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Capítulo 1 - Ecologia de Ecossistemas Urbanos

Capítulo 1 - Ecologia de Ecossistemas Urbanos

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1º capítulo do Livro PELOS QUINTAIS DE SARANDI: ECOLOGIA URBANA E PLANEJAMENTO AMBIENTAL (cópia integral pode ser obtida em http://www.cch.uem.br/observatorio
1º capítulo do Livro PELOS QUINTAIS DE SARANDI: ECOLOGIA URBANA E PLANEJAMENTO AMBIENTAL (cópia integral pode ser obtida em http://www.cch.uem.br/observatorio

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9
C
APÍTULO
1
 
Ecologia dos Ecossistemas Urbanos
 
“Cidades são tão artifici
ai
s quanto colméias.”
 (John Gray, 2006)
“De fato, pelo viés direcionado a estudos de ambientes prístinos, muitos ecólogos sentem
-sedesconfortáveis com a noção de que seres humanos fazem parte da natureza. Assim, mesmo com umageneralizada crise ambiental, a ecologia acadêmica tem pouco a dizer sobre a ecologia do
Homo sapiens 
 
ou sobre as cidades como fenômeno ecológico.”
 (Willian E. Rees, 1997)
Ecologia designa uma ciência que investiga as relações entre organismos e seuambiente. Em contraste com a ecologia geral, a ecologia humana se refere ao estudo dasrelações dinâmicas entre populações humanas e as características físicas, biológicas,culturais, sociais e econômicas do ambiente (Lawrence, 2003).Rees (1997) classifica a ecologia urbana como um ramo da ecologia humana. Ecologiaurbana é pesquisa ecológica feita em cidades. Há muitas definições para o termo
“cidade”, a mais generalista é aquela que define uma cidade como uma áre
a densamentepovoada e caracterizada por áreas habitacionais, de comércio, e industriais (Niemela,1999). São quatro os campos principais de pesquisa no âmbito da ecologia urbana (tabela1).
 
Tabela 1: Campos de estudo da ecologia urbana
 
1) Estudo do meio físico
: pesquisas sobre geomorfologia, substrato geológico, clima, comofatores determinantes da atividade biológica nas cidades. Influem em diversas características dosecossistemas urbanos, como por exemplo na composição vegetal mais adequada à arborizaçãode um bairro.
 
2) Estudo das populações biológicas
: populações humanas podem ser estudadas sob pontosde vista diversos: demografia, etologia, saúde pública. O estudo de outras populações pode serinteressante para fins de controle de animais vetores de enfermidades. Comunidades vegetaispodem ser estudadas para fornecer subsídios ao planejamento da arborização.
 
3) Estudo da estrutura e da evolução do ecossistema no espaço
: os ecólogos entendem osecossistemas como o resultado de processos históricos onde pode intervir o acaso, e detendências espontâneas de auto-organização. Ecossistemas (urbanos ou não) são heterogêneos,
 
10
como um mosaico, e as partes do mosaico urbano diferem de muitas maneiras: morfologicamente,socialmente, metabolicamente. A evolução da estrutura do ecossistema pode ser estudada sobdiferentes escalas. Por exemplo, o grau de impermeabilização de um bairro pode repercutir emescalas superiores (causando inundações).
 4) Estudos relativos ao metabolismo material e energético dos ecossistemas
: quantaenergia, quantos e que tipos de materiais entram, de que forma esses insumos são empregadosdentro do ecossistema urbano e quanta energia e resíduos são exportados.
Fonte: Terradas, 2001
Odum (1988) define
ecossistema 
ou
sistema ecológico 
como qualquer unidade de áreaque abranja todos os organismos interagindo com o ambiente físico de tal forma que umfluxo de energia produza: 1) estruturas bióticas claramente discerníveis (os organismos);e 2) uma ciclagem de materiais entre as partes vivas e não vivas do sistema. De acordocom as fontes e o nível do fluxo de energia que perpassa os sistemas ecológicos,podemos dividi-los em quatro categorias (tabela 2).
Tabela 2: Categorias de ecossistemas segundo a fonte e o nível de energiaTipo de ecossistema Fluxo energético anual médio (kcal/m2)
1.
Ecossistemas naturais,
que dependem de
 
energia solar, sem outros subsídios (oceanosabertos, florestas de altitude). Prestam serviçosambientais fundamentais para a manutençãoda vida (ciclos biogeoquímicos da água e docarbono, por exemplo).
 
