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Quem foi que colocou colchetes na minha Bíblia? 
(Sim, você pode confiar nas traduções modernas!)
 
Versão 3.0
Por: Renato N. Fontes (renfontes@hotmail.com)
 Maio de 2001, revisado em Março de 2005 e agosto de 2007  Meus agradecimentos ao professor Nório Yamakami, pelas sugestões.É permitido copiar e distribuir este artigo, desde que seja na íntegra e que sejam mantidosos créditos do autor.
 A Deus toda glória! 
 
Introdução 
Sinceramente, até bem pouco tempo atrás eu considerava totalmente desnecessário escreversobre este tema. Em minha simplicidade, pensava: “ora, a Bíblia foi traduzida para a nossalíngua no século XVII e nada mais natural do que fazer uma tradução numa linguagem queusamos hoje” – e, na verdade, continuo pensando assim. Até descobrir os fundamentalistas,que dizem que somente as versões antigas são a Palavra de Deus e as traduções modernassão distorções. Primeiro me deparei com os fundamentalistas da língua inglesa, defendendo aKJV (
King James Version
, também conhecida como AV --
 Authorized Version
, de 1611)como única tradução aceitável (essa facção é conhecida como
KJV-only
, e seus adeptoscomo
KJV-onlyists
). Depois, para minha surpresa (olha que eu já suspirava aliviado: “pelomenos
essa
esquisitice os brasileiros não copiaram!”), descobri que existem lusófonos quedizem que a única tradução válida é a “Almeida Corrigida Fiel”, de 1753, baseada natradução de João Ferreira de Almeida feita no século anterior. Imagino que casossemelhantes existam entre os cristãos de língua espanhola, no caso da tradução de Reina-Valera (da mesma época), e por aí vai. Afinal, com base em quais argumentos eles dizemessas coisas? Os motivos são basicamente dois: problemas de tradução e questões textuais.As questões textuais se referem aos colchetes que já mencionamos e que aparecem naEdição Revista e Atualizada da Sociedade Bíblica do Brasil.Curiosamente, os fundamentalistas mais radicais, de língua inglesa, acreditam que apenas aKJV é a Palavra de Deus, a qual não possui tradução digna em qualquer outra língua.Alguns chegam ao extremo de achar que ela é superior ao próprio texto grego original, eque a Bíblia teria sido reinspirada em 1611! Acreditam que a língua inglesa foi de certaforma privilegiada por Deus, assim como o grego há dois mil anos. Não é à toa que essepensamento produz racismo, por acreditar na superioridade de uma cultura sobre as outras.Basta lembrar que foi esse tipo de crença, levada às suas últimas conseqüências, que levouHitler ao holocausto dos judeus. Felizmente, os fundamentalistas brasileiros não chegam aoponto de crer na exclusividade da KJV, mas sua visão de mundo eurocêntrica eamericanocêntrica será tratada no segundo apêndice.Bem, vamos ao que interessa!
 
