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O Desafio de Ensinar Crianças

O Desafio de Ensinar Crianças

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Tradução de um artigo da pesquisadora Americana Carol Reed sobre o ensino de línguas estrangeiras para crianças
Tradução de um artigo da pesquisadora Americana Carol Reed sobre o ensino de línguas estrangeiras para crianças

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Published by: Valéria Moura Venturella on Feb 19, 2010
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O DESAFIO DE ENSINAR CRIANÇAS
1
Professores de adultos podem ter de repensar sua abordagem para ensinar criançasCarol ReadTraduzido por Valéria Venturella e Cristiane RossiNos dias de hoje, com freqüência cada vez maior, espera-se que professores de adultospassem a trabalhar com turmas de crianças sem qualquer treinamento especializado. Paramuitos, a perspectiva pode ser assustadora. O objetivo deste artigo é examinar alguns dosprincipais pontos em que os professores devem adaptar sua abordagem para ensinar crianças,primeiramente para sobreviver, mas também – espera-se – para ser bem sucedidos e apreciar aexperiência!Eu ainda me lembro claramente de um incidente ocorrido há muitos anos quando comeceia ensinar crianças. Eu tinha uma turma de 36 alunos de nove e dez anos em uma escola em queas classes eram fixadas ao chão. Recém-formada e ansiosa pra experimentar novas técnicas, eupedi às crianças que realizassem uma atividade comunicativa que exigia que eles interagissempara trocar informações com os colegas.Embora a atividade tivesse começado bem, e as crianças estivessem motivadas, o queseria uma atividade comum com um grupo de alunos adultos se tornou um caos com o grupo decrianças. Quanto mais eu pedia que elas se sentassem, mais agitadas elas ficavam. Quanto maiseu levantava minha voz pedindo silêncio, mais barulhenta a turma ficava. Quanto mais nervosa eume sentia, o mais agitados eles ficavam.Eu havia caído, desavisadamente, na clássica armadilha de permitir que meucomportamento como professora contribuísse para – em vez de resolver – o problema, e me viimpondo uma ordem de emergência para acalmar as crianças e restabelecer o controle.A partir da lição aprendida com a experiência, desenvolvi duas máximas pessoais paraensinar crianças que têm me servido muito bem desde então:
Agir com suavidade:
Quando apresentamos às crianças novas técnicas e modos detrabalhar, é importante agir vagarosa e gradualmente. Apresente razões para o que está fazendode modo que elas possam compreender. Não presuma que eles terão as habilidades sociais ou asatitudes que esperamos encontrar em alunos adultos.
Manter a serenidade
: Da mesma forma como a voz alterada e agitada do professor tendea aumentar o nível de excitação e barulho, um tom baixo e calmo se reflete no comportamentodas crianças e nos auxilia a gerenciar positivamente e ensinar efetivamente a turma.
1
Artigo publicado no volume 7 do ano de 1998 da revista
English Teaching Professional 
, p. 8-10.
 
