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 . Chiliguidum
número 01 . 2009número 01 . 2009
 
Chiliguidum . 
 
Chiliguidum
número 01 . 009
Carta ao leitor
04Meu pai e eu
Poema de Antonio Augusto Ferreira
06A música instrumental regionalrio-grandense .
Felipe Álvares
07Musical Imembuy
Orlando Fonseca
08Novidades .
Vínicius Brum
Vida e Arte .
Denise Coppeti
10Panorama
Karla Brunet
14Entrevista
Santiago
160Uma nova orma de assistir flmes
Luiz Alberto Cassol
O pianista e o queijo . Fome porteña
Dedé Ribeiro
4Vida de maestro
Maestro Enio Guerra
5Vancouver: arte valorizada
Aline Haas
68Paris, je t’aime!
Bebeto Badke
18Santa Maria
Guido Cechella Isaia (Acervo Eny)
0Tão longe, tão perto
Otto Herok Netto
Expediente
REVISTA CHILIGUIDUM . NÚMERO 01 . ANO 2009A revista
Chiliguidum
é uma publicaçãoda empresa Chili – Produções Culturais. AChili é uma agência de produção cultural,integrada por profssionais de comunicação,localizada em Santa Maria, RS.
O projeto gráfco da revista
Chiliguidum
oidesenvolvido como parte do Trabalho deConclusão de Curso II, do curso de DesenhoIndustrial –Programação Visual, da UniversidadeFederal de Santa Maria, da acadêmica CarolinaIsabel Gehlen, soborientação do proessor MárioLúcio Bonotto Rodrigues.
www.chilism.com.brchiliguidum@chilism.com.br
Palcos do Sul
Ricardo Freire
7Arte que educa
Eduardo Guedes Pacheco
Chiliguidum é um sonho.
A idéia de produzir uma revistaque seja um canal para alar de arte e cultura az parte dos pla-nos da Chili desde que ela oi criada, há pelo menos 4 anos.Uma revista com muitas mãos, o empenho e a competência doMáucio e da Carol, e o apoio incondicional de todos os amigosque escreveram, desenharam e disponibilizaram suas otogra-fas para essa primeira edição.Uma revista customizada, ou seja, ela está aberta a todos osassuntos reerentes à cultura. Busca, no meio artístico de SantaMaria e do mundo, artigos, otos, crônicas, enfm, todas as or-mas de arte que possam contribuir para o nosso conhecimentocultural.Nesta primeira edição, a vista nada convencional de Salva-dor e Barcelona, por Karla Brunet; a poesia de Antonio AugustoFerreira; a música instrumental gaúcha, por Felipe Álvares;um musical para Imembuy, por Orlando Fonseca; AndarilhoCoração, por Vinícius Brum; a vida de artista de Denise Copetti;Neltair Abreu conta um pouco do Santiago, o cartunista; RicardoFreire ala da música do sul mais Sul do Brasil; Santa Maria porGuido Isaia; o diário de produção de Dedé Ribeiro, de hotéis,gastronomia e viagens; a sétima arte no interior, por Luiz Alber-to Cassol; o proessor Enio Guerra e a sua vida de maestro; avalorização da arte no extremo norte da américa, Vancouver,por Aline Haas; Arte e Educação na visão de Edu Pacheco; arecriação dos carrinhos de lomba; Paris de Bebeto Badke; a mú-sica em língua espanhola, tão longe e tão perto, por Otto HerokNetto.Chiliguidum está aqui para fcar e deixar registrado um pou-co da história dos movimentos culturais de nossa época.Queiram ocupar seus assentos.Uma boa viagem a todos! Obrigada!
Rose Carneiro
Diretora da Chili – Produções Culturais
Coordenação editorial
: Máucio . Rose Carneiro
Design gráfco
: Carolina Isabel Gehlen
Revisão
: Magda Kessler
Tiragem
: 500 exemplares
Distribuição gratuita
PATROCÍNIO
Carrinhos de lomba
Rose Carneiro
 
