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Fotografia jornalística e mídia impressa: formas de apreensão

Fotografia jornalística e mídia impressa: formas de apreensão

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Published by Frederico Tavares
TAVARES, F. M. B. ; VAZ, P. B. F. . Fotografia jornalística e mídia impressa: formas de apreensão. Revista FAMECOS, Porto Alegre, v. ., n. 27, p. 125-138, 2005.
TAVARES, F. M. B. ; VAZ, P. B. F. . Fotografia jornalística e mídia impressa: formas de apreensão. Revista FAMECOS, Porto Alegre, v. ., n. 27, p. 125-138, 2005.

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 Revista FAMECOS • Porto Alegre nº 27 • agosto 2005 • quadrimestral
 JORNALISMO
Fotografiajornalística emídia impressa:formas deapreensão
RESUMO
Este texto busca atentar para a importância do fotojor-nalismo enquanto forma de representação visual na mídiaimpressa na atualidade. Mais especificamente, procura-sepensar o papel da relação fotografia-jornalismo nos proces-sos de construção de sentido existentes nos veículos impres-sos jornalísticos de grande circulação. Neste percurso sãoexplorados alguns aspectos e características da linguagemfotojornalística, bem como sua inserção no contextomidiático e social.
 ABSTRACT
This article underlines the importance of photojournalismas a form of visual representation on daily newspapers.More specifically, it considers what role the relationshipbetween photography and journalism has in the processesof meaning production in newspapers of wide circulation.With this purpose in mind, we will explore some of theaspects and characteristics of the photojournalisticlanguage, as well as its insertion in the media and in thesocial context.
PALAVRAS-CHAVE (
KEY WORDS 
)
- Fotojornalismo (
 photojournalism
)- Mídia Impressa (
 printed media
)- Jornal Diário (
daily newspaper 
)
Frederico de Mello Brandão Tavares&Paulo Bernardo Ferreira Vaz
GRIS/UFMG
N
A
 
MÍDIA
 
IMPRESSA
em geral, atualmente, afotografia é a forma de representação visu-al mais utilizada. Para além dos recursosgráficos (
layout 
, tipografia, cores etc.), a fo-tografia salta aos nossos olhos como men-sagem, como texto visualmente relevante ecarregado de sentido. A fotografia não estáali por acaso. Ela tem uma função, apareceem um formato, possui uma intenção. Aprópria maneira como está impressa resul-ta de uma série de negociações – às vezestensas e conflituosas – que envolvem umcomplexo processo de produção editorial.No mercado da mídia impressa – e noseu alcance dentro da sociedade – desta-cam-se os veículos jornalísticos. Um rol derevistas e jornais povoa as bancas, além dese tornarem disponíveis em espaços públi-cos e privados. Em muitos formatos, ende-reçados a blicos distintos, jornais e revis-tas têm funções e objetivos informacionaisdiferentes, o que pesa no seu processo pro-dutivo, nas mensagens (no conteúdo deseus produtos finais), na sua periodicida-de, no seu valor. Diante deste contexto, ésempre bom lembrar das várias faces que arealidade que nos cerca pode assumir. Emcada veículo de comunicação há uma pro-posta de leitura sobre o mundo, sobre umaspecto dele. Em cada publicação há umaespécie de construção própria da realida-de. Olhando jornalisticamente para esteuniverso pode-se dizer: em cada um dessesveículos há uma tentativa de se circunscre-ver o real, às vezes buscando dar conta deseu todo – como o fazem (ou tentam fazer)os jornais diários – ou de algum de seusaspectos (caso das revistas especializadas,por exemplo). Desta forma, compete ao lei-tor olhar para cada um destes veículos di-
 
