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Introdução e Prefácio do livro: Contracultura Através dos Tempos de Ken Goffman e Dan Joy (2004)

Introdução e Prefácio do livro: Contracultura Através dos Tempos de Ken Goffman e Dan Joy (2004)

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Contracultura Através dos TemposKen Goffman e Dan Joy2004Introdução
 Nota: esta introdução não é uma mensagem de além-túmulo, mas um dos últimos textosde Timothy Leary, escrito assim que o trabalho neste livro começou.A contracultura floresce sempre e onde quer que alguns membros de uma sociedadeescolham estilos de vida, expressões artísticas e formas de pensamento ecomportamento que sinceramente incorporam o antigo axioma segundo o qual a únicaverdadeira constante é a própria mudança. A marca da contracultura não é uma formaou estrutura em particular,mas a fluidez de formas e estruturas, e perturbadoravelocidade e flexibilidade com que surge, sofre mutação, se transforma em outra edesaparece.A contracultura é a crista movente de uma onda, uma região de incerteza em que acultura se torna quântica. Tomando emprestada a expressão do Premio Nobel de físicaIlya Prigogine, a contracultura é o equivalente cultural do “terceiro estado datermodinâmica”, a “região não-linear” em que equilíbrio e simetria deram lugar a umacomplexidade tão intensa que a nossos olhos parece caos.Aqueles que fazem parte de uma contracultura se desenvolvem nessa região deturbulências. É o seu meio natural, a única matéria maleável o bastante para ser moldadae remodelada rapidamente o bastante para dar conta da velocidade de suas visõesinternas. Eles conhecem a corrente, são engenheiros do caos, migrando na crista da ondada máxima mudança. Na contracultura , as estrutura sociais são espontâneas e efêmeras. Os que fazem partede contraculturas estão constantemente se reunindo em novas moléculas, se fissionandoe reagrupando em configurações adequadas aos interesses do momento, como partículasse esbarrando em um acelerador de grande potência , trocando cargas dinâmicas. Nessasconfigurações eles colhem a vantagem de trocar idéias e criações por intermédio deresposta rápida em pequenos grupos, conseguindo uma sinergia que permite que seus pensamentos e suas visões cresçam e se modifiquem quase que no mesmo instante emque são formulados.A contracultura não tem uma estrutura formal nem uma liderança formal. Em certosentido, ela não tem liderança; em outro sentido , é abarrotada de líderes , com todossues participantes inovando constantemente , invadindo novos territórios em que outros podem acabar penetrando.A contracultura pode surgir em alianças ( algumas vezes constrangedoras ) com grupos políticos radicais ou mesmo revolucionários ou forças de insurreição, e os participantesdas contraculturas e desses grupos muitas vezes são os mesmos.Mas o que interessa à contracultura é o poder das idéias , imagens e da expressãoartística, não a obtenção de poder pessoal e político. Assim, partidos políticosminoritários, alternativos e radicais não são, em si, contraculturas. Embora váriosmemes* contraculturais tenham implicações políticas, a conquista e a manutenção de poder político exige a adesão e estruturas inflexíveis, incapazes de acomodar a inovaçãoe a experimentação que são a base da razão de ser da contracultura.A contracultura – como este livro mostra – é um fenômeno perene, provavelmente tãovelho quanto a civilização e possivelmente tão velho quanto a própria cultura. De fato,muitos dos personagens que acabaram ocupando lugar de destaque nos livros escolares
 
