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QUINZENÁRIO INDEPENDENTE AO SERVIÇO DAS COMUNIDADES DE LÍNGUA PORTUGUESA
1a Quinzena de Fevereiro de 2010
Ano XXX - No. 1078 Modesto, California
$1.50 / $40.00 Anual
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EDUCAÇÃO
Márcia Vieira Bettencourt
professora do ano

O Distrito Es- colar da área de Merced, prestou homenagem aos melhores pro- fessores de Li- ceu, referente ao ano de 2009. A cerimónia ocor- reu no dia 25 de Janeiro do cor- rente ano.

Do Liceu de Li-
vingston, a escolhida foi Márcia Vieira Bettencourt.

O Distrito Escolar de Merced tem 1300 professores que serve uma população de 10,800 alunos em todas as classes.

Márcia Vieira Bettencourt, nasceu no Rio de Janeiro,
é casada com Jaime Bettencourt, tem duas lhas, Ste-
phanie, e Catarina e um lho, Christopher.
A família Bettencourt reside em Livingston.
CULTURA
Pág. 10
Congresso Internacional
sobre o Espírito Santo

O IV Congres- so Internacional sobre o Divino

Espirito Santo
vai realizar-se
em San José, Ca-

lifornia nos dias 24 a 26 de Junho de 2010, duran- te as Festas do

Espírito Santo
do I.E.S., desta
mesma cidade.
No dia 24 have-
ra um Sessão de
boas vindas em
Santa Clara e a
25 e 26 de Junho começarão as palestras dos convidados
do Brasil, Portugal, Canadá, Costa Leste e California.
No Domingo, dia 26, todos participarão na Coroação
do I.E.S.. Haverá também uma exposição de fotograas
sobre as festas ao Divino. Um evento a não perder.
EDUCAÇÃO
33 Milhões de Euros para
Educação no estrangeiro
O Instituto Camões (IC) tem 33 milhões de euros para gerir
o Ensino do Português no Estrangeiro (EPE) durante este
ano lectivo, anunciou o Secretário de Estado das Comuni-
dades, Antonio Braga.
“Trinta e três milhões de euros é o valor do envelope nan-

ceiro que veio do Ministerio da Educação para “IC” no am- bito da passagem da tutela do EPE para o Instituto Camões, disse o govemante.

Antonio Braga falava na Comissão dos Negócios Estrangei-

ros e das Comunidades Portuguesas, no Parlamento, onde apresentou as prioridades para 2010 na área da Emigração. Assumindo que o EPE é uma das grandes prioridades, o

Secretário de Estado disse que o Ensino do Português no
Estrangeiro pode também beneciar de parte dos 30 mi-
lhões de euros do Fundo da Língua Portuguesa.
A segunda grande prioridade do Secretário de Estado para

este ano prende-se com o programa Netinveste, para o qual
foram atribuidos quatro milhões de euros no ambito do
QREN (Quadro de Referência Estratégico Nacional).

“É uma plataforma para empresários de origem portugue-
sa”. Existem 120 mil empresários portuguese no estrangei-
ro, 20 mil dos quais são grandes empresas.
Donya Oliveira- esta jovem de Turlock com 17 anos foi escolhida para jogar na Selecção Portuguesa de Futebol de Mulheres,
que vai participar no Algarve Cup a realizar em Portugal neste ano de 2010.
Pág. 29
Donya Oliveira na Selecção
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1 de Fevereiro de 2010
SEGUNDA PÁGINA
Year XXX, Number 1079, Feb 1, 2010
Chorar de rir...
EDITORIAL

Eu já um dia vos disse que sou um sonhador inquietante. Os meus so- nhos são reais, com cor, com pesso-

as, com palavras. Se o Freud fosse
vivo eu seria um case study.
Este meu sonho começou dentro de
um avião. O homem sentado na la

1A era um governante. A seu lado sentava-se um assessor, que trazia na mão um canudo, daqueles que os arquitectos e os mestres de obras tra- zem sempre consigo.

Seria mau para o governante descer

do avião com um canudo na mão. Poderia algum brincalhão chamar- lhe o governante do canudo.

