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Terceira Idade e Espiritualidade

Terceira Idade e Espiritualidade

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O artigo aborda a importância do desenvolvimento da espiritualidade para o envelhecimento sadio.
O artigo aborda a importância do desenvolvimento da espiritualidade para o envelhecimento sadio.

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Published by: Valéria Moura Venturella on Feb 19, 2010
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A TERCEIRA IDADE E A ESPIRITUALIDADE
1
 Leda Lísia Franciosi Portal
2
Valéria Moura Venturella
3
VELHICE OU TERCEIRA IDADE?O filósofo e poeta egípcio Ptá-hotep discorreu sobre o envelhecimento em 2.500 a.C.:
Como são difíceis e dolorosos os últimos dias de um velho! Fica mais fraco acada dia; os olhos quase não em, os ouvidos ficam surdos; a foadesfalece; o coração não conhece mais a paz; a boca silencia e não dizpalavra. O poder da mente diminui e hoje não pode lembrar como foi ontem.Todos os ossos doem. Coisas que até pouco tempo eram feitas com prazer são dolorosas agora; e o paladar desaparece. A velhice é a pior desgraça quepode afligir o homem (Viorst,
apud 
Mello e Abreu, 2001, p. 1).
A passagem revela a profunda frustração do autor com as limitações impostas ao ser humano idoso: diminuição das capacidades visual, auditiva e de expressão oral, a gradualperda de memória e de apetite, a fraqueza dos ossos e músculos. Essas limitações físicas,entre outras tais como a diminuição do desejo sexual, são comuns na idade avançada. O idosotoma aos poucos consciência da deterioração da própria saúde: a necessidade de constantesidas ao médico, quantidades maiores de exames e medicamentos, além d a possibilidade realde doenças causadas pela fraqueza ou pela velhice.As limitações físicas crescentes, impostas pelo avanço da idade, ocasionam na pessoaque envelhece a perda de parte significativa dos atributos físicos desejáveis em nossasociedade o que pode abalar profundamente a auto-estima do idoso (Gianiselle, 2001). Apessoa idosa passa pouco a pouco a depender dos mais jovens para uma série de tarefas quese acostumou a fazer ao longo de sua vida, podendo esse cerceamento da liberdade pessoal eda autonomia vir a causar sentimentos de insegurança, de depenncia ou mesmo deinutilidade e desvalia que facilmente levam à melancolia, à dependência e até mesmo apensamentos autodestrutivos.Acrescentadas às perdas causadas pelas limitações sicas, outras como aaposentadoria lhes ocasiona o afastamento do trabalho, da rotina e de boa parte do convíviosocial. Além disso, com o passar do tempo, o idoso passa a ver o mundo de uma maneiradiferente, sendo comum fazer balanços de sua vida e contabilizar realizações e frustrações,perdas e ganhos, boas e más opções. A morte de pessoas próximas lhes obriga a tornarem-seconscientes da proximidade cada vez maior da própria morte, que se impõe sobre sua atenção
1
Artigo publicado em inglês com o título
Spirituality Issues at Third Age
no 14
th
. International Seminar:Later Life Learning: International Themes and Perspectives, 2004, Coventry. Talis 2004 Third AgeLearning International Studies. Saskatoon, SK, Canada: Talis Network, 2003. v. 1. p. 31-36.
2
Doutora em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul; professora adjuntana Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.
3
Mestre em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul; professora noscursos de Pedagogia e Letras na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – Uruguaiana.
 
e que não pode mais ser colocada de lado tão prontamente, como lhe era comum fazer durantea juventude (Mello e Abreu, 2001).Cezar (1999), autor do inspirador livro
Fui moço, agora sou velho... e daí? 
ressalta queessas ocorrências são peculiaridades da idade avançada, que, embora possam ser atenuadasem decorrência dos avanços da medicina, não podem ser impedidas de ocorrer, e – para que apessoa que envelhece possa levar uma vida que lhe proporcione satisfação – devem ser encaradas com naturalidade.Em seu artigo
Representações sobre a velhice: o ser velho e o estar na terceira idade
,Dias (1998), estabelece que essa etapa da vida pode ser percebida de duas maneirasradicalmente diferentes, por ela denominadas
ser velho
e
estar na
 
terceira idade.
 
