Welcome to Scribd, the world's digital library. Read, publish, and share books and documents. See more
Download
Standard view
Full view
of .
Save to My Library
Look up keyword or section
Like this
76Activity

Table Of Contents

0 of .
Results for:
No results containing your search query
P. 1
Zelia Gattai - Anarquistas Graças a Deus

Zelia Gattai - Anarquistas Graças a Deus

Ratings:

4.47

(15)
|Views: 69,048|Likes:
Published by Ricardo

More info:

Published by: Ricardo on Apr 27, 2008
Copyright:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as DOC, PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

10/21/2013

pdf

text

original

 
http://groups.google.com.br/group/digitalsourceEu nasci assimEu cresci assimEu sou mesmo assimVou ser sempre assim...
 
Dorival Caymmi ("Modinha de Gabriela")
 Para Jorge, minhas memórias de infância, com amor. Para dona Angelina e seu Ernesto, meus, pais, toda a saudade contida nestasrecordações. Para meus irmãos, Remo, Wanda, Vera e Tito, que estão e não me deixam mentir. Para meus filhos, Luiz Carlos, João Jorge e Paloma, algumas histórias de um tempo passado. Para Misette Nadreau, Janaina e Luiz Carlos Batista de Figueiredo e Antônio Celestino, que meincentivaram a escrever estas páginas.
ALAMEDA SANTOS NUMERO 8
Num casarão antigo, situado na Alameda Santos número 8, nasci, cresci epassei parte de minha adolescência.Ernesto Gattai, meu pai, alugara a casa por volta de 1910, casa espaçosa, porémdesprovida de conforto. Teve muita sorte de encontrá-la, era exatamente o que procurava:residência ampla para a família em crescimento e, o mais importante, o fundamental, oque sobretudo lhe convinha era o enorme barracão ao lado, uma velha cocheira, ligada àcasa, com entrada para duas ruas: Alameda Santos e Rua da Consolação. Ali instalaria suaprimeira oficina mecânica. Impossível melhor localização!
 
Para quem vem do centro da cidade, a Alameda Santos é a primeira rua paralelaà Avenida Paulista, onde residiam, na época, os ricaços, os graúdos, na maioria novos-ricos.Da Praça Olavo Bilac até o Largo do Parso, era aquele desparrame deostentação! Palacetes rodeados de parques e jardins, construídos, em geral, de acordocom a nacionalidade do proprietário: os de estilo mourisco, em sua maioria, pertenciam aárabes, claro! Os de varandas de altas colunas, que imitavam os "palázzos" romanosantigos, denunciavam — logicamente — moradores italianos. Não era, pois, difícil, pelafachada da casa, identificar a nacionalidade do dono.O proprietário do imóvel que meu pai alugou era um velho italiano, do Sul daItália, Rocco Andretta, conhecido por seu Roque e ainda, para os mais íntimos, por tzi Ró(tio Roque). Dono de uma frota de carroças e burros para transportes em geral, foraintimado pela Prefeitura a retirar seus animais dali; aquele bairro tornava-se elegante, jánão comportava cocheiras e moscas. O velho Rocco fizera imposições ao candidato:reforma e limpeza do barracão, pinturas e consertos da casa por conta do inquilino.Dona Angelina, minha e, assustou-se: gastariam muito dinheiro, umverdadeiro absurdo! Onde já se vira uma coisa daquelas? Velho explorador! Por que omarido não comprava um terreno em vez de gastar as magras economias em reformas decasa alheia? E o aluguel? Uma exorbitância! Como arranjar tanto dinheiro todos os meses?Onde? Como? Mas ela sabia que não adiantava discutir com o marido. Considerava-oteimoso e atrevido.O vocabulário de dona Angelina era reduzido — tanto em português como emitaliano, sua língua natal —, não sabia expressar-se corretamente; por isso deixava deempregar, muitas vezes, a palavra justa, adequada para cada situação. Usava o termo"atrevimento" para tudo: coragem, aucia, hersmo, destemor, obstinão,irresponsabilidade e' atrevimento mesmo. Somente conhecendo-a bem se poderiainterpretar seu pensamento, saber de sua intenção, se elogiava ou ofendia. No caso dareforma em casa alheia, não havia a menor dúvida, ela queria mesmo desabafar, chamaro marido de irresponsável: "...um atrevido é o que ele é!" Disse e repetiu.
O ATREVIDO COMPRA UM CARRO “ MOTOBLOC"
 Havia pouco, quando da compra do "Motobloc", mamãe não lutara também?Emburrara, discutira. Adiantara alguma coisa? Tinha três filhos para sustentar, como iacomprar um carro amassado? Papai não se abalou com os argumentos da mulher, comseus emburros, não lhe deu atenção, não era louco de perder aquela oportunidade única.O proprietário do "Motobloc" em questão andava desacorçoado, às voltas com ascomplicações do automóvel — comprado num momento de animação e insensatez — que

Activity (76)

You've already reviewed this. Edit your review.
1 thousand reads
1 hundred reads
Amauri Ed liked this
luiza_moretti liked this
lulgomes liked this
Willian Lucas liked this
Pedro Andrade liked this
marielenabr liked this

You're Reading a Free Preview

Download
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->