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Educar pela Pesquisa

Educar pela Pesquisa

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Published by: Valéria Moura Venturella on Feb 18, 2010
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EDUCAR PELA PESQUISA:A VISÃO DOS FUTUROS PROFESSORES DA EDUCAÇÃO BÁSICAUM ESTUDO DE CASO NA PUCRS
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Andrea Dorothee StephanSuzana PaivaValéria Moura Venturella
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INTRODUÇÃOA educação encontra-se atualmente em um momento crítico e, ao mesmo tempo,desafiador. O mundo em que vivemos se torna cada vez mais complexo e agitado. Asrelações políticas, sociais e econômicas há muito tempo deixaram de ser locais, para setornarem mundiais. Os sistemas de comunicação em escala planetária disponibilizam todainformação produzida instantaneamente ao mundo inteiro, rapidamente tornado todo oconhecimento existente obsoleto.Os avanços tecnogicos, embora tenham facilitado a vida das pessoas, oconstituíram uma garantia do mundo como um lugar melhor para se viver. A humanidadeenfrenta hoje muitos de seus mais antigos problemas – tais como violentas rivalidadesétnicas e enormes desigualdades sociais e econômicas – acrescidos de novos problemascausados pela evolução humana – como exaustão dos recursos naturais e desequilíbriosambientais graves, que chegam a comprometer a preservação da vida no planeta. Diantedesse quadro, a educação tem hoje o desafio de preparar as gerações futuras para viver eatuar nessa realidade revolucionária, enfrentando seus problemas e encontrando maneirasde se viver com qualidade.Já nas duas últimas décadas do século XX, a educação tradicional começou a seprovar ineficiente no preparo dos estudantes para as necessidades da vida. Baseado nareprodução do conhecimento, o ensino tradicional acaba por cercear a imaginação e ainventividade dos alunos. Ao estabelecer um ambiente transmissivo e imitativo, em que osalunos escutam o que o professor diz, para depois reproduzir tudo com o máximo defidelidade na próxima prova (DEMO, 2001), a escola tradicional é a antítese do espaçoestimulante e questionador que forma pessoas críticas, criativas e transformadoras, de queo mundo necessita hoje.Dessa maneira, a educação tradicional tem pequenas chances de corresponder aodesafio imposto pelo mundo moderno: um mundo em que as exigências do mercado detrabalho são cada vez maiores, problemas são criados na mesma medida em que outrossão resolvidos, os recursos naturais se tornam cada vez mais escassos e as necessidadeshumanas, mais elevadas. Na época em que vivemos, em que a criatividade se faz cada vez
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Artigo publicado na Revista Hífen, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul –Uruguaiana, v.28, n.53, p. 61-68, 2004.
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Mestrandos em Educação pela Pontifícia Universidade Calica do Rio Grande do Sul.
 
mais necessária – e, por isso mesmo, altamente valorizada – é papel da educação formar oscidadãos que tomarão a realidade nas mãos em um futuro muito próximo.Segundo o chamado Relatório Delors para a Educação do Século XXI, o século queagora se inicia submete a educação a uma dura tarefa: a de equipar os cidadãos com asferramentas necessárias para que vivam e atuem no mundo atual e futuro de maneiracompetente. Segundo esse relatório, não basta que os estudantes acumulem no início desuas vidas uma carga de conhecimentos que irão acessar ao longo da vida. Essa fórmulanão funciona mais, se é que algum dia funcionou. Almeja-se que a educação se dê ao longode toda a vida do ser humano (DELORS, 2000).O que se busca hoje é mais do que maneiras novas de ensinar. Buscam-se maneirasde tornar os estudantes capazes de aprender constantemente, mesmo após o final de seusestudos formais. O que se procura, portanto, são formas de instrumentalizar os alunos paraque eles se tornem aptos a detectar problemas, observar os recursos disponíveis, investigar possibilidades e encontrar, ou mesmo criar, soluções viáveis. Quer-se que os estudantessejam alerta, autônomos e criativos. Procura-se torná-los aptos a “aprender a aprender”.A educação moderna, assim, deve preparar os alunos para que desenvolvam umamentalidade de educação contínua, além de despertar neles um constante interesse peloaprendizado e pela descoberta. Deve também prepará-los para que se tornem cidadãosparticipativos, flexíveis, criativos, para que saibam trabalhar em comunidade. Enfim, aeducação deve formar pessoas que encontrem novas soluções para novos e antigosproblemas. Como se pode ver, o desafio é grande, e os educadores não sabem ao certocomo enfrentá-lo.Alguns estudiosos e pensadores da educação, como Pedro Demo, têm defendido aeducação através da pesquisa em todos os níveis educacionais da pré-escola àuniversidade – como a maneira ideal de estimular o senso crítico e o espírito investigador doaluno, para assim prepará-lo para os desafios que a realidade cada vez mais complexa lhesimpõe.De fato, muitos autores acreditam que seja possível tornar a educação mais eficienteatravés do uso da pesquisa como metodologia e como objeto. Segundo esses autores, aocombater a atitude imitativa e reprodutiva, é possível criar condições para desenvolver noaluno atitudes de aprender pela elaboração própria (SOUSA, 2000).A pesquisa seria, nesse contexto, um meio de fazer com que os estudantesquestionassem a realidade e suas próprias concepções sobre ela. Todo estudante quechega à escola já traz consigo conhecimentos prévios que o capacitam a se orientar nomundo. A prática investigativa o faria capaz de, na interação com a realidade, re-processar esses conhecimentos, ampliando-os, aprofundando-os ou modificando-os. A investigaçãocapacitaria, assim, o aprendiz a se aproximar da cultura científica e do conhecimento queesta acumulou de maneira significativa e transformadora (LEAL, 2001).
 
