Welcome to Scribd, the world's digital library. Read, publish, and share books and documents. See more
Download
Standard view
Full view
of .
Save to My Library
Look up keyword
Like this
15Activity
0 of .
Results for:
No results containing your search query
P. 1
A Possibilidade de uma Abordagem Transdisciplinar na Educação

A Possibilidade de uma Abordagem Transdisciplinar na Educação

Ratings: (0)|Views: 863 |Likes:
Uma introdução à transdisciplinaridade e à abordagem transdisciplinar para a educação
Uma introdução à transdisciplinaridade e à abordagem transdisciplinar para a educação

More info:

Published by: Valéria Moura Venturella on Feb 18, 2010
Copyright:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

11/26/2012

pdf

text

original

 
A POSSIBILIDADE DE UMA ABORDAGEM TRANSDISCIPLINAR NA EDUCAÇÃO
1
Valéria M. Venturella
2
ResumoO presente trabalho é resultado de uma pesquisa bibliográfica sobre transdisciplinaridade, seuspressupostos básicos e suas implicações no desenvolvimento da teoria do conhecimento. Sobre oapoio dessa revisão, o trabalho coloca, a partir dos princípios fundamentais da transdisciplinaridade,as características de uma postura transdisciplinar que possa ser adotada na pesquisa, no ensino eem outras áreas de atuação. Finalmente, o trabalho tenta apresentar a proposta de uma metodologiatransdisciplinar geral para a educação, a partir da qual vários métodos particulares poderiam ser desenvolvidos.
Introdução
O ser humano parece estar, redescobrindo nas últimas décadas do século XX, suacomplexidade, a do outro e a do mundo. E parece estar desarmado diante dessa “novidade”.Nas palavras de Basarab Nicolescu, autor de
O Manifesto da Transidisciplinaridade
,“embora a civilização nunca deixe de produzir conhecimentos novos, parece que essesconhecimentos nunca podem ser integrados no interior dos que pertencem a essacivilização” (NICOLESCU, 1999, p. 19). Ao observarmos as desigualdades, os conflitos, astensões e a destruição ao nosso redor, podemos suspeitar que a consciência humana nãoevoluiu ao mesmo tempo e na mesma intensidade com que o conhecimento se expandiu.Apesar de tanto
saber 
, não parecemos dar mostras de
compreender 
o mundo, aspessoas que nos cercam, ou nós mesmos. A impossibilidade de superarmos muitos dosconflitos e guerras que vivenciamos são a prova viva disso. Nossos líderes políticos ereligiosos, por exemplo, parecem não saber como lidar com os desafios que temos deenfrentar, mesmo quando são auxiliados pelos maiores especialistas formados pelahumanidade. Assim, podemos chegar a supor que o conhecimento acumulado pelahumanidade ao longo de sua história, além de muitas vezes ter se tornado ininteligível paraas pessoas, parece ter contribuído pouco na construção de um mundo mais harmônico emais feliz.Nossa educação, apoiada na tradição científica analítica e disciplinar, parececontribuir para essa falta de compreensão, ao destacar os objetos do meio em que estãoinseridos, isolá-los e, ao estudá-los, ignorar as relações que existem entre os componentes
1
Texto adaptado do referencial teórico da Dissertação de Mestrado
Rumo a uma abordagemtransdisciplinar para o processo de ensino e aprendizagem de língua inglesa em sala de aula
(VENTURELLA, 2004).
2
Mestre em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul; professora doscursos de Pedagogia e Letras da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul –Uruguaiana.
 
