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Inspectores da PJ avaliados pelonúmero de acusações
FILIPAAMBRÓSIODESOUSA
Até Outubro, o Governo apresenta propostaOs inspectores da Polícia Judiciária (PJ) vão passar a ter uma nova avaliação do seu desempenho, queterá como critério o número de acusações propostas ao Ministério Público, ou seja, as investigaçõesconcluídas. Esta nova avaliação está prevista no Sistema de Avaliação de Desempenho dos Serviços daAdministração Pública (SIADAP).Uma avaliação que poderá vir a ser feita com base no número de processos que, investigados pela PJ,tenham depois a acusação proferida pelo Ministério Público.No início de Março deste ano, no Parlamento, o ministro da Justiça, Alberto Costa, garantia,objectivamente, que o número de processos com acusação é o dado "mais relevante" para avaliar otrabalho da PJ, depois de o deputado do CDS/PP, Nuno Melo, ter apontado a "perda de eficácia" da PJ.O documento que prevê as linhas gerais deste novo regime de avaliação integrado, a que o DN teveacesso, avança que, até Outubro de 2008, o Governo vai apresentar, em forma de relatório escrito,uma proposta da nova avaliação na Judiciária. Sendo que uma das medidas concretas passa pormanter a estatística referente à taxa de processos com proposta de acusação, que não pode ser inferiorà verificada em 2007.Investigadores contraContactado pelo DN, o presidente da Associação dos Funcionários de Investigação Criminal (ASFIC),Carlos Anjos, considera que este regime geral tem de ser adaptado à realidade da investigação criminale que a PJ tem de ser avaliada em função da "qualidade e não da quantidade". E acrescenta: "Comopode a PJ ser avaliada em função das acusações que são feitas pelo Ministério Público, depois de sairdas mãos da polícia? A única coisa que a PJ pode fazer neste sentido são propostas de acusação."Uma ideia que foi igualmente criticada pelo Ministério Público: "A efectivar-se, parece-me questionávele preocupante", disse ao DN o presidente do Sindicato do Ministério Público (SMMP), António Cluny. Asrazões apresentadas são semelhantes às de Carlos Anjos: "Como pode a polícia ser avaliada em funçãodo número de acusações que são da responsabilidade do Ministério Público?" Cluny lembra que a PJ não"pode adivinhar o que o MP vai fazer com a sua investigação". Ou seja, se deduz acusação ou arquiva oprocesso.Actualmente, os inspectores são avaliados, de dois em dois anos, através de um número mínimo deacções de formação, de uma "nota" mínima de "Bom com distinção", para que sejam promovidos, oque só pode ocorrer também se no currículo não constar nenhum processo disciplinar.Neste momento, a Direcção Nacional da PJ está a preparar uma solução para levar ao gabinete deAlberto Costa, que, por seu turno, tem até Outubro de 2008 para levar ao Parlamento a proposta final .Em Abril de 2007, o director nacional assumia que a estrutura que dirige precisava de "maiorresponsabilização". Nas palavras de Alípio Ribeiro, na PJ "tem de haver uma avaliação mais exaustivado desempenho da polícia, indo de encontro ao que se está a fazer na administração pública". Comometas, Alípio Ribeiro foi claro: "Tenho como alvos as estruturas locais da PJ, que precisam de maisfôlego, maior funcionalidade, mais ambição e maior responsabilização." E concluía: "As estruturas locaistêm de estar menos acomodadas, precisamos de resultados."No documento, está também previsto que a PJ terá de desenvolver um sistema técnico que lhe permitasaber o que é que acontece aos processos enviados para o Ministério Público. Ou seja, a ideia é saber

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