Ao se tornar prática educativa sistemática, a atitude investigativa necessária para arealização da pesquisa deixa de ser privilégio de pequenos grupos de pesquisadoreslocalizados em centros altamente especializados. A pesquisa passa, desse modo, a seconstituir num meio legítimo para a construção do conhecimento, acessível a qualquer estudante de qualquer nível de escolaridade, uma postura cotidiana crítica e questionadora,uma atitude de diálogo crítico com a realidade, para que nela se possa interferir de maneiramais competente.Segundo Pedro Demo, a pesquisa deve ser utilizada nas escolas como princípiodidático, porque constrói conhecimento, e como princípio educativo, porque promove oquestionamento crítico da realidade e sua inovação. Nesse sentido, o conhecimento e ainovação se tornam as principais manifestações da pesquisa (DEMO, 1997).Já se pode observar que iniciativas e modelos de educação através da pesquisadifundem-se, aos poucos, entre os professores e as instituições de ensino. Um bomexemplo é a denominada “Pedagogia de Projetos”, em que, mergulhando-se em umambiente lúdico, fomenta-se na criança a atitude de pesquisa. A pedagogia de projetos estáapoiada na estimulação de uma postura de curiosidade e de questionamento e naproposição de desafios para inventar soluções próprias atras da observação, daexperimentação e da descoberta (HERNANDEZ, 1998).Qualquer que seja a metodologia de ensino, segundo Pedro Demo, é fundamentalque a prática do questionamento em sala de aula esteja sempre presente, para que sedesperte a dúvida investigadora e se motive exercícios de re-elaborão individual,discussões em grupo, busca de informações em outras fontes e, sobretudo, a pesquisa forada sala de aula. Educar através da pesquisa, segundo o autor, significa motivar o aluno afazer a elaboração própria e colocar essa idéia como meta de formação (DEMO, 2001).Para que a atitude investigativa e a prática da pesquisa se realizem, efetivamente, naeducação, é essencial impregnar a convivência com os alunos com estratégias de pesquisa.Pesquisar e produzir juntos é algo enriquecedor, mas isso somente ocorrerá se for criadoum clima de interação em que as pessoas possam aprender umas com as outras, noconvívio e no intercâmbio com seus pares (ARROYO, 2000). E isso só pode ser feito se osprofessores estiverem preparados para educarem pela pesquisa. E, para isso, é necessárioque os professores sejam, eles mesmos, educados pela pesquisa.Os professores da educação básica aprenderam, em seus cursos de formação, aatuar como meros instrutores, uma vez que a pesquisa é, via de regra, inexistente naeducação preparatória de professores (DEMO, 2001). É inútil esperar que professores queforam educados com base na cópia, na passividade e no sistema de avaliação em que ahabilidade mais testada é a memória, possam repentinamente mudar de paradigma epassar a educar seus alunos de maneira construtiva e investigativa. Para que o professor passe de “ensinador” a mestre, é essencial que ele adote a postura de pesquisa, em

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