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Conclusão

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Conclusão do estudo "Os Jovens e a Política", realizado pelo CSEM da U. Católica a pedido da Presidência da República
Conclusão do estudo "Os Jovens e a Política", realizado pelo CSEM da U. Católica a pedido da Presidência da República

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Conclusão (do estudo
Os Jovens e a Política
, realizado peloCentro de Sondagens e Estudos de Opinião da UniversidadeCatólica, a pedido da Presidência da República)
Na 33ª sessão comemorativa do 25 de Abril de 1974, o Presidente daRepública Portuguesa,Professor Aníbal Cavaco Silva, manifestou no seu discurso apreocupação com osrelativamente escassos níveis de participação política dos jovensportugueses e o seu eventual alheamento das instituições públicas.Apesar de manifestar confiança nas capacidades empreendedoras ede lideraa arstica e cultural dos mais jovens, o deixou deassinalar a incapacidade das actuais lideraas poticas paramobilizar os jovens para um "envolvimento mais activo e participantena vida política".Os dados disponíveis nos estudos sobre esta matéria realizados atéao momento certamente autorizam essa preocupação, mostrandobaixos níveis de envolvimento e interesse pela política em Portugal.Contudo, o diagnóstico da situação exige dois tipos de comparaçãoadicional. Por um lado, devemos ver até que ponto as atitudes e oscomportamentos dos jovens portugueses são de facto diferentes − nosentido de baixa participação e reduzido envolvimento políticos daqueles que caracterizam o resto da população adulta. Poroutrolado, devemos apreciar em que medida os indicadores ligados àparticipação política em Portugal − e nomeadamente a participaçãodos jovens −se situam em relação aos dosrestantes países europeus.Os resultados do presente estudo confirmam muito daquilo que já sesabia de estudosanteriores. Evidenciam-se, em particular, os comparativamentebaixos veis de envolvimento atitudinal, participão potica eparticipação social e cívica dos portugueses, quando comparadoscom os prevalecentes dos países da nossa área geo-cultural. Sobvários pontos de vista, os portugueses estão mais perto a este níveldos resultados encontrados nas novas democracias da Europa deLeste do que daqueles que prevalecem na generalidade dos países daEuropa Ocidental. A isto deve acrescentar-se a prevalência decomparativamente baixos níveis de satisfação com o funcionamentodo regime democrático, indicadores que sabemos serem sensíveis dodesempenho económico mas que (por isso mesmo), se mantêm aníveis baixos em Portugal há já mais de uma década, após um picoatingido na viragem dos anos 80 para os anos 90. Essa insatisfaçãoparece relacionar-se também com uma predisposão a apoiar"reformas profundas" ou mesmo "mudanças radicais" na sociedadeportuguesa. Mas nem por isso se evita um aparente paradoxo: essapredisposição para a mudança não se traduz numa predisposiçãopara o envolvimento e para a participação vica e política.Dito isto, os resultados deste estudo também permitem uma leituramenos pessimista. Essa leitura é, precisamente, a que resulta de um
 
confronto entre as atitudes e comportamentos dos jovens com os queprevalecem no resto da população. Uma das teorias mais bemsucedidas para a explicação do grau de envolvimento e participaçãopolíticas é a que detecta uma relação curvilinear entre elas e a idade.Os primeiros seriam mais baixos junto dos indivíduos mais jovens,aumentando progressivamente até voltarem a diminuir novamente junto dos mais idosos. A explicação convencional é a ligada aosefeitos de ciclo de vida, e em particular a fases "start-up" e "slow-down" de envolvimento político: enquanto os mais jovens estão aindanuma fase de mobilidade social e instabilidade profissional, assimcomo em percurso de aquisição de competências políticas, os maisidosos, por razões de afastamento em relação à vida profissional mastambém por razões fisiológicas (fadiga, doença, imobilização) tendemtambém a participar menos na vida política.Os nossos resultados mostram que, de facto, esse padrão se verifica,mas apenas na medida em que incluímos os jovens com menos de 18anos na análise. Quando comparamos os jovens adultos − entre os 18e os 29 anos − com os mais velhos, são raras as circunstâncias emque esses jovens adultos não exibem predisposições ecomportamentos participativos semelhantes ou até mais elevados doque o resto da população activa. Isto afecta, por exemplo, ascomparões que se possam fazer entre Portugal e os restantespaíses da nossa área geo-cultural no que respeita ao interesse pelapolítica − em que os jovens adultos portugueses escapam aos últimoslugares internacionais quando comparados com os seus congéneres. Tem manifestações adicionais no grau mais elevado de eficácia queatribuem a quase todas as formas de participão política,convencionais ou não convencionais, quando comparados com osmais velhos. E também na real participação no voluntariado e na vidaassociativa, mas intensa do que se verifica nos restantes activos eo limitada ao associativismo juvenil ou desportivo. O voto é,certamente, um modo de participão a que os jovens atribuemmenos eficácia e, efectivamente, tendem a praticar menos. Mas não éseguro que isso se verifique em todas as circunstâncias: este estudosugere que, no que respeita ao referendo sobre a despenalização dagravidez, os jovens poderão ter participado tanto ou do que os maisvelhos. E se votam de facto menos noutros actos eleitorais, isso podeestar ligado à sua maior dificuldade em se identificarem com a ofertapartidária existente e com as categorias nas quais o combate políticoe ideológico é (ainda) travado, e não tanto ao facto de estarem maisalheados da vida cívica do que o resto da população.Finalmente, é interessante verificar a predisposição altamentefavovel mostrada por toda a população para a introdão dereformas políticas e institucionais que possam aumentar e diversificaros modos de participação potica, especialmente quandodirectamente comparada com o caso espanhol: mais favorável entrea população portuguesa em geral, e especialmente entre os jovens.Evidentemente, isto nada nos diz sobre qual poderia ser a sua opiniãosobre as maneiras concretas de colocar em prática semelhantesreformas, se seriam realmente receptivos a elas, se elas seriam

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