O avião desceu calmamente no aero- porto da ilha e quando se abriram as portas, lá saíu o governante, acom- panhado à distância de 1.5 metros do seu assessor. O governante tinha vis-

to um dia um lme indiano, onde se

mostrava como os ingleses manifes- tavam a sua categoria social manten- do uma distância de 4 a 5 pés entre eles e os outros. Mal entrou para o lugar, implementou esta medida di- ferenciadora da sua categoria.

Foi recebido na aerogare pelo presi- dente de metade da Ilha e seguiram para uma casa bonita onde habitual- mente se juntava o povo.

As suas primeira palavras em frente a uma sala cheia de gente foram as seguintes:

“O governo a que pertenço teve o condão de descobrir algumas ver- bas que estavam caducas num cofre

da nossa secretaria e logo pensou investi-las na vossa terra. E até para facilitar este projecto, tirámos tempo para pedir a alguns cientistas desem- pregados que nos desenhassem aqui- lo que hoje estamos a oferecer-lhes. E aqui está o projecto.”

O assessor prendeu a planta do pro- jecto na parede da sala e quase todos os que enchiam aquele lugar do povo abriram a boca de surpresa. Um puto de 10 anos, que estava com o pai na

segunda la, disse em bom som: “Ó

pai, esta marina é só para crianças?” “T’á calado, estes governantes estão a VELAR por nós. Isto no papel pa- rece pequenino, mas no mar é muito grande”.

Um outro jovem já barbudo, pediu a palavra e disse: “Então, isto quer dizer, que nem vai haver discussão pública deste projecto, que é impor- tante para o nosso futuro?”

Esta pergunta era aquela que o go- vernante queria evitar. As mãos suavam-lhe, porque a partir daqui já nada seria igual. Teria que mentir descaradamente para bem de outros.

“Sabe, este projecto está datado, isto

é, se não for feito já, hoje, o dinhei- ro poderá ser alavancado para outro projecto, por isso é importante que, hoje, agora, seja aceite por todos vós.

Calculem que até vamos gastar uma pequena fortuna para contratar mer- gulhadores para desviarem as ovas dos salmonetes que tem o seu ber-

ço mesmo na ligação da muralha de protecção com a terra. Nós só pensa- mos no vosso bem.” Mais suor...

Um dos mais velhos, que estava sem óculos e não conseguia ver a plan- ta do projecto, disse : “Porquer não, estes senhores do goveno trabalham para nós e querem o nosso bem. Eu

aceito o desao, disse ele.” O neto,

ao lado, disse: “O avô t’á marado, ou quê? Esta marina nem dá para os barcos que já temos.”

O governante rezava para sentir o barulho do avião que o vinha buscar, para acabar com aquele sofrimento. E assim aconteceu.

“Meus senhores, o avião está aí e eu
tenho que me ir embora. A vossa de-
cisão foi boa e irá beneciar a ilha.”
Com a pressa, deixou atrás o canudo,

mais a planta. O assessor, coitado, quase que perdia o avião, pois deu- lhe uma diarreia mental que o pôs quase no hospital.

Ia o nosso governante a dirigir-se para o avião, quando o telemóvel tocou: “Então, que tal decorreu a reunião?” Oh, tudo muito bem, tudo como planeámos, disse o governante. A voz do outro lado, com um sota-

que amengo e cantadinha, disse:
“Pois muito bem, assim camos sem
competição, como era nosso desejo.

Não nos esqueceremos de si, quando acabar o servicinho, disse-lhe aque- la voz cantadinha, do outro lado do mar.”

Acordei todo molhado...de suor!

Eu não sei se deva rir ou chorar, quando ouço os locu- tores da nossa rádio e televisão comunitárias, chamarem “doutores” a toda a gente que nos visita ou que vem de Portugal. Também em muitas festas nossas, o mestre de cerimónia cai neste mesmo comportamento.

Portugal é o único país da Europa e do mundo civiliza- do, que na rádio e na televisão, ainda usa esse tratamento académico, que caíu em desuso nos países democráticos e modernos já há muitos anos. Depois do 25 de Abril, há

34 anos, a imprensa escrita portuguesa deixou de usar tí-
tulos académicos. Há porém uma excepção, que é usada
em muitos países - nos hospitais e mesmo fora deles, os
médicos são quase sempre tratados por “doutores”.

