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NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECIAIS DA IDENTIFICAÇÃO À

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NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECIAIS: DA IDENTIFICAÇÃO ÀINTERVENÇÃOMaria Odete Emygdio da Silva
Falar de necessidades educativas especiais, comummente designadas como NEE, remete-nospara o Warnock Report, quando pela primeira vez surgiu esta designação, mas também para asdificuldades que subsistem ao conceito de “necessidade”, dada a sua amplitude, geradora deambiguidades.De acordo com aquele relatório, um aluno tem necessidades educativas especiais quando,comparativamente com os alunos da sua idade, apresenta dificuldades significativamentemaiores para aprender ou tem algum problema de ordem física, sensorial, intelectual, emocionalou social, ou uma combinação destas problemáticas, a que os meios educativos geralmenteexistentes nas escolas não conseguem responder, sendo necessário recorrer a currículos especiaisou a condições de aprendizagem adaptadas. As necessidades perspectivam-se, assim, comotemporárias ou prolongadas.Fundamentando-se neste documento, o Decreto Lei 319/91, de 23 de Agosto, em Portugal,introduziu pela primeira vez este conceito, o qual substituiu categorizações do foro clínico atéentão utilizadas.Numa perspectiva de inclusão, a Declaração de Salamanca, em 1994, engloba no conceito denecessidades educativas especiais, as deficiências, as dificuldades de aprendizagem e asobredotação, não esquecendo as crianças que trabalham e as crianças de rua, as que pertencem apopulações nómadas, a minorias étnicas ou culturais, a grupos desfavorecidos ou marginais.Em Portugal, os Decretos Lei 6/2001 e 7/2001, de 18 de Janeiro, por enquanto ainda em vigor,definem como NEE, a incapacidade ou incapacidades que se reflictam numa ou mais áreas derealização de aprendizagens, resultantes de deficiências de ordem sensorial, motora ou mental,de perturbações da fala e da linguagem, de perturbações graves da personalidade ou docomportamento ou graves problemas de saúde.Parece ser intenção do governo revogar os artigos destes Decretos que assim definem asnecessidades educativas especiais, bem como o DL 319/91, de 23 de Agosto, fazendo-ossubstituir por legislação que tem levantado alguma polémica. Relativamente ao conceito deNEE, segundo este documento, o mesmo fundamenta-se na Classificação Internacional daFuncionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF), da Organização Mundial de Saúde. Necessidadeseducativas especiais são, assim, aquelas que resultam de
“limitações significativas ao nível da actividade e da participação num ou váriosdomínios de vida, decorrentes de alterações funcionais e estruturais, de carácter 
 
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 permanente, resultando em dificuldades continuadas ao nível da comunicação,aprendizagem, mobilidade, autonomia, relacionamento interpessoal e participaçãosocial e dando lugar à mobilização de serviços especializados para promover o potencial de funcionamento biopsicossocial
.Esta pequena amostragem relativamente à definição deste conceito dá-nos ideia da suaabrangência e, consequentemente, da dificuldade no que diz respeito à sua identificação.Simeonsson (1994), ao caracterizá-las como NEE de baixa frequência e alta intensidade e NEEde alta frequência e baixa intensidade contribuiu para clarificar alguns aspectos.As primeiras correspondem às NEE de carácter prolongado ou “permanente”, como desde há unstempos começaram a ser designadas na legislação portuguesa, e comportam a deficiência visual,auditiva, motora, mental e o espectro do autismo. A sua etiologia é biológica, inata ou congénita,ainda que os problemas possam decorrer de factores ambientais. A identificação destes alunostende a ser feita pelos serviços de saúde e da segurança social, exigindo a sua inclusão particulararticulação e cooperação entre os diferentes actores e a existência de recursos apropriados à suaproblemática.As segundas correspondem às NEE de carácter temporário e abrangem problemas de saúde, desocialização, de comportamento e de aprendizagem.
“É este o grande grupo que aflige a escola e a que esta responde com medidas deeducação especial; no entanto, estes casos relevam sobretudo de uma educação dequalidade e diversificada e não de educação especial”.(Bairrão, 1998: 29-30)
Ou seja: os alunos com NEE da alta intensidade, em princípio, tendem a chegar ao jardim deinfância e à escola já sinalizados pelos serviços de saúde. Aqueles que têm NEE de baixaintensidade são os que oferecem maiores dificuldades, quer no que diz respeito à suaidentificação quer quanto à intervenção que a escola deve ter.Relativamente à identificação, a mesma está condicionada à amplitude do conceito de“necessidades”, como já referi, à experiência profissional dos professores, bem como ao contextoem que as dificuldades são percepcionadas. Definir o que é um bom aluno, um aluno médio, umaluno com dificuldades na aprendizagem e um aluno com dificuldades acima do que se consideraaceitável, é algo muito subjectivo, que está correlacionado com a experiência que se vai tendo aolongo da carreira e com o contexto em que a avaliação se processa. Os estudos sobre odesenvolvimento profissional dos professores dão-nos claramente a noção das diferentespreocupações que vão atravessando a carreira e do modo como se vai percepcionando aaprendizagem.
 
