3
COLABORAÇÃO
Na Companhia do Azevinho
(I)
Tribuna da Saudade
Ferreira Moreno
D
evido às suas aceti-nadas folhas verdes e brilhantes bagos ver-melhos, o azevinhotem sido de há muito consideradoum símbolo da vida e renovação,
gurando em festivais pagãos na
quadra invernosa, embora hojeem dia esteja mais largamenteassociado com o Natal. Curio-samente, em inglês, dá-se-lhe
o nome de HOLLY. No entanto,HOLY (com um L) é o adjectivosignicando santo. (Holy Ghost -Espírito Santo).
No testemunho de Jenny Linford(A Pocket Guide to Trees), “o aze-vinho desfruta grande projecçãono folclore, incluindo a crendiceque o corte dum azevinho acar-reta malefício. Outra crendice popular aponta p’ró facto que aquantidade de bagos serve de ba-rómetro, indicando a severidade
do próximo inverno. Os bagos do
azevinho constituem também umimportante produto alimentício p’ró sustento das aves durante oinverno”.
George Ferguson (Signs & Sym
- bols in Christian Art) anotou queo azevinho, ostentando folhas es- pinhosas, “representa um símbo-lo da coroa de espinhos de Cris-
to. Há quem diga que a Cruz foi
feita com a madeira do azevinhoe, consequentemente, o azevinho
é simbólico da Paixão de Cristo”.
Reza uma lenda que as árvoresao terem conhecimento que Cris-
to seria crucicado, concorda
-ram recusar a sua madeira p’rá
execução, e deszeram-se em
estilhaços quando o machado as
tocou, excepto o azevinho que
permaneceu inteiro e permitiuser usado em instrumento da Pai-
xão. O azevinho é frequentemen
-
te representado em pinturas de S.Jerónimo meditando na Paixão,ou de S. João Baptista que, ao
proclamar Cristo o Cordeiro de
Deus, vaticinou a Paixão.
Francis Weiser (Christian Feasts
& Customs) escreveu: “P’rós pri
-mitivos cristãos do Norte da Eu-ropa, o azevinho foi o símbolo dasarça ardente onde Deus apareceua Moisés, e bem assim o símbolodo amor radiante que encheu ocoração de Maria com a revelação
Festas e mais festas
da sua maternidade. O azevinho,com seus ramos pontiagudos e bagos escarlates, semelhando go-tas de sangue, é igualmente um
pretexto p’ra inculcar nos éis a
lembrança que Cristo nasceu p’raser coroado de espinhos e p’raderramar o seu sangue”.Como anotou Weiser, o apare-cimento do azevinho marcava oinício da quadra festiva do Natalnos lares da antiga Inglaterra.Presentemente, o azevinho apa-rece não só em portas e janelas,em mesas e paredes, mas as suasfolhas verdes e bagos vermelhoshão igualmente transformado oazevinho num símbolo universaldo Natal, adornando cartões defesta, rótulos e respectiva emba-lagem dos presentes típicos daquadra natalícia.Weiser recordou também que,na Inglaterra, “as superstiçõesmedievais creditaram o azevi-nho com poderes mágicos con-
tra a bruxaria. Assim, as jovens
solteiras eram aconselhadas acolocar um ramo de azevinho
nas camas no dia de Natal a m
de as proteger contra os feitiçosdo diabo. Na Alemanha, ramosde azevinho usados em enfeitar a igreja no Natal, eram trazidos p’ra casa e guardados como amu-letos contra os relâmpagos. Maisainda, era crendice popular queuma árvore de azevinho junto àresidência concorria p’ra livrar o pessoal da casa contra trovões erelâmpagos”.
A
parentemente, nosEstados Unidos, oazevinho indígenadesapareceu, devido
a práticas extravagantes e abu
-sivas da parte de muita gente,sobretudo na quadra natalícia.O azevinho agora usado é dumavariedade europeia, com maioresfolhas e bagos, produzido co-mercialmente por agricultores.O azevinho da Califórnia, comu-
mente chamado TOYON, cresceao longo da Costa do Pacíco,apresentando extra brilhantes e
avermelhados bagos, que servem p’ra adornar os ramalhetes verdesdo Natal.
George Stewart (American Pla
-
ce Names) armou que “através
da sua associação com o Natal, oazevinho nativo serviu de nome p’ra numerosas localidades nosEstados Unidos do sudeste ame-ricano, onde se reproduz mais ti-
picamente (Holly Springs, HollyHill, Holly Grove, etc.). Na Ca
-lifórnia, o verdadeiro azevinhonão é nativo, mas o toyon é ge-ralmente denominado Californiaholly”.
Assim, o nome Hollywood é o
mais óbvio p’ra aplicar-se a umamata ou bosque de azevinho, ououtro qualquer lugar na imediatavizinhança. De facto, aquando do povoamento dos estados do sudes-
te americano, o nome Hollywoodfoi anexo a muitos locais e plan
-
tações. Em 1887 o casal Wilcoxdeu o nome de Hollywood ao
povoado que haviam fundado naCalifórnia, provavelmente imi-tando o costume do sudeste.É deveras curioso e informativo otestemunho de Erwin Gudde (Ca-lifornia Place Names), declarando
que o casal Wilcox teria importa
-
do árvores de azevinho, a m de justicar o nome Hollywood a
-
xado à povoação estabelecida ao
sul da Califórnia. Este nome ederivativos tornaram-se muito
populares quando Hollywood ga
-nhou fama mundial.
SANJ 2010 em Gilroy e San José
José Gaspar, José Silva, Flávio Sousa, Vera Brasil, Al Pinheiro (dando as boas vindas), Le-tícia Vieira, Vanessa Martinho, José Couto (fotos de Larry Mickartz e Filomena Rocha)Em cima: Aspecto do Salão da Nova Aliança, onde teve lugar a apresentação das Sanjoani-nas 2010, seguido de Fados.Embaixo: a Banda da Nova Aliança também participou na festa, dando um pequeno con-certo para gáudio de todos os amantes da boa musica.Estas reuniões da nossa comunidade são boas oportunidades para a Banda exercitar aqui-lo que melhor sabe fazer - tocar boa músicaO “Thank you Dinner” de Joe Parreira é sempre muito concorrido.Esq/dir: Teresa Correia, Maria Mendes, Maria Machado, Evangelina Pereira, Nair Gomes,Maria Diniz, Lucia Machado, Rosa Parreira. Em pé: Fátima Melo, Jacks Melo, EduinaVaz, Albina Lopes.Padre Grubber, Joe Parreira, Henrique Vitorino, Michael Machado, Manuel Melo, LeonelMoules e Padre Tony Chaco. Ambos os sacerdotes são de Okadale.Hilmar aprumou-se na sopa e no cozido à portuguesa que foram servidos depois da Missada noite do anuncio dos novos Presidentes da Festa de Nossa Senhora do Rosário.
Add a Comment