da realidade, entre os nossos componentes, e entre a realidade e nós mesmos. SegundoEdgar Morin (2001), o problema não reside no fato de que existem diferentes áreas noconhecimento humano, mas sim na maneira pouco solidária como lidamos com essasáreas. “Separamos os objetos de seus contextos, separamos a realidade em disciplinascompartimentadas umas das outras” (MORIN, 2002, p. 11). E é assim que aprendemos alidar com o mundo: entendendo as coisas em separado, uma após a outra numa ordem dita“didática”, não considerando as relações que existem entre elas, ou entre elas e nósmesmos.O mundo, porém, é uma teia multidimensional de elementos conectados entre si,interagindo dinamicamente, muito mais complexa do que a soma de suas partes. E o ser humano, por sua vez – muito mais que um cérebro e um corpo – é um ser psíquico, dotadotambém de sentimentos e espírito (SOMMERMAN, 1999), um todo formado por diferentesdimensões que se relacionam estreitamente, de maneira evolutiva. Além disso, ser humanoe mundo interagem, influenciam-se e modificam-se um ao outro, simultaneamente,modificando-se eles mesmos nesse processo. Dessa interação despontam emergências quefazem o conjunto ser humano-realidade ser mais complexo que a simples justaposição deum a outro. É essa a complexidade que não conseguimos compreender por inteiro.A tradição reducionista – que, para fins de pesquisa e ensino, reduziu a realidade àssuas partes integrantes – propiciou enormes avanços científicos e tecnológicos nos últimosdois séculos. Nesse sentido, seu valor não pode ser desprezado. Esse reducionismo e aconseqüente fragmentação, por outro lado, levou a humanidade a saber cada vez maissobre pedacinhos cada vez menores da realidade, e, dessa maneira, tornou-nos incapazesde compreender o todo. Estudiosos contemporâneos, como Edgar Morin e BasarabNicolescu, cujas idéias inspiram e embasam este trabalho, acreditam que essaincompreensão da complexidade do mundo está na raiz das crises morais, políticas esociais que nos assolam em escala planetária neste início de século.
A transdisciplinaridade
O pensador francês Georges Gusdorf afirma que reivindicações pela unificação dosconhecimentos, tais como a interdisciplinaridade e a transdisciplinaridade, não passam deuma redescoberta, de uma busca da integridade científica perdida ao longo da história doconhecimento, já que a unidade foi inerente à ciência desde seu surgimento (GUSDORF,1995). Foi apenas no século XIX que a expansão sem precedentes do trabalho científicolevou à especialização e à conseqüente fragmentação da ciência e ao isolamento dasdisciplinas. Foi também nessa época, devido às metodologias científicas analíticas epreditivas, que o conhecimento deixou de ser uma relação com a realidade para se tornar 
 
um conjunto de descrições e prescrições abstratas, o que evidentemente causou umdivórcio a realidade existente e a visão que a ciência tem dela.Para Gusdorf, o futuro do conhecimento e, conseqüentemente o futuro dahumanidade esem uma relação de íntima dependência com a possibilidade deabordagens reunificadoras da ciência, uma vez que é o conhecimento produzido pelahumanidade que define sua consciência de si e da realidade (GUSDORF, 1995). E é paratentar dar conta do desafio de compreender a si mesmo e ao mundo presente que lançamosmão da transdisciplinaridade, que tem como finalidade última reintegrar o que está tãodividido e compartimentalizado.Basarab Nicolescu (1997) definiu as principais diferenças entre pluridisciplinaridade,interdisciplinaridade e transdisciplinaridade no
Congresso Internacional Que Universidade para o Amanhã? Em busca de uma evolução transdisciplinar para a universidade
emLocarno, na Suíça em 1997. Para compreendermos estes conceitos, porém, precisamosprimeiro entender o que é disciplinaridade, pois é a partir deste último que podemos definir os outros.A disciplinaridade é o estudo especializado de um determinado ramo doconhecimento, geralmente feito de forma isolada, em que se desconsidera vínculos quepossam existir entre diferentes áreas da ciência. Cada uma dessas áreas se configura emuma disciplina, cujas metodologias e linguagens são características e distintivas.Já a pluridisciplinaridade é o estudo de um objeto de por várias disciplinas ao mesmotempo. Esse processo, pelo cruzamento das análises de vários especialistas de diferentesáreas, enriquece o objeto e aprofunda o conhecimento sobre ele. Porém, apesar deultrapassar os limites das disciplinas, a abordagem multidisciplinar continua inscrita noquadro disciplinar.A interdisciplinaridade, por sua vez, se refere à transferência de métodos de umadisciplina para a outra, em três diferentes instâncias: a aplicação, a epistemologia e acriação de novas disciplinas. Assim como a pluridisciplinaridade, a interidisciplinaridadechega a ultrapassar as disciplinas, mas sua finalidade ainda é manter a divisão disciplinar.O termo “transdisciplinaridade” não pode ser considerado novo. Ele foi usado pelaprimeira vez por Jean Piaget em um colóquio sobre a interdisciplinaridade em 1970, em queafirmou que a etapa das relações interdisciplinares evoluiria para as relaçõestransdisciplinares, que, mais do que encontrar interações ou reciprocidades entre pesquisasespecializadas, situaria essas relações em um sistema global, onde não existiriam fronteirasestáveis entre as disciplinas (SOMMERMAN, 1999).Como indica o prefixo “trans”, a transdisciplinaridade aborda o que essimultaneamente entre, através e além das disciplinas, reconhecendo nelas o que existe dedesconhecido e inesgotável (LITTO e MELLO, 1998). A transdisciplinaridade, assim,

Activity (15)

You've already reviewed this. Edit your review.
1 hundred reads
1 thousand reads
Morgana Cléria liked this
Lúcia Tôrres liked this
Jailson Marinho liked this
edivardo liked this
edivardo liked this
angelix1981 liked this
m3572 liked this

You're Reading a Free Preview

Download
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->