Ser velho
é encontrar-se no final da vida, esperando a morte(p. 60),independentemente do menor ou maior avanço da idade. Segundo a autora, o termo designauma posição que traz consigo as idéias de estagnação, de inflexibilidade, de inutilidade, deisolamento e de dependência, bem como transtornos decorrentes do desconhecimento de si oudo próprio corpo, revelando uma profunda falta de unidade interior.Um dos sinais mais evidentes dessa postura, acrescenta a autora, é o apego rígido avalores do passado e a dificuldade para lidar com as mudanças, tanto as pessoais quanto asdo mundo ao seu redor. Tal situão, geralmente é acompanhada de nostalgia e desaudosismo (César, 1999), e de dificuldades para encontrar alegrias no presente, reforçadas,por ser comum nesta fase da vida, pela inexistência de objetivos vir a acarretar desestímulo einércia.
estar na
 
terceira idade
é uma atitude, uma postura diante da vida que reconhecenovas oportunidades, tanto de auto-realização quanto de sociabilidade. O idoso que consideraessa nova etapa da vida não como o fim, mas como um novo começo ou continuidade compossibilidades, muito mais do que o aceitar das limitações, as encara como um estimulantedesafio.
Experimentando o declínio e as deficiências da idade, a pessoa pode encarar ofato como um desafio. Os limites, provões e desgostos atuam comoestimulante e incentivo, para acordar forças interiores e poder criativo, queajudarão a descobrir e desenvolver novas dimensões humanas e transformar aderrota em vitória.” (Deecken, 1973, p. 32).
Para a pessoa que se percebe na
terceira idade
, esta é uma fase de transformaçõespessoais, de busca por novas alternativas, de dedicação a novos ideais e projetos de vida.Mais do que isso, é um momento em que encontra respostas para muitos dos questionamentospessoais que se fez ao longo da vida, bem como é também a oportunidade de desfrutar daexperiência acumulada, da paciência e da tranqüilidade que o capacita para uma vida melhor.Acima de tudo, continua o autor, a
terceira idade
é vista como uma oportunidade paradar continuidade às identidades pessoais, ao sentimento de existência enquanto pessoa, com
 
papéis e funções sociais. É a chance de dar um novo sentido para a vida e para descobrir,cada um à sua maneira, as alegrias da velhice (Deecken, 1973).Importante se faz ressaltar que todos nós, seres vivos, trazemos duas tendências: deconservação e de diferenciação, ambas passíveis de manifestação ao longo de nossas vidas e,em todos os aspectos, entretanto é esta última que pressupõe mudanças, pelas quais aspessoas se diferenciam, ao mesmo tempo em que precisam conservar a si mesmas comoindividualidades únicas. As fases da mudaa, conforme Moggi e Burkhard (2000) ocercadas pelo fenômeno da crise. E a crise definitiva é a morte, que pode ocorrer em qualquer etapa da vida.Como se pode observar, ainda que não seja possível eliminar as limitações e problemasdecorrentes do envelhecimento natural do ser humano, é possível que os idosos possam sesentir bem de maneira global e tenham melhor qualidade de vida. A velhice, além das perdasnaturais traz, também, muitos ganhos – uma longa experiência de vida, o dom da sabedoria,como o maior legado que o ser humano pode deixar para gerações futuras (Mello e Abreu,2001).O idoso não tem que, necessariamente, ter medo de envelhecer. Ele pode aceitar oenvelhecimento, assumi-lo com tranqüilidade, predispondo-se a apreciá-lo como um processoque resulta em uma nova fase da vida (César, 1999).TERCEIRA IDADE: QUALIDADE DE VIDA E ESPIRITUALIDADEUma vez que acreditamos que a qualidade de vida durante a idade avançada, muitomais do que das condições físicas, depende primordialmente da atitude de cada indivíduofrente à sua vida, devemos questionar o que pode estar subjacente e o que faz a diferençaentre o idoso que tem uma percepção e, conseqüentemente, uma atitude positiva ou não frenteà sua existência.Segundo Marques (1996), o termo qualidade de vida pode ser definido – para além dosindicadores objetivos mensuráveis – como a percepção que o indivíduo tem de suas condiçõesreais de vida. Isso quer dizer que a pessoa terá uma alta qualidade de vida se estiver satisfeitacom a maneira como vive e, se atribuir a sua vida um alto valor. A autora afirma que
“uma pessoa que esteja desenvolvendo plenamente sua condição humana, certamente perceberásua vida como tendo qualidade” 
(p. 57), e acrescenta que o desenvolvimento da dimensãoespiritual de uma pessoa, por capacitá-la a se colocar em uma perspectiva global, determina amaneira como avalia suas condições de vida. Assim, é possível também relacionar diretamenteo desenvolvimento da espiritualidade com uma vida de qualidade.Alfons Deecken (1973) em seu livro
Saber envelhecer 
, afirma que a
 percepção desentido
é determinante na atitude de qualquer pessoa perante a vida, e na maneira como seconduz ao longo de sua trajetória. O autor afirma que um dos maiores problemas da

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Nelson Figueiredo added this note
Gostei muito da matéria "A terceira Idade e a Espiritualidade". Este tema nos leva a repensar a trajetória da nossa existência temporal que precisa ser refletida no âmbito da Espiritualidade. A busca de um sentido para a vida é sem dúvida um desafio que nos coloca em cheque, pois somos limitados por uma matéria corruptiva que se desgasta naturalmente.
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