A necessidade de novas traduções 
Você deve ter notado que na introdução usei o termo “lusófono”, e talvez tenha seperguntado: “por que ele não disse ‘de fala portuguesa’, não seria mais simples”? Pois bem,foi proposital. Quando Paulo escreveu suas cartas, não usou termos estranhos ao linguajarcorrente (como o “lusófono” acima), nem pronomes em desuso na sua época (como é o casodo “vós” das traduções mais antigas). Podemos citar o famoso “beneplácito” de Efésios 1.Fico imaginando quantos leitores nos dias de hoje sabem o que é “beneplácito”... Apropósito, o termo em questão, no grego, é
eudokia
, uma palavra que de complicada nãotem nada (para os de fala grega, naturalmente). É composta do prefixo
eu-
, que significa“bom”, e de uma palavra derivada do verbo
dokeo
, que é “agradar-se”. Num português maissimples, era algo como “boa vontade”. Aliás, ela é traduzida assim em Lucas 2:14 (ou como“favor”, dependendo da tradução). Podemos nos lembrar de vários outros termoscomplicados, sem mencionar que o leitor brasileiro, na média, tem escolaridade baixa. Porincrível que pareça, termos simples como “fraternalmente” já confundem alguns, que dizerentão dos mais complicados! Não podemos nos esquecer, aliás, que uma das virtudes daReforma Protestante foi colocar a Bíblia na linguagem do povo. É bem verdade que jáexistiam traduções nas línguas vernáculas (inglês e alemão, por exemplo) antes da Reforma,mas o catolicismo medieval nunca viu isso com bons olhos, autorizando apenas a leitura daVulgata, que era a versão em latim. Com o advento dos reformadores, a divulgação daBíblia entre as pessoas simples ganhou grande impulso.A razão dada acima já bastaria para provar que precisamos atualizar a linguagem em nossatradução. Mas existe uma outra razão. Sabem como 1Reis 14.10 ficaria em português, sefosse traduzido literalmente? Algo assim: “e eliminarei de Jeroboão todo o que urina naparede”. E pasmem, a KJV e a Reina-Valera traduziram assim. A Edição Revista eCorrigida, da Sociedade Bíblica do Brasil, já traduz menos literalmente: “separarei deJeroboão todo homem”. Ah, quer dizer que “urinar na parede” é uma expressão hebraicapara designar indivíduos do sexo masculino... Hmm, se a Bíblia fosse traduzida de formatotalmente literal, como é que nós saberíamos, a não ser com um exercício enorme daimaginação ou com muita pesquisa? Podemos citar muitos outros exemplos, como o Salmo92.10. Se fosse traduzido ao pé da letra, produziria a frase hilária (para nós, lusófonosbrasileiros): “tu levantarás meu chifre”. Convenhamos, soa até sacrílego! Por que nãotraduzir o
sentido
da expressão -- “tu exaltarás o meu poder” -- acrescentando uma nota derodapé explicando como é a frase no original com o hebraísmo? Assim o texto faz sentidopara nós e a nota de rodapé aumenta nosso conhecimento das metáforas usadas no hebraico-- ganha-se dos dois lados! Esse é mais um problema das traduções do século XVII, quetendem a ser literais nessas situações.Podemos ainda falar de outras expressões que soavam naturais na época de João Ferreira deAlmeida, mas que hoje ou não significam nada ou possuem duplo sentido – alguns exemplosque vêm imediatamente à mente são o uso da palavra “saco” em Gênesis 44 e a expressão“cingido pelos peitos” (Apocalipse 1:13). Precisamos de novas traduções que corrijam oproblema. Pense no seguinte, se você estivesse conversando em inglês e quisesse fazermenção a um texto traduzido literalmente, você diria que o texto foi traduzido “
at the foot of the letter 
”? O interlocutor de fala inglesa (ou anglófono, se você preferir) não entenderianada... A tradução de um texto, sagrado ou não, funciona da mesma forma. Poderia gastarhoras aqui citando exemplos, mas, só para ilustrar de forma bem clara, a expressão “a carne

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alefeufeileft a comment

Gostei muito também

luciano aguileraleft a comment

olá irmão geraldo rosa, se tu encontrou o livro sobre costumes nos tempos biblicos, por favor passe para mim tb. disponibilizando-o neste site, abraço.

gera.costaleft a comment

boa noite amigo estou ja algum tempo a procura do livro usos e costumes dos tempos biblicos so nao consigo comprar pois nao encontro gostaria de saber se os irmao sabe onde eu consigo comprar nem que seja usado pois estou precisando muito ou ate mesmo pra eu baixar pela internet ou ate mesmo xerox espero um retorno dos irmao GERA.COSTAS@HOTMAIL.COM Geraldo rosa

danbrown19778254left a comment

gostei da defesa das traduções modérnas.. creio q é Deus querendo falar mais claramente ao homem pecador... agradeço ao irmão Renato..

RobertoSantiagoleft a comment

Com certeza é válida a idéia da reforma protestante de trazer a bíblia mais próximo do leitor comum. Acho que a maior questão é o perigo de adulteração do sentido original que toda tradução traz, pois passa pela visão de mundo (nem sempre correta) do tradutor, e equívocos podem surgir. Mas nem todo mundo tem paciência para aprender hebraico, aramaico e grego clássico, o jeito é tentar achar uma versão que mais agrade. Quanto às versões mais atuais, tenho um pouquinho de fundamentalista em mim, pois gosto mais da João Ferreira de Almeida Revista e Atualizada que essas do tipo na "linguagem de hoje". Mas é só minha opinião pessoal. :)