Mesmo que houvesse tal tratamento neste nosso país, en- tão porque razão não tratam da mesma maneira os milha- res de cursados da nossa comunidade? Porquê, só aos que vêm de fora?

Vou dar-vos um exemplo concreto da nossa comunidade

- o MC numa das nossas convenções em 2009, e quando apresentava a mesa de honra, só ao Cônsul de Portugal é que chamou “doutor”. Aos outros, os de cá, maioritá- riamente cursados, não tiveram tal honraria académica. A que se deve esta discriminação?

Quem não se lembra das comemorações do Dia de Portu-
gal de 2008 no IES, quando o mestre de cerimónias passou
toda a tarde a chamar “doutor” ao Carlos César, Presiden-
te do Governo Regional dos Açores.
É isto que às vezes ouvimos, vemos e camos espantados,
como é que é possível estes disparates acontecerem nesta
nossa grande terra. Será falta de quê?
Temos que acabar com a ideia de que tudo que vem de fora
é melhor do que temos cá em casa.

Esta subserviência mental a quem vem de fora, tem de passar à história. Devemos sempre ser orgulhosos daquilo que temos e daquilo que somos. Vejam a página 18.

josé avila
Crónicas do Perrexil
J. B. Castro Avila
O governante
do canudo...
evido às suas aceti-

nadas folhas verdes e brilhantes bagos ver- melhos, o azevinho

tem sido de há muito considerado
um símbolo da vida e renovação,
gurando em festivais pagãos na

quadra invernosa, embora hoje em dia esteja mais largamente associado com o Natal. Curio- samente, em inglês, dá-se-lhe

o nome de HOLLY. No entanto, HOLY (com um L) é o adjectivo signicando santo. (Holy Ghost - Espírito Santo).

No testemunho de Jenny Linford (A Pocket Guide to Trees), “o aze- vinho desfruta grande projecção no folclore, incluindo a crendice que o corte dum azevinho acar- reta malefício. Outra crendice popular aponta p’ró facto que a

quantidade de bagos serve de ba-
rómetro, indicando a severidade
do próximo inverno. Os bagos do
azevinho constituem também um
importante produto alimentício
p’ró sustento das aves durante o
inverno”.
George Ferguson (Signs & Sym-
bols in Christian Art) anotou que

o azevinho, ostentando folhas es- pinhosas, “representa um símbo- lo da coroa de espinhos de Cris-

to. Há quem diga que a Cruz foi
feita com a madeira do azevinho
e, consequentemente, o azevinho
é simbólico da Paixão de Cristo”.
Reza uma lenda que as árvores
ao terem conhecimento que Cris-
to seria crucicado, concorda-
ram recusar a sua madeira p’rá
execução, e deszeram-se em
estilhaços quando o machado as
tocou, excepto o azevinho que
permaneceu inteiro e permitiu
ser usado em instrumento da Pai-

xão. O azevinho é frequentemen- te representado em pinturas de S. Jerónimo meditando na Paixão, ou de S. João Baptista que, ao

proclamar Cristo o Cordeiro de
Deus, vaticinou a Paixão.
Francis Weiser (Christian Feasts
& Customs) escreveu: “P’rós pri-

mitivos cristãos do Norte da Eu- ropa, o azevinho foi o símbolo da sarça ardente onde Deus apareceu a Moisés, e bem assim o símbolo do amor radiante que encheu o

coração de Maria com a revelação
Festas e mais festasda sua maternidade. O azevinho,

com seus ramos pontiagudos e bagos escarlates, semelhando go- tas de sangue, é igualmente um

pretexto p’ra inculcar nos éis a

lembrança que Cristo nasceu p’ra ser coroado de espinhos e p’ra derramar o seu sangue”.

Como anotou Weiser, o apare- cimento do azevinho marcava o início da quadra festiva do Natal nos lares da antiga Inglaterra. Presentemente, o azevinho apa- rece não só em portas e janelas, em mesas e paredes, mas as suas folhas verdes e bagos vermelhos hão igualmente transformado o azevinho num símbolo universal do Natal, adornando cartões de festa, rótulos e respectiva emba- lagem dos presentes típicos da quadra natalícia.

