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Brasil: o movimento sindical e popular na década de 2000

Brasil: o movimento sindical e popular na década de 2000

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Published by: Centro de Estudos Sindicais on Feb 02, 2010
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Brasil: o movimentosindical e popular nadécada de 2000
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Investigadores del Centro de Estudos Marxistas(Cemarx) de la Universidade Estadual de Campinas(Unicamp), Brasil. El presente trabajo se benefciadel trabajo colectivo del grupo de investigación
Neoliberalismo e relações de classe no Brasil 
, consede en Cemarx. Ver <www.ich.unicamp.br/cemarx>.
Resumen
Este artículo describe y analiza elmovimiento sindical y los movimientospopulares en Brasil en la primera décadade dos mil, periodo en que el procesopolítico brasileño se encuentra marcadopor los dos mandatos presidencialesde Lula da Silva. El análisis evidenciala uerza de lucha reivindicativa de losobreros, de los trabajadores del campo yde la masa de trabajadores marginada porel capitalismo neoliberal. El texto destacaque esa lucha permanece connada alnivel reivindicativo. No hay en el Brasilactual un movimiento político de masascontra el capitalismo neoliberal.
Abstract
This article describes and analyses thetrade-union movement and the popularmovements in Brazil during the decadeo 2000, the period that the Brazilianpolitic process is under the infuenceo Lula da Silva’s government. Theanalysis shows the orce o the workersmovement, o the peasant movementand the struggle o the populationmarginalized by the neo-liberal modelo capitalism. The text highlights thatthe popular struggle remains in theeconomic level. There is not in Brazila mass political movement against theneoliberal capitalism.
Palabras clave
Lutas sociais, movimentos sociais, movimento camponês, MST, Contag, movimento demoradia, Governo Lula
Keywords
Social struggle, social movements, peasant movement, MST, Contag, homelessmovement, Lula´s Government
Cómo citar este artículo
Boito, Armando; Galvão, Andréia y Marcelino, Paula 2009 “Brasil: o movimento sindicale popular na década de 2000” en
OSAL
(Buenos Aires: CLACSO) Año X, Nº 26, octubre.
 
Brasil: o movimento sindical e popular na década de 2000
36Debates
I. Introdução
No Brasil, a luta operária e popular passou, ao longo da década de dois mil, porum período que, em contraste com as décadas precedentes, poderíamos deno-minar um período de acomodação política. A luta reivindicativa não refuiu, masa agitação e a luta contra o modelo capitalista neoliberal perderam terreno.A década dos oitenta oi a década da luta e da organização operária e po-pular no Brasil. Os indicadores da mobilização popular mantiveram-se muitoaltos e o salto organizativo do período oi muito grande. Na década dos oitenta,tivemos a construção da Central Única dos Trabalhadores (CUT), do Partido dosTrabalhadores (PT) e do Movimento dos Sem-Terra (MST). Essa oi também adécada da legalização e do crescimento de antigos e novos partidos e organi-zações marxistas –como o Partido Comunista do Brasil (PCdoB), a Convergên-cia Socialista (CS), que se transormaria no Partido Socialista dos TrabalhadoresUnicado (PSTU) e outras organizações menores. Nesse período, ocorreu umaexplosão inédita de greves, colocando o Brasil, juntamente com a Espanha, quetambém saía de uma ditadura, como campeões incontestes da atividade grevistaem escala mundial. Grandes greves de massa marcaram o cenário político esocial daquele período: as greves do operariado abril, principalmente no ABCpaulista, as greves dos trabalhadores rurais –como as greves dos canavieiros daZona Mata nordestina e do município de Guariba no interior de São Paulo– eas greves do uncionalismo público por todo o país tornaram irreversível a criseda ditadura militar. Se elas não oram sucientes para impor uma saída popularpara a crise da ditadura, limitaram as opções da burguesia brasileira. Essa lutae esse crescimento organizativo retardaram a implantação do capitalismo neo-liberal no Brasil.A década dos noventa oi uma década de refuxo. Diversos atores –econô-micos e políticos, nacionais e internacionais– concorreram para tal. Logo noinício dos anos noventa, a posse do governo neoliberal de Fernando Collor, quederrotara a candidatura Lula na eleição presidencial de dezembro de 1989, arecessão da economia capitalista e a política econômica do novo governo acu-aram politicamente o movimento sindical e popular e derrubaram a produçãoe o emprego de maneira abrupta. A diusão dos processos de reestruturaçãoprodutiva e, no plano internacional, a desintegração da antiga URSS, que pro-vocou uma crise ideológica no movimento operário e socialista, somaram-seàqueles atores para congurar uma conjuntura que abateu o movimento operá-rio e popular brasileiro e o levou ao refuxo. Quando, doze anos mais tarde, naeleição presidencial de 2002, a “candidatura Lula” oi vitoriosa, o programa decampanha e do candidato já era outro. A candidatura Lula e o PT tinham aban-donado o programa de reormas que deenderam nos anos oitenta e passaram aconciliar com o modelo neoliberal.A década de dois mil oi, como dissemos, a década da acomodação políticado movimento operário e popular. Essa acomodação política não signicou odesaparecimento das lutas. As greves operárias e de trabalhadores de classe mé-dia e as ocupações de terra pelo movimento camponês mantiveram-se num ní-vel elevado ao longo da década de dois mil. Ademais, essa oi também a décadade várias edições dos Fóruns Sociais Mundiais sediados no Brasil e de diversas
 