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meu pai e eu
Antonio Augusto Ferreira
Eu ui criado assim, gato selvagem,nos arredores da cidadezinha,guri sempre ugido pros potreirosonde pastavam vacas e cavalos;e eu por eles já sentia estimae esse ascínio que até hoje sinto.Nenhum cuidado me zelava a vidaqueria era viver a liberdade,e aprendi a deender-me dos perigospor puro instinto.A importante pessoa dessa inânciaoi meu pai.Mas meu pai era assim, a lei, o aço,o que não transigia em meus deveres.Só sabe Deus o que terá passadoem sua vida pobre. O sorimentocomo que a derrota de uma carapaçaque o azia parecer imuneà ome e à sede,para que moldasse o corpo em arga-massa.Hoje penso que a orça da cobrançaensinou-me a esgrimir contra a parede.As suas bondadeseram dissimuladas aos meus olhos,que só o viam duro, teso e orte.Para mim, meu pai era um palanqueassentado à rente do seu rancho,insensível ao rio ou ao cansaço,incapaz de desviar-se do seu Norte.Nem nas amargas maldizia a vida,nunca lhe ouvimos uma voz de queixa,pois não se permitia comiseração.Muito ao contrário, reagia duro:A vida é uma luta, vence o mais capaz,o que mais suar sobre seu eito,o que mais cedo madrugarEm pequeno, muito vagamentelembro seu colo,substituindo a mãe, que já se ora.Mas essa imagem me é tão remotaque raras vezes a reconstituo.O tempo que me vem mais à memóriaé o do guri que, mal a lei saía,largava tudo pra voar na rua.Eu amava meu pai e não sabia,ou , se sabia,tratava de ocultá-lo a mim mesmo.As maniestações de aeto amiliarespareciam perturbar-me a natureza.Eu era apenas um meninoque se omitia em demonstrar ternuratemendo que algum gesto de carinhopudesse conundir-se com raqueza.Havia vezes em que eu o odiavae o rejeitava, ao me sentir sozinho,porque cobrava cada ato alho,porque ralhava contra qualquer altaque pudesse levar-me ao descaminho.As palavras de meu pai eram tais ordensque se devia cumprir de qualquer jeito.Dessas palavras, e dos gestos ortescou-me para sempre esse preceitodo amor ao trabalho e à amília.Mas o trabalho nesses longes tempos,era de sol a sol, áspera trilhaque se devia abrir com toda a orçae renovado vigor a cada dia,a vida inteira.Já a amília se agrupava muito,toda a pobreza era irmamente repartidae a dor e a enermidade eram veladasem conjunto.A cada lho que se amancipavasuando seu salário,o tratamento de meu pai cava ameno,talvez mais doce, um pouco mais sereno,mas a cobrança seguia ao necessário.Nunca o vi chorar.Seus sentimentos eram tão cerradosque oi preciso me zesse homempra desvendar o seu amor imenso.Esta descoberta veio aos poucos,a idade chegara para todosa lei passou então a ser mais brandae o cuidado talvez menos intenso.Euque me z adulto antes do tempo,saí de casa como um lho sai,sem saber o quanto a rua me ensinaranem atinar a orça da argamassaque herdara de meu pai.Nem eu mesmo sabia de que pedraeu era eito. Tinha meus sonhose a insegurança daquele quecomeça,quando atirei a vida sobre osombrose parti para o mundo a me provar.O medo de ser rouxo me assustava;eu sabia que atrás de cada esgrimahavia uma paredeque não me deixaria recuar.Hoje a vida passou, vou cerroabaixo,o corpo vai sorendo seus estragos,mas me alegra saber que o coraçãoé pedra doce – ácil de amoldar,mas que sore sozinho nos seus medose jamais reparte seus racassos,pois não lhe permitiram nuncao direito de chorar.É nessas horasque meu velho volta e me levantana palavra:Assim é a vida, só se vence quem lutar.Aperta o coração, arma o braço,ergue a cabeça e segue em rente.Lá é teu lugar.
Nascido em São Sepé (RS), AntonioAugusto Ferreira aleceu aos 72 anos,em março de 2008. Era integrante daAcademia Rio-Grandense de Letras eda Academia Santa-Mariense de Letras(ASL). Em 1980, ganhou a Caliórnia daCanção Nativa com a música Veterano.O poema ao lado oi retirado do livro
Alma de Poço
, publicado em 2006.
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