades espirituais.
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