As primeiras aulas com um novo grupo oferecem um período de “lua-de-mel” em que nãosó construímos uma relação positiva com as crianças, mas também temos uma oportunidade deouro de estabelecermos uma compreensão clara de como esperamos e queremos que as coisasaconteçam. Embora os detalhes dependam da idade da criança e variem de professor paraprofessor e de cultura para cultura, os três R's podem nos oferecer uma estrutura útil pararefletirmos sobre os parâmetros que gostaríamos de estabelecer em nossas aulas. Eles são:regras, rotinas e responsabilidades.
Regras:
As regras, quer elas sejam estabelecidas, quer negociadas, estabelecem limitesclaros para as crianças. O ideal é ter o menor número possível de regras, torná-las explícitas,expressá-las claramente, e sempre aplicá-las de maneira justa e consistente.
Rotinas:
As rotinas estabelecem padrões de comportamento usual e esperado queauxiliam as crianças a se sentirem seguras. Uma vez estabelecidas, elas oferecem um atalhoconveniente para longas explicações. As rotinas podem incluir procedimentos como sentar nochão em um semi-círculo para a hora do conto, começar as aulas com aquecimento físico,interromper as atividades a um determinado sinal, distribuir materiais ou organizar a sala.
Responsabilidades:
As responsabilidades podem ser negociadas, tais como rodízios paraatividades como a distribuição de materiais e a limpeza do quadro. Elas também podem incluir aconstrução de atividades a ser realizadas autonomamente pelas crianças, tais como lembrar detrazer seus livros e temas de casa, compartilhar materiais com outras crianças, falar a línguaestrangeira em pares e grupos, esperar pela vez em jogos e ouvir quando outra criança estáfalando.ORIENTAÇÕES GERAISParadoxalmente, a maneira mais fácil de criarmos um ambiente de ensino e aprendizagemdescontraído, alegre e centrado na criança é trabalharmos de modo sistemático e persistente paraestabelecer parâmetros claros de comportamento. Embora isso às vezes requeira grandepaciência e perseverança, particularmente nos estágios mais iniciais, sempre vale a pena. Asorientações seguintes são muito úteis:
Tratar as crianças como indivíduos
: Independentemente do tamanho da turma, é vitalque as crianças sintam que as conhecemos e nos importamos com elas como indivíduos e nãocomo um grupo a ser controlado. Isso pode envolver a adoção de estratégias específicas, taiscomo o estabelecimento de momentos individuais em que conversamos com a criança sobre suavida pessoal.
Valorizar as crianças e seu trabalho
: Ao ouvirmos as crianças sobre o que elas têm adizer, respondermos ao conteúdo do que elas dizem (em vez de apenas à linguagem) edecorarmos a sala com seus trabalhos, ajudamos a reforçar sua auto-estima e contribuímos com
 
a construção e seu sentimento de sucesso. Isso tem uma influência positiva sobre sua motivaçãoe nível de realização, bem como sobre sua disposição para cooperar e se esforçar em aula.
Elogiar o bom comportamento
: Do mesmo modo que demonstramos aprovação pelotrabalho e pelo esforço dos alunos, é importante encontrarmos oportunidades para elogiar ascriaas por seu bom comportamento. Desse modo, transmitimos a mensagem de quevalorizamos a maneira como as crianças fazem as coisas na aula e evitamos a impressão de queelas apenas recebem a nossa atenção através de reprimendas quando estão se comportandomal.
Manter as expectativas altas
: Nossas expectativas a respeito do comportamento dascrianças e de seu potencial para produzir são geralmente profecias que se concretizam. Devemosmanter nossas expectativas altas (embora não altas demais!), pois as crianças inevitavelmenteatenderão a essas expectativas.ATIVIDADES DE SALA DE AULAAté aqui nosso foco foi em estabelecer um ambiente de trabalho positivo com as crianças.Isso porém, está intimamente conectado à maneira como selecionamos e organizamos asatividades de sala de aula. Embora muitas técnicas conhecidas de professores de adultos possamser adaptadas com sucesso para turmas de crianças, alguns fatores devem ser lembrados aodecidirmos se essas técnicas são adequadas ao ensino de crianças, ou sobre as maneiras comodevem ser adaptadas:
Processo e produto
: Os adultos conseguem reconhecer o valor do processo envolvidoem uma atividade lingüística e estão dispostos a “suspender suas crenças”. As crianças não sãotão generosas. Elas tendem a apressar o processo para chegar ao produto ou resultado o maisrápido possível.
Atividade e tarefa
: Embora esses termos sejam muitas vezes usados como sinônimos, aotrabalharmos com crianças pode ser útil que façamos uma distinção. Na atividade, a motivação eo prazer são inerentes à atividade em si. Na tarefa a motivação e o prazer estão geralmentebaseados em um resultado posterior. Com crianças mais jovens, em particular, atividades que sãointrinsecamente motivadoras e prazerosas, que focam no aqui e no agora, tendem a ser melhor sucedidas que tarefas que levam a resultados e gratificações futuras.
Centralização no professor e orientação pelo professor 
: Centralização no professor éum conceito geralmente mal visto no ensino de língua estrangeira. No contexto de trabalho comcrianças, porém, isso não deve ser confundido com atividades e aulas que são orientadas peloprofessor. É geralmente vital que o professor seja uma liderança clara e que ofereça exemplosprecisos, para encorajar a turma a participar nas atividades em língua estrangeira.
Competição e cooperão
: Embora as criaas possam parecer motivadas po

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