1.000
 –
10.0002.
Ecossistemas com subsídios naturais 
.Dependem de energia solar, mas contam cominputs energéticos, o que os torna bastanteprodutivos. Grande capacidade de sustentaçãoda vida, grande produção de matéria orgânica,as vezes exportada para outros sistemas(estuários de marés, florestas úmidas).10.000
 –
40.0003.
Ecossistemas com subsídios antropogênicos 
.Dependem de energia solar, mas recebeminputs energéticos maciços (geralmente deorigem fóssil) sendo também muito produtivos(agricultura, aquacultura).10.000
 –
40.0004.
Ecossistemas urbano-industriais 
. Movidossobretudo a combustíveis fósseis.Extremamente dependentes dos três outrostipos de ecossistema para a manutenção davida e obtenção de matérias primas ecombustíveis (cidades, bairros residenciais,zonas industriais). Sistemas geradores deriquezas e poluição de variados tipos.100.000
 –
3.000.000
Fonte: Odum, 1988; Collins, 2000
Cidades são geralmente definidas como centros de comércio, como centros de sistemasde transporte e comunicação, como fontes de cultura e artes e sede de governos.Algumas vezes, pode se fazer menção à poluição, congestionamentos e outras mazelas
 
11
urbanas. Entretanto, muito raramente se reconhece as cidades como ecossistemas, ou,em outras palavras, poucos reconhecem a urbanização e a as cidades comomanifestações da ecologia humana (Rees, 1997).O ecólogo barcelonês Jaume Terradas (2001), caracteriza as cidades como ecossistemasheterotróficos, dissipativos, que se organizam aumentando a entropia no restante doplaneta. Ao contrário dos ecossistemas autotróficos (essencialmente estruturados porcadeias alimentares compostas por organismos fotossintéticos que convertem energiasolar em energia química, à qual alimenta grupos de organismos heterótrofos), osecossistemas heterotróficos (também denominados de
ecossistemas incompletos 
)dependem de grandes áreas externas a eles para a obtenção de energia, alimentos,fibras e outros materiais (Odum, 1988). Pickett (
et al 
, 2004) define a cidade como umsistema ecológico, onde humanos e processos sócio-ambientais estão combinados emuma rede de interações recíprocas.Cidades não são o único exemplo de ecossistemas heterotróficos. Riachos, e recifes deostras tamb
ém o são. Contudo, as cidades diferem de seus congêneres “naturais” por três
diferenças principais: 1) um metabolismo muito mais intenso por unidade de área,exigindo assim um influxo muito maior de energia, que em parte é suprida porcombustíveis fósseis; 2) uma considerável necessidade de entrada de materiais, comometais, para a produção de bens de consumo não necessariamente conexos àsobrevivência humana; e 3) uma saída muito maior e mais poluidora de dejetos eresíduos (Odum, 1988).Em suma, cidades são ecossistemas que possuem ambientes de entrada (áreas de ondese retiram matérias primas diversas) e de saída (pontos da biosfera que recebem osresíduos do metabolismo urbano) muito maiores do que outros ecossistemasheterotróficos (Odum, 1988, Wackernagel e Rees, 1996).A Humanidade não afeta apenas ambientes locais. Muito além disso, ela cooptou abiosfera para seus propósitos. Compreender as implicações deste conjunto de eventospara a sustentabilidade requer um foco nos seres humanos como os maiores organismosconsumidores em todos os ecossistemas do planeta (Rees, 1997).A área ocupada pelos ecossistemas urbanos situa-se entre somente 1 e 5% da parteterrestre do globo. Ocorre que, por possuírem extensos ambientes de entrada e saída,

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