humanidade. O resultado da experiência ainda está em suspenso. Mas o homem não é umser simples e pode morrer de mais de uma maneira. O problema da liberdade individual,tão apaixonadamente discutido na nossa geração, é apenas um aspecto deste problemaangustiante. Na verdade faz parte de uma necessidade muito mais vasta e mais profunda -a necessidade de uma resposta nova ao desafio total da máquina.A nossa condição pode ser descrita nos seguintes termos: a civilização industrialainda poderá aniquilar o homem. Mas embora a aventura de um meio ambienteprogressivamente artificial não possa, não deixe de ser e, evidentemente, não deva servoluntariamente afastada, a tarefa de adaptar a vida
num tal contexto
aos requisitos daexistência humana precisa de ser resolvida se o homem quiser continuar a viver sobre aterra. Ninguém pode profetizar se um tal ajustamento é possível, ou se o homem deverámorrer nessa tentativa. Daí a tonalidade sombria da questão.Entretanto, a primeira fase da Idade da máquina terminou. Ela incluiu a organizaçãode uma sociedade cujo nome derivou da sua instituição central, o mercado. Este sistemaestá em declínio. E no entanto a nossa filosofia prática foi modelada de maneira quasetotal por este episódio espectacular. Tornaram-se correntes novas noções sobre o homeme a sociedade, as quais obtiveram o estatuto de axiomas. Ei-las: em relação
ao homem
fomos levados a aceitar a heresia que as suas motivações podem ser descritas como«materiais» e «ideais», e que os incentivos sobre os quais a nossa vida quotidiana estáorganizada provêm das motivações «materiais». Tanto o liberalismo utilitarista como omarxismo vulgar favoreceram tais pontos de vista. Em relação
à sociedade,
propôs-seuma doutrina afim, segundo a qual as instituições eram «determinadas» pelo sistemaeconómico. Esta opinião era ainda mais corrente entre marxistas do que entre liberais.Numa economia de mercado ambas as afirmações eram, evidentemente,verdadeiras.
Mas só numa tal economia.
Em relação ao passado tal ponto de vista nãopassava de um anacronismo. Em relação ao futuro era um simples preconceito. E noentanto, sob
a
influência de escolas de pensamento dominantes, reforçados pelaautoridade da ciência e da religião, da política e dos negócios, estes dois fenômenosestritamente delimitados no tempo vieram a ser considerados universais, transcendendo afase do mercado. Superar tais doutrinas que limitam a nossa mente e a nossa alma eagravam imenso a dificuldade do, ajustamento necessário para a nossa sobrevivência,
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