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B
OLETIM
I
NFORMATIVO
MPI
n.º 17 - Outubro de 2009
Desabafos sobre transgénicos de quemtrabalha na terra
Desabafos (ao Ministro da Agricultura)
Eu peço a quem de direitoQue dirige a nossa naçãoQue diga assim como eu digoAlimentos transgénicos não.Eu trabalho todo o anoQuase produzo para comermas tenho pena daquelesque isso não podem fazer.O nosso trigo é o melhorO nosso milho tambémPeço para não se cultivarTransgénicos para ninguémJunte Portugal às outras naçõesQue souberam dizer nãoPara que o Alentejo volte a serO celeiro da naçãoJunto a mim estamos muitosSou uma humilde criaturaPedindo protecçãoAo sr. Ministro da Agricultura
ensaios na Herdade da Mitra pertencente ao pólo da Universidade de Évora, alegando existir nas proximidades
“captações de água subterrânea que constituem origem de abastecimento público”.
(Adaptado de: Empresa de milho transgé-
nico autorizada a fazer ensaios, http://www.destak.pt/artigos.php?art=32797)
Durante a consulta pública o número de pessoas que participou de forma individual foi de 651, tendo dessas, 622revelado oposição aos ensaios. Este facto, apesar de tentar ser desvalorizado por parte dos relatores, causa manifesta-mente incómodo, pelo que terá de se continuar a participação cívica contra a proliferação dos transgénicos.Em Abril, reuniram em Lucerna (Suíça) cerca de 300 representantes governamentais, cientistas, associações deagricultores e de consumidores, e numerosas organizações ambientalistas, de quatro continentes, denunciaram oescândalo da violação do direito à escolha na produção e consumo de alimentos. Portugal marcou presença através deelementos da Plataforma Transgénicos Fora, Quercus e Gaia.Perante o aumento do número de regiões livres de transgénicos em toda a Europa (são já cerca de 190, incluindoduas em Portugal), e considerando que seis Estados Membros (Áustria, França, Alemanha, Luxemburgo, Hungria,Grécia, Itália e Polónia) já proibiram a nível nacional o único milho transgénico autorizado para cultivo na UniãoEuropeia (e mais dois têm moratórias de facto), os participantes exigiram a criação de uma moratória europeia aocultivo e aprovação de novas variedades de transgénicos.A presidente do Conselho Nacional helvético anunciou a extensão da moratória de cinco anos - decidida nestepaís por referendo nacional - por mais três anos, até 2013, dados os benefícios que tem trazido à agricultura suíça.Também a ministra escocesa da agricultura lembrou nesta conferência que a visão do seu governo é apostar na dife-renciação, na qualidade e nos nichos de mercado com valor acrescentado, ao mesmo tempo que bloqueiam a penetra-ção de transgénicosApesar destes sinais positivos, ainda há seis países que cultivam transgénicos na União Europeia. Portugal é umdeles, e o segundo mais importante em termos de percentagem da área total cultivada com milho. Na Espanha, o paísque lidera o cultivo transgénico europeu, milhares de pessoas juntaram-se há uma semana em Saragoça para pedir ofim desse milho em todo o Estado espanhol.A produção com transgénicos ocorre à revelia da opinião da maioria da população europeia que, tal como foi refe-rido pela ex-ministra alemã da agricultura, Renata Künast, também presente, "tem cada vez menos direito à escolha."Esse direito de optar desapareceu devido ao controlo das sementes através de patentes, à ausência de rotulagem emprodutos animais, à contaminação irreversível e generalizada da cadeia alimentar e à falta de aplicação do princípioda subsidiariedade no que toca à auto-declaração de mais de cinco mil autarquias como livres de transgénicos.
O texto completo da Declaração de Lucerna está disponível na página da Plataforma Transgénicos Fora (www.stopogm.pt). (Adaptado docomunicado da Plataforma Transgénicos Fora de 26/04/2009)
Maria do Céu Silva Manuel (habitante da Aldeia das Amoreiras) -
Publicado em http://gaia.org.pt/node/15009
C
ONFERÊNCIA
F
OOD
AND
D
EMOCRACY
(A
LIMENTAÇÃO
E
D
EMOCRACIA
)
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