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Sebenta DIP ( direito internacional PRIVADO)

Sebenta DIP ( direito internacional PRIVADO)

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Direito Internacional Privado – 5º Ano Aulas Teóricas – 
Dr.ª Helena Mota 
2004/2005 
DIREITO INTERNACIONAL PRIVADOINTRODUÇÃO
CAPÍTULO I
OBJECTO, FUNÇÃO E CONCEITO DO D.I.P
“O
D.I.P.
é o
ramo da ciência jurídica onde se definem os princípios, se formulam oscritérios, se estabelecem as normas a que deve obedecer a pesquisa de soluções adequadas paraos problemas emergentes das relações privadas de carácter internacional
. São essas relações,aquelas que entram em contacto, através dos seus elementos, com diferentes sistemas de direito. Sãorelações plurilocalizadas.
As sociedades civis organizadas em Estados
, bem ao invés de constituírem compartimentosestanques,
são estreitamente solidárias e interdependentes, e constantemente se estabelecem entreos seus membros as mais variadas modalidades de intercâmbio, quer no campo económico, querno cultural, quer na esfera dos actos atinentes à instituição da família.
Por toda a parte e a todo omomento, homens de todos os países e latitudes criam uns com os outros mil contactos e relações deautêntica vida em sociedade, juntando novas malhas à teia de um comércio jurídico internacionalsempre em crescimento.São
relações que encerram na sua estrutura elementos estrangeiros
. Dada a conexãoentre elas e várias ordens jurídicas, há uma solução que a simples intuição nos aponta como natural:
escolher dessas ordens jurídicas a que lhes seja mais próxima, a que tenha com elas o contactomais forte ou mais estreito: determinar qual seja a solução a seguir é justamente o problema que o D.I.P. se propõe a dar resposta
. Não seria decerto boa solução todos os factos e situações da vida jurídica internacional àautoridade do direito local.A
aplicação da lex fori materialis
 
a factos que lhe sejam estranhos, que não tenham comela qualquer conexão espacial, violaria ostensivamente um indiscutível princípio universal de direito
:aquele que nos diz que
a norma jurídica
, como norma reguladora de comportamentos humanos,
nãoé por sua natureza aplicável a condutas que se situem fora da sua esfera de eficácia, fora doalcance do seu preceito
, quer em razão do tempo (princípio da irretroactividade da lei) quer em razãodo lugar em que se verificaram.
O não acatamento deste princípio traria inevitavelmente consigo o
1
 
 perigo de ofensa de direitos adquiridos ou, quando menos, de expectativas legitimamente concebidas pelos interessados
. Não é directamente por atenção ao interesse e à soberania dos Estados que as suas leiscivis devem ser reconhecidas e aplicadas além fronteiras;
é, sim, fundamentalmente, por atenção aointeresse dos indivíduos
.
 Em D.I.P., são interesses relativos aos indivíduos, não aos Estados, querepresentam a dimensão preponderante, o principal critério e sentido das normas jurídicas
.
O princípio do reconhecimento e aplicação das leis estrangeiras, como princípio de direitointernacional positivo, é hoje um princípio de direito comum às nações civilizadas.
O D.I.P. procura formular os princípios e regras conducentes à determinação da lei ouleis aplicáveis às questões emergentes das relações privadas internacionais,
e bem assim
assegurar o reconhecimento no Estado do foro das situações jurídicas puramente internas, massituadas na órbita de um único sistema de direito estrangeiro
(situações relativamenteinternacionais).” (F.C.)Antes de mais convém esclarecer qual o
objecto do D.I.P.
, isto é, do que é que trata, quais assuas preocupações e métodos. É que a compreensão da matéria parte do entendimento de qual oobjecto do D.I.P.
O D.I.P. estuda as relações privadas internacionais,
aquelas situações de cariz privado(não público), inter-individuais, mas que são
dotadas de inter-nacionalidade
, ou, como também seusa,
estraneidade
(relações jurídicas plurilocalizadas).
O objecto principal do D.I.P. é a averiguaçãoda lei aplicável às relações privadas internacionais, com vista à determinação da disciplina jurídico-material reguladora de tais relações.
Temos como exemplos de casos que podem ser objecto de estudo pelo D.I.P. v.g. umcasamento ou uma convenção antenupcial que estejam em contacto, pelos seus elementos constituintes(sujeitos, residência, local, etc.) com mais do que um ordenamento jurídico, e ao fazê-lo torna arelação plurilocalizada (um casamento de um indivíduo espanhol com uma portuguesa e cujacelebração ocorre em Itália).É desta relação jurídico-privada que vai tratar o D.I.P.Há muitas formas de regular esta relação e saber, v.g., que aspectos do casamento se quer regular (v.g. a forma, o regime de bens, etc.).
Ora, como é que o D.I.P., perante uma situação jurídica internacional, vai dar umaresposta?
Podia dar uma
resposta material 
(a forma do casamento deveria ser solene, mas não seriam precisas as publicões), sendo que se trataria de uma resposta concreta em rao dainternacionalidade do casamento.
2
 