 – de Sócrates a Jesus, Galileu, Martinho Lutero e Mark Twain – eram contraculturaisem sua época.Este livro levanta a pergunta “O que é contracultura?” e identifica os temas comuns que perpassam as contraculturas em diferentes épocas e lugares. Também descreve oimportante papel de catalisador de mudanças desempenhado pelas contraculturas nodesenvolvimento das grandes culturas, mostrando de que maneira a cultura como umtodo surge da contracultura.Essa discussão serve como um ponto de referências em um passeio divertido por umenorme número de contraculturas, do taoísmo à acid house. Espero que você leia e gostedeste livro, e que ele o inspire a viver a mensagem contracultural de individualidade,coragem e criatividade com seu próprio esplendor e glória.Timothy Leary* Termo criado em 1976 por Richard Dawkins em O Gene Egoísta, é considerado umaunidade autônoma de informação que se multiplica de cérebro em cérebro. ( N. do E.)
Prefácio
Certo belo dia, no auge de sua conquista do mundo mediterrâneo, Alexandre, o Grande,estava no campo, perto de Atenas – que acabara de se render às suas forças -,contemplando a paisagem acidentada banhada pelo sol que cercava aquela cidad, queera para ele a jóia mais brilhante do vasto território que ele então controlava.Enquanto desfrutava daquilo, Alexandre chegou perto de um homem que relaxava aolado de um córrego. Aquecendo-se ao sol da tarde, o homem estava tão absorto emalguma espécie de transe bucólico que não se dava conta da presença do conquistador nem do tumulto que acabara de tomar conta da cidade próxima. Alexandre reconheceude imediato o homem e se aproximou dele, dizendo: - Eu sou Alexandre. Há algo queeu possa fazer por você?O homem abriu os olhos preguiçosamente, olhou para cima e respondeu:- Sim. Saia da frente da minha luz.Quem era aquele homem, por quem o recém-empossado regente do mundo conhecidointerrompia seu momento de glória para humildemente oferecer seus serviços – apenas para receber uma resposta atravessada?O homem ao lado do córrego era Diógenes – um renomado autor teatral e ao mesmotempo um completo miserável e excêntrico criador de casos ateniense sem residênciafixa. Diógenes vivia ao ar livre, freqüentando as ruas e as áreas públicas de Atenas enormalmente perturbando os cidadãos com seu humor iconoclasta e suas brincadeirasmaliciosas, algumas vezes grosseiras, mas sempre brilhantes. Famoso em todo o mundogrego por sua sabedoria aforística e suas criações dramatúrgicas, ele também era um dos principais nomes do movimento socrático, uma contracultura grega que iria mudar aface do mundo ocidental para sempre.A resposta de Diógenes a Alexandre – “Saia da frente do meu sol” – simboliza a atitudedas contraculturas através dos tempos frente à autoridade imposta: ela bloqueia a luz.A luz – a força brilhante de uma expressão individual sem amarras, o brilho radiante dacriatividade humana liberta de roteiros e controles externos. A luz – o brilho liberadoquando, individualmente , e em especial coletivamente, os seres humanos livrementecompartilham recursos internos e externos para criar seu mundo de acordo com os
 
ditames do verdadeiro eu. E o brilho numinoso do próprio mundo nos olhos daquelesque exercitam esse tipo de liberdade.Se Alexandre tivesse se recusado a sair da frente da luz de Diógenes, o filósofo-dramaturgo mais provavelmente se levantaria e sairia da sombra do conquistador do queiniciaria um pugilato com ele. Porque se Diógenes reagisse à separação de seu amadosol tentando derrotar aquele que o tinha separado dele, o sol – como Diógenes tinha asabedoria de reconhecer – muito provavelmente se poria antes que o conflito fosseresolvido.O objetivo primordial das contraculturas, portanto, não é tomar as rédeas ou eliminar ocontrole externo nem mover uma guerra contra aqueles que o detêm – embora emalguns momentos as contraculturas possam participar de forma apaixonada de taisempreitadas. Em vez disso, as contraculturas buscam basicamente viver tão livres dasrestrições à força criativa quanto seja possível, onde e como quer que seja possível fazê-lo. E quando as pessoas buscam esse tipo de liberdade com compromisso e vigor , elasdesbloqueiam a passagem da luz, de modo que as gerações posteriores podem seaquecer com seu calor.
Tradição sem convenção
Eu deliberadamente escolhi romper com as tradições de modo a ser mais fiel à Tradiçãodo que as atuais convenções e idéias permitem. O caminho mais vital normalmente é omais difícil, e passa por convenções muitas vezes transformadas em leis que precisamser rompidas, com conseqüente liberação de outras forças que não suportam a liberdade.Portanto, uma ruptura dessa natureza é algo perigoso, embora indispensável para asociedade. A sociedade reconhece o perigo, e faz com que a ruptura normalmente sejafatal para o homem que a produz. Ela não deve ser feita sem que sejam avaliados o perigo e o sacrifício , sem a capacidade de suportar violentas punições , nem sem a fésincera em que o fim justifica os meios, nem eu acredito que isso possa ser efetivamenteconseguido sem tudo isso. Frank Lloyd WrightO impacto final da contracultura na história freqüentemente é determinado pela adoçãode seus símbolos , artefatos e práticas pela cultura dominante de uma forma que os isolaviolentamente de suas fontes de experiência real. Ainda assim, os traços históricosdeixados pelas contraculturas podem ser identificados ao se observar a história comuma compreensão da essência da contracultura. Essa forma de ler os registros culturaisoferece uma interminável fonte de inspiração, informação e afirmação, permitindo queas contraculturas extraiam muita energia de épocas e personagens históricos anteriores.A contracultura é “ruptura” por definição , mas também é uma espécie de tradição. É atradição de romper com a tradição, ou de atravessar as tradições do presente de modo aabrir uma janela para aquela dimensão mais profunda da possibilidade humana que é afonte perene do verdadeiramente novo – e verdadeiramente grandioso – na expressão eno esforço humano. Dessa forma, a contracultura pode ser uma tradição que ataca e início a quase todas as outras tradições.
Três fios de ligação
Três diferentes cabos de conexão organizam o mosaico heterogêneo de contraculturasem uma tradição contínua:
contato direto, contato indireto e ressonância.
Os dois

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