Armando Boito, Andréia Galvão e Paula Marcelino
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outras maniestações de luta e de inconormismo dos setores populares com omodelo capitalista neoliberal –poderíamos citar a disseminação dos movimen-tos de moradia por todo o país e a agitação do movimento estudantil. Contudo,a existência do Governo Lula, um governo que, ao mesmo tempo, manteve ereormou o neoliberalismo, contribuiu para que essas lutas se mantivessem con-nadas no nível reivindicativo e localizado, desviando-se do objetivo de umaluta política geral contra o próprio modelo neoliberal.A repressão do período Collor e Cardoso oi substituída por uma políticade pequenas concessões e, principalmente, de aproximação com as liderançasdos movimentos. A política econômica do governo teve impacto no movimentooperário e sindical. As centrais sindicais, inclusive a CUT, acomodaram-se aoneodesenvolvimentismo –uma política de desenvolvimento limitada pelo ca-ráter nancista do modelo neoliberal e voltada, crescentemente, para a expor-tação. Acomodaram-se, também, graças à política de cooptação do governo.Centenas de sindicalistas ou ex-sindicalistas assumiram cargos em ministérios,na administração pública e em diretorias de empresas estatais
1
. O governo Lulareormou também parte da legislação sindical, de modo a dotar à direção dascentrais sindicais de um controle maior sobre as suas bases e de modo a provê-las com undos nanceiros vultuosos. A política social do governo repercutiunos movimentos populares de urgência, como os sem-teto e sem-terra, e nomovimento estudantil. O social-liberalismo do Governo Lula enxerta no capi-talismo neoliberal uma ampla gama de políticas compensatórias, como a bolsaamília, os programas de crédito bancário para a população pobre e o nan-ciamento das mensalidades escolares para estudantes universitários oriundosde amílias de renda insuciente. São medidas paliativas que não alteram asituação crítica do desemprego, da concentração da renda e da privatização daeducação, mas que produzem o impacto político de angariar simpatia e apoiodiuso para o Governo Lula junto à população empobrecida pelo próprio mo-delo capitalista neoliberal. As direções dos movimentos de sem-terras tambémoram contempladas com verbas públicas para seus programas educacionais eculturais, induzindo tais dirigentes a assumirem uma postura de neutralidadeavorável ao Governo Lula.Essa situação que reúne um reormismo supercial e conservador –posto setratar de um reormismo que, justamente, possibilita a reprodução do modeloneoliberal de capitalismo–, uma política de cooptação de dirigentes do movi-mento popular e a acomodação política de tais dirigentes lembra, em alguns deseus aspectos, a situação política criada na crise do regime militar entre 1978 e1985. Naquela ocasião, a chamada política de abertura do Governo Geisel –quecombinava a manutenção do regime ditatorial com recuos secundários rente aocrescimento da oposição democrática– pode ser comparada, mudando o quedeve ser mudado, com a política econômica neodesenvolvimentista e a políticasocial do social-liberalismo na conjuntura presente. O neodesenvolvimentismoe o social-liberalismo combinam a manutenção do capitalismo neoliberal comrecuos secundários rente às aspirações populares. Trata-se de uma atualizaçãoda tradição política brasileira de conscar a insatisação popular e integrá-lanum pacto burguês construído no alto.

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