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 Parecer doMais Vida Mais Famíliaacerca do casamento entre pessoas do mesmo sexo
Lisboa, 3 de Fevereiro de 2010
 
 
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Índice
1. Uma intenção acertada, mas desfasada da realidade..........................................................................3
 
2. Esta proposta de lei não ajuda as pessoas com orientação homossexual mas, tentando fazê-lo,prejudica toda a sociedade.........................................................................................................................4
 
3. O casamento é para quem funda uma família, não para os relacionamentos homossexuais......5
 
4. O Direito democrático e o respeito pela privacidade........................................................................5
 
5. As relações com relevância pública e as relações meramente privadas..........................................6
 
6. A confusão entre «discriminações» e «requisitos»..............................................................................7
 
7. A distorção do conceito constitucional de igualdade........................................................................8
 
8. A inconstitucionalidade do projecto de lei actualmente em estudo na Assembleia da República.......................................................................................................................................................................8
 
9. Os requisitos peculiares do casamento não podem ser alterados sem se deformarcompletamente essa figura jurídica (e isso é inconstitucional).............................................................9
 
10. O conteúdo jurídico do casamento..................................................................................................10
 
11. A importância social do casamento.................................................................................................11
 
12. A irrelevância social do casamento de pessoas do mesmo sexo..................................................12
 
13. A «conjugalidade» e a «parentalidade».............................................................................................13
 
14. O que fica do casamento, depois desta reconfiguração completa?.............................................14
 
15. A adopção por parte de pares homossexuais.................................................................................14
 
16. A legitimidade do Parlamento é limitada, derivada e provisória.................................................16
 
17. As questões morais também se referendam?..................................................................................17
 
18. Defender a família é defender a liberdade......................................................................................17
 
19. Conclusões...........................................................................................................................................19
 
 
 
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1. Uma intenção acertada, mas desfasada da realidade
Pelo valor que atribuímos aos direitos da pessoa humana estamos em natural sintonia comalgumas das intenções expressas por vários Deputados a propósito da orientação homossexual.No entanto, as propostas legislativas actualmente em estudo não correspondem a essas preocu-pações generosas nem enfrentam os verdadeiros problemas do País em matéria de direitoshumanos. São soluções improvisadas e pouco acertadas.Procurar que todos tratem educadamente as pessoas com orientação sexual é um bom propósito.Nem toda a população portuguesa é incorrecta para com eles, nem os homossexuais são asúnicas vítimas da falta de cortesia, mas tudo o que contribua para melhorar a qualidade dasrelações humanas tem o nosso apoio incondicional.
Quem discrimina sistematicamente os homossexuais?
O Mais Vida Mais Família acompanha com particular atenção tudo o que diz respeito àdignidade da vida humana. Ora, ao longo de todos os seus anos de actividade, não nos constou aexistência de ofensivas organizadas ou sistemáticas contra pessoas de orientação homossexual.Nem temos conhecimento de nenhum grupo apostado em as prejudicar. Em ambientesmarginais, registou-se algum caso de polícia, imediatamente resolvido pelos agentes de auto-ridade e correctamente tratado nos Tribunais. Na Comunicação Social não parece haveragressividade, nem sequer um tom jocoso, contra os homossexuais.
Pelo contrário, há um comedimento generalizado, que contrasta com a frontalidade e irreverência com que são tratados todos os outros sectores da sociedade, as personalidades públicas e, de uma forma particularmente agressiva, a condição feminina, por vezes ao nível de uma mercadoria
.É sintomático que o próprio nome da mais conhecida organização de activismo homossexual(Opus Gay) seja uma provocação gratuita (a uma instituição da Igreja Católica, o Opus Dei), aopasso que jamais uma entidade religiosa, algum grupo político, artístico ou social tenha sidoincorrecto, no nome ou nas tomadas de posição, para com aqueles que têm tendênciahomossexual. As caricaturas a zombar com padres, bispos e freiras são imagem de marca de todas asmanifestações
 gay 
, mas não há memória de uma procissão ou de uma manifestação pública quetenha tratado os
 gays 
no mesmo tom.Em contrapartida, temos conhecimento de
um número crescente de homossexuais perseguidos por procurarem ajuda
. Há cada vez mais pessoas prejudicadas na vida profissional e no respeitoque merecem, injustamente discriminadas por dirigentes de organizações
 gay 
, como se fossemtraidores da causa. Não nos referimos à expressão legítima de opiniões, estamos a falar de abusosde poder e de ataques pessoais. Tais faltas de civismo também já atingem aqueles que, de umaforma ou de outra, prestam ajuda aos homossexuais.Seja ou não por controlo ideológico intencional, há nos principais Meios de Comunicação umsufoco apertado à liberdade de expressão a ponto de que, neste momento, é muito difícildiscordar dos actos homossexuais, quase não há espaço para apresentar argumentos e quem otenta sofre consequências. Muitos destemperos são conhecidos, de modo que não é razoável queo Parlamento continue indiferente ao que se passa.

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