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mensionando suas várias facetas, procuran-do entender a conexão existente entre a(s)realidade(s) da vida cotidiana e as leiturasou as imagens construídas sobre ela(s) nos jornais e revistas que tem sob os olhos.De alguma maneira, os meios de co-municação moldam o horizonte de conheci-mento do leitor sobre um determinado nú-mero de realidades, sejam elas realidadesatuais ou do passado – e até mesmo, “reali-dades do futuro”, ainda inexistentes. Aoressaltar a presença e o papel da mídia navida cotidiana, construindo experiência eapreendendo sentidos sobre o mundo, Ro-ger Silverstone diz: “Nossa mídia é onipre-sente, diária, uma dimensão essencial denossa experiência contemporânea. É im-possível escapar à presença, à representa-ção da mídia” (SILVERSTONE, 2002, p.12)
1
. Para o autor, na atualidade, a mídiasitua o homem no mundo e dimensionasuas experiências. Seu papel na vida cotidi-ana é de grande relevância e daí a impor-tância de se pensar o que a mídia faz e oque pode o leitor fazer com ela.Como no Brasil a presença midiáticase dá de forma mais forte na vida dos cida-dãos através da televisão, não se podecomparar o alcance de um canal televisivocom o de um jornal impresso. Mesmo setratando do jornal de maior circulação nopaís, o seu número de leitores é infinita-mente inferior ao de telespectadores. Essasituação, entretanto, não torna menos rele-vante a grande importância da atuação damídia impressa. Como um jornal, por me-nor que seja a sua tiragem, é distribuídoem milhares de exemplares, e como é sabi-do que se multiplicam (por quatro) o nú-mero de leitores de cada jornal em circula-ção, pode-se falar então da relevância desua representatividade, de sua penetraçãona sociedade e das possíveis conseqüênci-as de seu processo de leitura.Assim, o interesse em estudar a mídiaimpressa nos coloca o desafio de pensar osveículos jornalísticos diários, cuja repre-sentatividade deve ser sempre relevada,mesmo que em um cenário comparativocom outras mídias. Além disso, deve-se di-mensionar o que há de específico e caracte-rístico nestes produtos: o que dizem, o querepresentam e o que constroem na vida co-tidiana, pois nela estão inseridos, tornan-do-a mais complexa.Destacando a fotografia nesses veícu-los, devem ser relembradas as palavras deSusan Sontag: “[...] a importância da ima-gem fotográfica como o meio através doqual um número cada vez maior de even-tos penetra nossa experiência é, finalmente,apenas um produto paralelo da sua capaci-dade de propiciar-nos conhecimentos dis-sociados da experiência e independentesdela” (SONTAG, 1981, p. 150). Para a auto-ra, a fotografia redefine o conteúdo de nos-sa experiência cotidiana e acrescenta vastasquantidades de material (pessoas, coisas,eventos etc.) que jamais chegamos a ver oupresenciar. As palavras de Sontag nos re-metem para uma função importante do fo-tojornalismo. Nesse sentido, no jornal, asimagens funcionam como ponte entre oacontecimento e o leitor, permitindo a esseimaginar o cenário e de alguma forma aação que ali ocorre.A pensar nesse caráter da fotografia,deve-se ter em mente as formas como a fotose presentifica em nossa vida e como suasespecificidades são determinantes. Mascomo classificar as fotografias na amplagama de imagens fotográficas espalhadaspelas revistas e jornais impressos? O quehá nelas de específico? Como tais especifi-cidades se apresentam na construção desentido realizada por estas imagens? Se forfeita uma espécie de radiografia de todasas fotografias presentes nessas mídiaspode-se, a princípio, criar uma divisão bi-polar. De um lado estariam todas as foto-grafias jornalísticas, ligadas aos textos (ma-térias, reportagens, colunas) e do outro, asfotografias publicitárias, presentes nosanúncios destes veículos. Feita essa separa-ção, fica claro que ao se referir a fotojorna-lismo, fala-se de um determinado tipo defotografias. Este trabalho quer pensar estacategoria fotográfica, além de procurar
 
