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A raça africana e os seus costumes na Bahia

A raça africana e os seus costumes na Bahia

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Published by Sabrina Gledhill
A apresentação do opúsculo da autoria de Manuel Querino
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05/23/2013

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A RAÇA AFRICANA E OS SEUS COSTUMES NA BAHIAManuel Querino[Introdução]
Como pesquisa etnográfica,nenhuma das levas colonizadorasmerece-nos mais atenção do que asimportadas da Costa d’África e sua prole”.
Mello Moraes Filho –
Tradiçoes doBrasil 
Há mais de meio século, o sábio beneditino, Fr. Camilo de Montserrat,estranhando o pouco apreço e a nenhuma importância em que eramtidos os estudos referentes aos usos e costumes dos africanos, entrenós, traçou aos escritores brasileiros o seguinte roteiro, apenas iniciadopelo malogrado professor Nina Rodrigues: “Conviria muito, pois, antesda extinção completa da raça africana, no Brasil, e, sobretudo, antesque desapareçam as variedades mais interessantes e menosvulgarmente conhecidas, apanhar dos próprios indivíduos, que asrepresentam, informações que dentro de pouco tempo será impossívelou pelo menos muito difícil de obter. Há, entre os negros transportadosda África, indivíduos oriundos de regiões do interior do continente, atéonde nenhum viajante conseguiu ainda ir, e que o se achammencionados em nenhuma relação publicada. Pode-se ainda distinguir eestudar os tipos diversos, constatar-lhes autenticamente a origem,interrogar os indivíduos sobre suas crenças, suas línguas, seus usos ecostumes, e recolher assim da própria boca dos negros, tanto maisfacilmente quanto é certo que eles falam a língua comum, informaçõesque os viajantes só a muito custo obtêm, correndo grandes riscos emcustosas expedições e ainda sujeitos aos mais graves erros”.
1
1 Rocha Pombo – 
 História do Brasil 
– Volume 2.
 
Não nos propomos a empreender um trabalho nos moldes indicados peloilustrado monge; entre outros motivos, por nos faltarem os requisitosindispensáveis a um estudo psicológico das tribos que por largos anosconviveram entre nós, e, sobretudo, porque se extinguiram,precisamente, os africanos que, sendo aqui escravizados, ocuparam, naterra natal, posição social elevada, como guia dos destinos da tribo, oucomo depositários dos segredos da seita religiosa.Assim, este nosso trabalho é apenas um esboço, uma como tentativa.Apesar da reserva, rigorosamente mantida pelos africanos, com relaçãoàs suas práticas feiticistas, conseguimos colher, nas melhores fontes,seguras informões acerca da religo das tribos que aqui seextinguiram.Tanto quanto nos foi possível penetrar os misteriosos recessos do ritoafricano, vencendo resistências oriundas da prevenção e dadesconfiança, acreditamos haver aprendido as principais cerimônias queformam o corpo da seita.Apreciando-se devidamente o coeficiente da contribuão da raçaafricana no caldeamento da população brasileira, não é para desprezar oestudo dos usos e costumes da mesma raça, aqui introduzidos e atécerto ponto conservados, deliberamo-nos a escrever a presentemonografia, no empenho exclusivo de prestar diminuto e desinteressadoserviço às letras pátrias.o presumimos ter produzido um trabalho de nota; mas estamosconvencidos de que não é ele inteiramente destituído de valor.O que podemos asseverar é que nos custou muito esforço e atividade,afim de que o resultado de nossas pesquisas tivesse o selo da verdadeincontroversa, característica que é dos empreendimentos destanatureza.As nossas investigões compreenderam os próprios africanos eestenderam-se aos seus descendentes mais diretos, indiduos
 
sabedores das práticas religiosas dos ascendentes.Incontestavelmente, o feiticismo africano exerceu notória influência emnossos costumes; e nos daremos por bem pago se o reduzido materialque reunimos puder contribuir para o estudo da psicose nacional noindivíduo e na sociedade.
E, aproveitando o ensejo, deixamos aquconsignado o nosso protesto contra o modo desdenhoso e injusto por que se procura deprimir o africano, acoimando-o constantemente deboçal e rude, como qualidade congênita e o simples condãocircunstancial, comum, aliás, a todas as raças não evoluídas.
2
[grifonosso]
Não. Primitivamente, todos os povos foram passíveis dessa boçalidade eestiverem subjugados à tirania da escravidão, criada pela opressão doforte sobre o fraco.
[grifo nosso]Entre nós, o elemento português fez do africano e sua descendência amáquina inconsciente do trabalho, um instrumento de produção, semretribuir-lhe o esforço, antes torturando-o com toda a sorte de vexames.Quem desconhece, por ventura, o presgio do grande cidaoamericano Booker Washington, o educador erito, o oradorconsumado, o sábio, o mais genuíno representante da raça negra naUnião Americana?A luta que nobremente sustentou, no Brasil, o elemento africano, comheroísmo inigualável, em favor de sua liberdade, mereceu de ilustreescritor patrício estes memoráveis conceitos:
“Quem havia de pensar que estes homens sem instrução, mas só guiados pela observação e pela liberdade, foram os primeiros que no Brasil fundaram umarepública, quando é certo que ainda naquele tempo, não se conhecia tal forma de governo, nem dela se falava no país?”.
3
 
[grifo nosso]
2 Nota-se como, já no seu tempo, Manuel Querino se insurgira contra o preconceito de inferioridadeantropológica do Negro, atribuindo o seu atraso a contingências socio-culturais, e não a inferioridade de raça(Artur Ramos)3 Rocha Pombo – 
 História do Brasil.
Aqui, Querino se refere ao Quilombo dos Palmares (S.G.).

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Giovanna Vieira added this note|
ADOREI ESSE SITE, VCS QUE VÃO LER VÃO ADORAAAAAAAAAAA...ESPERO QUE GOSTEN
Giovanna Vieira added this note|
ADOREIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII
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