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Voto de confiança aos jovens jornalistas

Voto de confiança aos jovens jornalistas

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07/12/2013

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 Link: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=575DAC001Via Clube de Jornalistas - http://www.clubedejornalistas.pt/?p=1865AOS FORMANDOSVoto de confiança aos jovens jornalistasPor Eugênio Bucci em 2/2/2010
Em janeiro estive numa cerimônia de formatura de alunos da Uniara, em Araraquara(SP). Fui patrono dos formandos em jornalismo. Como professor (leciono noDepartamento de Jornalismo e Editoração da ECA-USP), tenho convivido com asincertezas das novas gerações em relação ao futuro do nosso ofício. É um assunto queme preocupa, evidentemente. Não raro, noto que os jovens são bombardeados com osdesencantos da minha geração, sobre os quais eles não têm nem poderiam ter nenhumaresponsabilidade. Penso que não temos o direito de desiludi-los em nome das derrotasque podemos ter sofrido. A profissão de jornalista é essencial à democracia, comosempre foi e deve continuar a ser. É uma escolha mais que digna: encantadora eapaixonante. Por isso, tomo aqui a liberdade de compartilhar com os leitores deste
Observatório
as palavras que levei aos formandos de Araraquara. Talvez seja dointeresse dos que freqüentam este site. Principalmente dos que estão agora iniciando suavida profissional.
(E.B.)
 
Vocês fazem a colação de grau em meio a uma temporada de discursos pessimistas.Virou um chavão afirmar que o ofício de jornalista caiu em desprestígio porque odiploma obrigatório foi abolido. Outro lugar-comum, que traz o mesmo sinal denegatividade, é os diagnósticos que acusam o mercado de vilipendiar a função públicade informar a sociedade. O humor geral se deprimiu a tal ponto que temos a sensação deque os formandos em jornalismo recebem saudações como as que são dadas aossoldados que partem para a guerra. É como se um futuro de fatalidades e injustiças osaguardasse. É como se a sobrevivência fosse o melhor que cada um pudesse almejar.Claro que todas essas contingências têm o seu peso e devem ser consideradas. Eumesmo vou dizer algumas coisas sobre elas, mais adiante. Mas, antes, é precisoassinalar que esses problemas estão longe de ser o que mais importa. Venho aqui hoje
 
com outro tipo de mensagem. Venho lhes trazer confiança. Não por acreditar que vocêsprecisem de motivações artificiais; trago confiança porque estou convencido,tranquilamente convencido, de que a escolha que vocês fizeram é promissora, ésocialmente necessária; e poderá presenteá-los com boas emoções, com reconhecimentopúblico e com episódios de sucesso que confirmarão, muitas vezes, que vocês fizeram aescolha certa.Para ter uma noção inicial do que quero dizer, pensem no sabor da conquista que vocêscomemoram hoje. Pensem no significado desta nossa reunião. Vocês têm hoje todas asrazões para celebrar, para ter orgulho de si mesmos. O sentimento que vocêsexperimentam hoje é desses que a gente festeja em alto estilo – e que depois guardacomo uma pequena centelha, sempre acesa, para o resto da vida. É uma chama que semantém ao longo dos anos e, se mais adiante vierem tempos sombrios, ela terá o domde nos guiar em noites de incerteza.Os momentos de justa realização são assim: eles ficam em nós e, depois, quandorememorados, vêm reafirmar a nossa vocação primordial, aquilo que nos dá a razão deestar neste mundo. Eles perduram. Depende de nós, e apenas de nós, permitir que elesiluminem as jornadas que ainda trilharemos. Por isso eu faço votos de que vocês, nofuturo, revivam esta cerimónia como fonte de inspiração.
Linha reta
Meditemos com serenidade e abertura de espírito sobre o esta data. O que há de tãoespecial nesta noite? Por que ela é tão representativa na biografia de vocês?Deixemos de lado aquilo que é mera pompa e, às vezes, um protocolo vazio. Pensemossobre o significado profundo dos rituais. Eles existem para marcar uma passagem.Como se fossem um nó na imensa rede do tempo, unem o período que já foi ao períodoque ainda virá. Um ritual de verdade, que vivenciamos não apenas como umaconvenção de etiqueta, mas com engajamento emocional autêntico, partilhadocoletivamente, tece um elo entre o que é matéria, ou seja, aquilo que podemos ver outocar, e o que é intangível, inacessível aos sentidos primários. Para alguns, maismísticos, o ritual é uma transubstanciação, capaz mesmo de lançar um fio que, por uminstante fugaz, une céus e terra.Eu, que mal conheço a terra e que jamais visitei o céu, a não ser o céu dos deleitesmundanos, e mesmo assim de modo efêmero, não posso garantir que isso seja fato. Masafirmo, com segurança, que um ritual vem sublinhar certas frases na história das nossasvidas. Um ritual simboliza e dá luminosidade ao início de novas etapas da nossaexistência social. É por isso que as pessoas se casam em festas cheias de convidados:para indicar, perante os demais, que a partir daquele instante elas estão casadas e quedebandaram oficialmente do mundo dos solteiros. Aliás, é também por isso que existemas memoráveis despedidas de solteiro: são rituais boêmios que assinalam a mudança deestado do cidadão. Ou cidadã. A mesma função aparece nos batizados dos recém-
 