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Em 1998, Bairrão, numa investigação
 
que desenvolveu
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em Portugal, encontrou, a propósito dasmedidas implementadas com os alunos com NEE, que decorriam da aplicação do Decreto Lei319/91, de 23 de Agosto,
alunos com multideficiência que a escola dizia seguirem um currículo normal,alunos cegos com currículo alternativo, alunos com deficiência auditiva comcurrículo normal e alunos com dificuldades de aprendizagem ligeiras com currículoalternativo
”.
É evidente que esta situação tem alguns anos. No entanto, penso que retrata a dificuldade que aescola tem em identificar a natureza das problemáticas e, consequentemente, responder-lhes commedidas adequadas. Mesmo nos casos em que as crianças estão, à partida, sinalizadas, é difícil,para a generalidade dos professores, de acordo com o relato e os trabalhos de campo que mechegam dos formandos que tenho acompanhado ao longo dos anos, gerir as aprendizagens noconjunto do grupo-turma, como se deseja. O modelo clínico está ainda muito presente e, naausência de referentes seguros, envereda-se para respostas que, ao invés de incluírem, excluem,como é o caso da prática de se retirar o aluno da sua turma, durante o tempo lectivo, em nome deuma suposta compensação escolar, em pequeno grupo e, com muita frequência, individualmente.As atitudes relativamente à diferença, as áreas de aprendizagem que os professores privilegiam,as estratégias que utilizam, bem como o processo de avaliação que implementam, condicionam aidentificação de necessidades educativas especiais, relativamente às quais não podemos ter emconta, apenas, as características individuais dos alunos. As necessidades estão semprecorrelacionadas com o contexto social, educativo e pedagógico em que decorre o processoeducativo.Perante a mesma situação, duas pessoas vêem coisas diferentes e o que cada uma seleccionadepende muito da sua história pessoal e principalmente da sua bagagem cultural. A formação quevamos fazendo, o grupo social em que nos sentimos inseridos, as aptidões e predilecções quetemos, fazem com que a atenção se concentre em determinados aspectos da realidade, desviando-se de outros (Lüdke e André, 1986).No entanto, apesar de toda a complexidade de que se reveste e relativamente à qual devemosestar consciencializados, é necessário identificar dificuldades e perceber como as mesmas podematenuar-se ou, preferencialmente, ultrapassar-se. Nesse sentido, é importante, em primeiro lugar,que os professores reflictam sobre a prática que desenvolvem, procurando perceber se asdificuldades que alguns alunos evidenciam lhes são intrínsecas ou se decorrem da necessidade deter de reformulá-la. O desenvolvimento de hábitos de observação do grupo e dos alunos comdificuldades no contexto desse grupo, através do registo de incidentes significativos ou de
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IN “Os Alunos com Necessidades Educativas Especiais, Subsídios para o Sistema de Educação”. Lisboa: ConselhoNacional de Educação

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Nanivuazo Angelo Angelo added this note|
Nanivuazo Ângelo, é estudante universitário pelo ISCED/ LUANDA agradece pelo trabalho realizado a quanto da publiação deste conteudo sobre as Necessidades Educativas Especias(N.E.E), boa continuidade, o homem formado só é acabado quando consegue criar condições para contribuir na formação de outros...
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