Weiser recordou também que, na Inglaterra, “as superstições medievais creditaram o azevi- nho com poderes mágicos con-

tra a bruxaria. Assim, as jovens
solteiras eram aconselhadas a
colocar um ramo de azevinho
nas camas no dia de Natal a m

de as proteger contra os feitiços do diabo. Na Alemanha, ramos de azevinho usados em enfeitar

a igreja no Natal, eram trazidos p’ra casa e guardados como amu- letos contra os relâmpagos. Mais ainda, era crendice popular que uma árvore de azevinho junto à residência concorria p’ra livrar o pessoal da casa contra trovões e relâmpagos”.

D
3
COLABORAÇÃO
Na Companhia do Azevinho(I)
Tribuna da Saudade
Ferreira Moreno
A

parentemente, nos Estados Unidos, o azevinho indígena desapareceu, devido

a práticas extravagantes e abu-

sivas da parte de muita gente, sobretudo na quadra natalícia. O azevinho agora usado é duma variedade europeia, com maiores folhas e bagos, produzido co- mercialmente por agricultores. O azevinho da Califórnia, comu-

mente chamado TOYON, cresce ao longo da Costa do Pacíco, apresentando extra brilhantes e

avermelhados bagos, que servem p’ra adornar os ramalhetes verdes do Natal.

George Stewart (American Pla-
ce Names) armou que “através

da sua associação com o Natal, o azevinho nativo serviu de nome p’ra numerosas localidades nos Estados Unidos do sudeste ame- ricano, onde se reproduz mais ti-

picamente (Holly Springs, Holly
Hill, Holly Grove, etc.). Na Ca-

lifórnia, o verdadeiro azevinho não é nativo, mas o toyon é ge- ralmente denominado California holly”.

Assim, o nome Hollywood é o

mais óbvio p’ra aplicar-se a uma mata ou bosque de azevinho, ou outro qualquer lugar na imediata vizinhança. De facto, aquando do povoamento dos estados do sudes-

te americano, o nome Hollywood foi anexo a muitos locais e plan- tações. Em 1887 o casal Wilcox deu o nome de Hollywood ao

povoado que haviam fundado na Califórnia, provavelmente imi- tando o costume do sudeste.

É deveras curioso e informativo o testemunho de Erwin Gudde (Ca- lifornia Place Names), declarando

que o casal Wilcox teria importa- do árvores de azevinho, a m de justicar o nome Hollywood a- xado à povoação estabelecida ao

sul da Califórnia. Este nome e
derivativos tornaram-se muito
populares quando Hollywood ga-
nhou fama mundial.
SANJ 2010 em Gilroy e San José
José Gaspar, José Silva, Flávio Sousa, Vera Brasil, Al Pinheiro (dando as boas vindas), Le-
tícia Vieira, Vanessa Martinho, José Couto (fotos de Larry Mickartz e Filomena Rocha)

Em cima: Aspecto do Salão da Nova Aliança, onde teve lugar a apresentação das Sanjoani-
nas 2010, seguido de Fados.
Embaixo: a Banda da Nova Aliança também participou na festa, dando um pequeno con-
certo para gáudio de todos os amantes da boa musica.
Estas reuniões da nossa comunidade são boas oportunidades para a Banda exercitar aqui-
lo que melhor sabe fazer - tocar boa música

O “Thank you Dinner” de Joe Parreira é sempre muito concorrido.
Esq/dir: Teresa Correia, Maria Mendes, Maria Machado, Evangelina Pereira, Nair Gomes,
Maria Diniz, Lucia Machado, Rosa Parreira. Em pé: Fátima Melo, Jacks Melo, Eduina
Vaz, Albina Lopes.

Padre Grubber, Joe Parreira, Henrique Vitorino, Michael Machado, Manuel Melo, Leonel
Moules e Padre Tony Chaco. Ambos os sacerdotes são de Okadale.
Hilmar aprumou-se na sopa e no cozido à portuguesa que foram servidos depois da Missa
da noite do anuncio dos novos Presidentes da Festa de Nossa Senhora do Rosário.

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