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Cores Da Lua

Cores Da Lua

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20Física na Escola, v. 9, n. 2, 2008 As cores da lua cheia
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O
espetáculo da lua cheia nascendo,e depois se elevando no céu,encanta a nossa sensibilidade! Além de a lua cheia nascente nos parecermuito maior do que quando se encontraalta no céu, a sua corse modifica durante aascensão. No dia 20 defevereiro de 2008,ocorreu um eclipse to-tal da Lua. Como é bem sabido, eclipsesda Lua somente po-dem acontecer du-rante a lua cheia. A seqüência defotos da Fig. 1 foi realizada desde onascimento da lua cheia até quase o seuencobrimento total pela sombra da Terra.Na Foto 1, vemos a lua cheia nascen-te, ainda próxima do horizonte leste, ple-namente iluminada pela luz do Sol queestá se pondo no horizonte oposto. Apesarde o disco lunar se apresentar encobertopor nuvens, é possível observar que eletem uma cor amarelada contra o céu azul,ainda iluminado pelo Sol. Depois, na Foto2, a Lua encontra-se um pouco mais ele- vada (mas ainda próxima do horizonte),exibindo um belo tom de amarelo contrao céu azul escuro, fracamente iluminadopelo Sol. A Foto 3 foi realizada às21h05min, portanto quando a lua cheia já se encontrava elevada no céu. Agora acor da Lua é branca contra o céu escuro. As Fotos 4 a 6 foram tomadas enquantoa Lua penetrava no cone de sombra - ouumbra - da Terra, o que ocorreu a partirdas 22h43min. A seqüência de fotos da Fig. 1 foi rea-lizada com uma câmera digital comaumento óptico e digital, perfazendo umaampliação de cinco vezes, mantida paratodas as fotos. Comparando as imagens,é possível perceber que o disco lunar temo mesmo tamanho em todas elas, com-provando que ele permanece inalterado
Fernando Lang da Silveira
Departamento de Física, UniversidadeFederal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS, BrasilE-mail: lang@if.ufrgs.br
Maria de Fátima Oliveira Saraiva
Departamento de Astronomia,Universidade Federal do Rio Grandedo Sul, Porto Alegre, RS, BrasilE-mail: fatima@if.ufrgs.br
 A lua cheia muda de cor conforme se eleva nocéu. No nascente apresenta-se amarelada edepois, quando já se encontra elevada no céu,é branca. Durante um eclipse total, a Lua podese apresentar com uma variedade de cores en-tre marrom e amarelo. Discutimos as razõespelas quais a lua cheia exibe cores variadas.
enquanto a Lua se eleva. Portanto, a ava-liação de que a lua cheia nascente é muitomaior do que quando está elevada no céué uma ilusão [1]. A Fig. 2 mostra umafotografia da lua cheia durante o auge doeclipse, quando entãoo disco lunar se apre-sentava com uma bela cor amarela ala-ranjada. Assim, oobjetivo desse artigo édar uma explicaçãopara as diferentescores que podemosobservar na lua cheia,inclusive durante oseclipses totais.
Por que o céu é azul?
Um aspecto fundamental para acompreensão das cores que a Lua podeapresentar tem relação direta com o fatode o céu diurno ser azul. A atmosfera terrestre, fortementeiluminada pela luz branca do Sol, espalha
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preferencialmente luz com freqüênciaspróximas à da cor azul em todas asdireções. Este tipo de espalhamento é de-nominado de espalhamento de Rayleigh,e acontece quando as partículas queinteragem com a luz têm um tamanhomuito menor do que o comprimento deonda da luz, que é o caso das moléculasde oxigênio (O
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) e nitrogênio (N
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) daatmosfera terrestre. No espalhamento deRayleigh, a intensidade da luz espalhadaé inversamente proporcional à quartapotência do comprimento de onda. Usan-do o exemplo de Lynch e Livingston [2],isso significa que a luz azul, com com-primento de onda de 450 nm, é espalhadacom intensidade cerca de 3 vezes maiordo que a luz vermelha, de comprimentode onda de 600 nm. Portanto a luz espa-lhada pelas moléculas do ar é muito maisazulada do que a luz que sobre elasincidiu. Desta forma, de qualquer ponto
 A atmosfera terrestre,iluminada pela luz branca doSol, espalha preferencialmenteluz com freqüências próximas àda cor azul em todas asdireções. Desta forma, dequalquer ponto do céuiluminado com a luz solar,chegará luz azulada aos nossosolhos e veremos o céu azul
 