Direito Internacional Privado – 5º Ano Aulas Teóricas – 
Dr.ª Helena Mota 
2004/2005 
Mas a
resposta clássica
do D.I.P. não é esta
.
É que o D.I.P. vai escolher a Lei, vai regulara relação internacional privada escolhendo as Leis através das Regras de Conflitos
 
(note-se quesão regras de conflitos).
 Regras de Conflitos
o o modo por excencia como o D.I.P. regula as relaçõesinternacionais privadas
.
 
 Não diz concretamente como isso se faz.V.G. no caso do espanhol que casa com uma portuguesa em Itália o que o D.I.P. vai fazer édizer qual a Lei aplicável àquele casamento.
“Cada Estado tem o seu D.I.P. para uso interno
– a sua interpretação própria do D.I.P.
Cada Estado formula, para a resolução dos conflitos de leis, as normas que tenha por maisconvenientes e mais justas
. Essas normas são ditas
regras de conflitos do D.I.P.
Elas propõem-se
resolver um problema de concurso entre preceitos jurídico-materiais procedentes de diversossistemas de direito.
Como desempenha, a regra de D.I.P., a sua função de designar, para cada tipo de casos, o preceito jurídico aplicável?
A técnica usada consiste em a
regra de conflitos deferir determinadaquestão, ou área de questões de direito, ou determinada função ou tarefa normativa aoordenamento jurídico que for designado por certo elemento da situação de facto
, a que chamamos
elemento ou factor de conexão
.Através da concretização do factor de conexão, tornam-se conhecidas a lei e a norma materialchamadas a resolver a questão de direito proposta.
 Daqui já se deixa ver como à mesma situação davida podem ser chamadas duas ou mais leis
. Assim, v.g., a um contrato celebrado em Portugal podemser aplicáveis normas de três sistemas de direito: o direito nacional das partes, pelo que respeita àcapacidade destas, o direito escolhido pelos contraentes, quanto à substância e efeitos do negócio jurídico, e ainda a lei do lugar da celebração, no tocante à forma externa.O
elemento de conexão determinante
da competência da lei tanto pode referir-se à
pessoados sujeitos da relação jurídica
(sua nacionalidade, domicílio, residência), como ao
acto ou facto jurídico encarado em si mesmo
(lugar da celebração ou da execução do contrato, lugar da prática dofacto gerador de responsabilidade civil) ou à
coisa objecto do negócio jurídico
(situação dela).Diferentemente das normas do direito material,
a norma do D.I.P. não se propõe fixar elamesma o regime das relações da vida social, compor ela mesma os conflitos inter-individuais deinteresses
;
é uma regra de carácter meramente instrumental:
limita-se a indicar a lei quefornecerá o regime da situação, a lei onde hão-de procurar-se as normas que venham orientar adecisão do litígio.
Contribui, é certo, para a resolução da questão jurídico-privada, mas não diz por si própria qual ela seja.” (F.C.)
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