nascidos e dos convertidos, e até nas multidões que soltam foguete quando seu time écampeão.Rituais atualizam o estatuto social de cada um de nós. Comunicam o nosso ingresso nasociedade, a nossa progressão, a nossa despedida definitiva – daí as cerimônias fúnebrespor meio das quais nós prestamos homenagens aos mortos. Sem rituais, não haveriavida em sociedade. Sem eles, não haveria existência simbólica.Portanto, vamos nos esmerar no nosso ritual de hoje. Como todos os outros, estetambém promove um vínculo entre o tempo que foi e o tempo que virá, marcando assimum deslocamento que não poderia passar em branco. Não poderia passar a seco. Nestanoite, os meninos e as meninas que vocês foram se fundem aos homens e mulheresmaduros que vocês serão. Entre o menino e o homem, entre a menina e a mulher, há deser traçada uma linha reta, reta no exato sentido de retidão. Sobre essa reta vai sesustentar, no curso das décadas, a construção de seres humanos íntegros – íntegrosporque inteiros e íntegros também porque unos, indivisíveis no seu núcleo. Sobre essealicerce em forma de linha reta, o que havia de mais precioso nos sonhos juvenis devocês vai conviver com o que haverá de mais honroso na vida produtiva que vocês têmpela frente. Que seja uma convivência harmoniosa e produtiva.
Cicatriz da guerra
Um ritual também oficializa um pacto. Hoje, os jovens sonhadores que vocêscertamente ainda são apresentam um termo de compromisso aos adultos em que vocêsvão se transformar. A versão adulta de vocês é chamada a continuar, é chamada apersistir, traduzindo sonhos em projetos e, depois, projetos em trabalho.É nesse sentido que dizem que somos todos herdeiros das crianças e dos adolescentesque fomos. Somos produtos do que fomos no passado. Vocês são produto daquilo quesonharam, assim como são rascunho do que ainda os espera. Estejam a altura disso.Falo aqui de uma idéia recorrente, que aparece, por exemplo, em Machado de Assis,quando ele anota que "o menino é pai do homem" [trata-se do título do capítulo XI de
 Memórias Póstumas de Brás Cubas
]. Mas, embora antiga, essa idéia é negligenciada emnoites como esta, como se não passasse de uma frase de efeito. Acho uma pena. Eu,particularmente, gosto dessa expressão: "o menino é pai do homem". Não costumoentendê-la como se fosse uma determinação, algo dado e que não admite renegociações.Não é assim. O homem não é definido de forma acabada pelo menino que ele foi.O futuro é uma página em branco, ou, melhor, uma página cheia de surpresas. Mesmoassim, o homem sempre será chamado a prestar contas ao menino que ele foi. Não comoquem obedece às birras de uma criança, mas como quem deve saber cuidar dasaspirações que a criança – e, depois, o adolescente – transmitiu a ele, um dia, numritual, mesmo que seja um ritual particular, silencioso. Assim é que, cedo ou tarde,

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