21Física na Escola, v. 9, n. 2, 2008As cores da lua cheia
do céu iluminado com a luz solar, chegaráluz azulada aos nossos olhos e veremos océu azul.Caso não houvesse espalhamento daradiação solar na atmosfera, o céu nãoemitiria luz e se apresentaria negro. Tal éo que acontece à noite, quando a atmos-interessa conhecer a luz que, provenientedo astro, é transmitida (não espalhada)através da atmosfera até o local daobservação. A intensidade de luz solar espalhada,além de depender do comprimento deonda, é influenciada pelo comprimento dotrajeto que a radiação percorre ao atra- vessar a atmosfera. Ao entardecer, quandoo Sol se encontra próximo ao horizonte,a luz solar deve percorrer um caminhomais longo na atmosfera do que quandoo Sol se encontra elevado no céu. A Fig. 4representa esquematicamente que a luzproveniente do Sol (ou de qualquer outroastro) deve, quando se encontra no zênite,atravessar a menor extensão de atmosferapara chegar à superfície da Terra; quandoo astro se encontra no horizonte, a luzque ingressa na atmosfera percorre umadistância muito maior até chegar à super-fície da Terra. Se tomarmos a espessurada atmosfera como sendo cerca de100km, a luz do Sol nascente ou poentedeve atravessar cerca de 1000 km deatmosfera para chegar até a superfície daTerra (é importante destacar que, na Fig.4,a espessura da atmosfera se encontra mui-to exagerada em comparação com o raioda Terra, cujo valor perfaz cerca de6400km).Desta forma, conforme o Sol estejamais próximo do horizonte, tanto maisluz é espalhada, retirando assim da luz branca preferencialmente a radiação nasfreqüências próximas à da cor azul. A luztransmitida (não-espalhada), por terperdido parte das componentes comfreqüências mais altas, apresentar-se-ámais amarela (vide a luz transmitida naFig. 3), podendo atingir a tonalidade delaranja e até de vermelho. Isto explica por-que a cor do Sol muda do quase brancoquando se encontra elevado no céu paraos tons avermelhados característicos donascente ou poente. As partículas de poei-ra presentes na atmosfera também con-tribuem para o avermelhamento do Sol,pois também espalham mais a luz azuldo que a luz vermelha, embora não deFigura 1 - Seqüência de fotos mostrando a aparência do disco lunar durante a lua cheiade 20 de fevereiro de 2008, observada na cidade de Laguna, Santa Catarina. As bordasinferiores das fotografias estão grosseiramente alinhadas paralelamente ao horizonte.Figura 2 - A Lua se apresenta em cor ama-rela alaranjada durante o auge do eclipse.Foto gentilmente cedida pela fotógrafa epublicitária Ana Lúcia Meinhardt, que arealizou utilizando uma máquina foto-gráfica acoplada a um telescópio do Obser- vatório Astronômico da PUCRS.fera, fracamente iluminada pelas estrelase pela Lua, reemite por espalhamento comtão pequena intensidade que não percebe-mos e, portanto, o céu noturno se apre-senta escuro, negro. Se não tivéssemosatmosfera, veríamos o céu negro mesmodurante o dia, quando o Sol apareceriacomo um disco brilhante (e um poucomais esbranquiçado do que realmente o vemos) entre as demais estrelas. A Fig. 3 representa de maneira esque-mática a chegada de luz solar branca emuma região da atmosfera. De acordo comesse esquema, um observador receberáradiação espalhada e enxergará aquelaregião do céu como azul.Para partículas muito maioresdo que o comprimento de onda daluz, como é o caso das gotículas deágua, o espalhamento não dependemais do comprimento de onda, eportanto a intensidade da luz espa-lhada é a mesma para todas ascores. É por isso que as nuvens são brancas e, em dias muito nublados, vemos o céu todo esbranquiçado.
 As cores do Sol
Para explicar a cor que o Sol(ou qualquer astro) apresenta,Figura 3 - Luz solar branca incide sobre uma regiãoda atmosfera que espalha preferencialmente luzcom freqüências próximas à da cor azul.
 