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suas especificidades e sua relação com ocontexto para o qual ela se volta e para otipo de construção da realidade por ela rea-lizada.Jorge Pedro Sousa busca definir o queseria o fotojornalismo. Para o autor, tal de-finição é complexa, uma vez que há umamultiplicidade de fotógrafos que se “cla-mam” como pertencentes ao setor, mesmoque seu trabalho não tenha convergênciascom o fazer temático, técnico e com pontosde vista jornalísticos presentes na grandemaioria das fotografias jornalísticas. “Emesmo quando se fala do fotojornalismocomo atividade orientada para a produçãode fotografias para a imprensa, repara-seque vários fotógrafos que se reclamamigualmente jornalistas apostam noutros su-portes de difusão.” (SOUSA, 2000, p. 11)Devido a essa complexidade de classifica-ção e definição, o autor propõe abordar oconceito de fotojornalismo num sentidoamplo e num sentido restrito, lembrandoque “[...] em qualquer caso, para se abordaro fotojornalismo tem-se que pensar numacombinação de palavras e imagens” (SOU-SA, 2000, p. 11-12), sendo que as primeirasdevem contextualizar e complementar assegundas.Seguindo, portanto, com a proposiçãode Sousa, o fotojornalismo seria, em umsentido mais amplo, uma atividade “de re-alização de fotografias informativas, inter-pretativas, documentais ou ‘ilustrativas’para a imprensa ou projetos editoriais liga-dos à produção de informação de atualida-de” (SOUSA, 2000, p. 12). Por isso, há umaproeminência da intenção, da finalidade enão do produto. O autor inclui aqui as fo-tos documentais (fotodocumentarismo),ilustrativas (fotos de divulgação, por exem-plo) e dois outros tipos fotográficos que eleassim denomina (SOUSA, 2000, p. 12):
spot news
(fotografias únicas que condensamuma representação de um acontecimento eo significado deste) e
 feature photos
(fotogra-fias de situações peculiares encontradas es-pontaneamente pelos fotógrafos). Já emsentido mais restrito, Sousa aponta o foto- jornalismo como atividade que “[...] podevisar informar, contextualizar, oferecer co-nhecimento, formar, esclarecer ou marcarpontos de vista (‘opinar’) através da foto-grafia de acontecimentos e da cobertura deassuntos de interesse jornalístico”
2
(SOU-SA, 2000, p. 12).Conceitualmente, as diferenças entreas definições sobre o fotojornalismo são tê-nues. O que talvez marque mais precisa-mente o caráter das fotografias jornalísticassão o imediatismo e o inesperado, presen-tes no dia-a-dia do repórter fotográfico. Di-ferentemente de um fotodocumentarista, ofotojornalista não dispõe para o seu traba-lho de um longo tempo de preparação eelaboração
3
. Há uma certa urgência na pro-dução fotográfica e em seus resultados. As-sim, em meio aos vários tipos de fotos jor-nalísticas e as suas classificações possíveis,este trabalho se volta para o fotojornalismodos grandes jornais diários e procura o ca-ráter testemunhal e informacional da foto-grafia, sem abrir mão de pensar o significa-do desta em relação à notícia (texto) e comonotícia (ela própria)
4
.A discussão sobre o caráter fotojorna-lístico da fotografia coloca em evidência al-gumas noções como informação, notícia,acontecimento. Nas reflexões de RolandBarthes (1984) sobre o
studium
fotográfico eo papel do
Operator 
e do
Spectator 
em rela-ção a ele, a fotografia assume uma série defunções tais como: representar, surpreen-der, dar significação, provocar desejo. A es-tes atributos, poderiam ser acrescentados:documentar, testemunhar, comunicar. Noentanto, entremeando estas designações,encontra-se uma função, talvez a mais im-portante, das imagens fotográficas: a de for-necer informações. Segundo Susan Sontag(1981), o valor fotográfico se dá a partirdeste atributo: “A fotografia é valorizadaporque nos fornece informações” (SON-TAG, 1981, p. 21). Roland Barthes (1984,1990) também trabalha com esta idéia, as-sim como Jorge Pedro Sousa (2000, 2004
5
),Lorenzo Vilches (1983, 1993), Adriano Du-arte Rodrigues (1994) e outros autores. Des-

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