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(ela nasce quando o Sol está se pondo), aluz por ela refletida deve percorrer umtrajeto mais longo através da atmosferado que quando, horas mais tarde, encon-tra-se elevada no céu. Desta forma, ao seapresentar próxima ao horizonte, a luz branca proveniente da Lua tem mais luzazulada subtraída por espalhamento; por-tanto a radiação transmitida através daatmosfera contém menos luz azulada nonascente da Lua do que quando ela estáalta no céu. Assim, a luz que chega aosolhos de quem aprecia a lua cheia nas-cente, será amarelada (vide as Fotos 1 e 2da Fig. 1) por ter sido retirada da luz bran-ca, por espalhamento, a luz azulada.Depois, enquanto a Lua se eleva, menosespalhamento do azul acontece, resultan-do em uma luz transmitida com menosperda de azul e, portanto, aproximando-se cada vez mais de ser branca (vide asFotos 3 a 6 da Fig. 1).
 A cor da Lua durante seu eclipse
 A Fig. 5 representa esquematicamenteas condições para a ocorrência de umeclipse total da Lua (as dimensões do Sol,da Terra e da Lua não estão representadasem escala, bem como as distâncias entreos três corpos). A Fig. 6 ilustra o caminho da Lua,sobre o plano que é perpendicular ao eixodo cone de sombra da Terra, do ponto de vista de um observador localizado na par-te noturna do hemisfério sul de nosso pla-neta, no eclipse total de 20 de fevereiro de2008. A Lua, apesar de ter penetrado com-pletamente no cone de sombra da Terra,não passou pelo centro da umbra. A Fig.6foi construída tomando por base a Ref.[4].O círculo maior representa a zona de pe-numbra da Terra e o círculo menor indicaa umbra. As diferentes cores e tonalidades daLua na Fig. 6 reproduzem a sua aparêncianas diversas etapas do eclipse. A foto daFig. 2 foi reduzida e colocada dentro daumbra para retratar a Lua no auge doeclipse, isto é, quando a Lua se encontravana região mediana do seu trajeto dentroda umbra. A linha vermelha indica a inter-secção do plano da órbita da Terra (eclíp-tica) em torno do Sol com o plano daFig.6. A Fig. 7 é uma representação esque-mática de uma possível trajetória da Lua,no plano perpendicular ao eixo do conede sombra da Terra, durante um eclipseparcial. Neste caso, a Lua não ingressacompletamente na umbra.Se interpretarmos literalmente os dia-gramas das Figs. 5 e 6 concluiremos que,para um observador na Terra, a Lua devese tornar invisível quando ela se encontrarcompletamente imersa no cone de som- bra, pois não haverá mais luz solar paraser refletida em direção à Terra. Entre-tanto, conforme a fotografia da Fig. 2, aLua se apresenta ainda iluminada com luzamarela alaranjada! A atmosfera terrestredesempenha um papel importante paraque ocorra a iluminação da Lua quandoela já se encontra completamente imersano interior do cone de sombra. O fenô-meno responsável por isso é a refração; arefração atmosférica sempre eleva a ima-gem de um objeto celeste, a menos que oobjeto esteja no zênite, quando então asua altura já é a máxima possível. Con-forme indicado na Fig. 8, quanto menorfor a altura de um astro, maior será oFigura 4 - Quando um raio de luz incideperpendicularmente à superfície terrestre,o seu caminho através da atmosfera émínimo; quanto mais perto do horizontese encontra o astro, mais longo é o per-curso da luz dentro da atmosfera.Figura 5 - Representação esquemática das condições para a ocorrência de um eclipsetotal da Lua.Figura 6 - Trajetória da Lua no plano per-pendicular ao eixo do cone de sombra daTerra em 20 de fevereiro de 2008.Figura 7 - Trajetória da Lua no plano per-pendicular ao eixo do cone de sombra daTerra durante um eclipse parcial.maneira tão diferenciada quanto no espa-lhamento de Rayleigh. Para esses grãos depoeira, cujo tamanho é semelhante aocomprimento de onda da luz, a intensi-dade da radiação espalhada é inversamenteproporcional à primeira potência docomprimento de onda. Mesmo assim, esseefeito se soma ao espalhamento pelasmoléculas de gás, de forma que, quantomais poeira houver na atmosfera, mais vermelho será o Sol no crepúsculo.
 As cores da lua cheia
 A Lua reflete a luz branca provenientedo Sol. Embora nosso satélite pareçamuito brilhante, reflete apenas 6,7% daluz que recebe do Sol [3], estando entre osobjetos de menor refletividade do sistemasolar. As partes mais brilhantes de suasuperfície são as regiões mais altas e comcrateras, compostas de rochas ricas emcálcio e alumínio. As regiões mais escurassão zonas mais baixas, chamadas ‘mares’,compostas de rochas basálticas querefletem muito pouco a luz, daí sua coracinzentada.Quando vemos a lua cheia nascendo

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