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Teste 7.ºano Língua Portuguesa

Teste 7.ºano Língua Portuguesa

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Published by Paula Cruz
Teste 7.ºano Língua Portuguesa
Tipos de Sujeito
Teste 7.ºano Língua Portuguesa
Tipos de Sujeito

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TESTE DE AVALIAÇÃO DE LÍNGUA PORTUGUESA
 
GRUPO I
Lê,
atentamente
, o texto e responde às perguntas de forma
clara
e
completa
.Escreve com letra bem
legível
e constrói as frases correctamente.O meu avô, homem alto e magro, de cara larga, ossuda e um tanto avermelhada, olhosclaros e quase sempre tristes, tinha o costume de levantar as sobrancelhas espessas quando diziaalguma coisa importante. Isso fascinava-me e por isso me desgostava ver-lhe, por vezes, aspingas da sopa presas no bigode pendente para cada lado da boca. Não ligava com ele, sempretão apurado, com o cabelo farto, penteado cuidadosamente. «Limpa a boca, avô», dizia eu. «Ora,ora,» respondia ele, um pouco embaraçado.A avó contrastava com a figura esguia e imponente do avô. Baixa, muito baixa mesmo,tinha a cara miúda sulcada de rugas e usava o cabelo branco rigidamente penteado para cima dacabeça, onde o juntava num puxo redondo, apertado. Preferia vestidos escuros, que protegia naslidas domésticas com um avental cor de cinza.Eu, a julgar pelas velhas fotografias, não passava duma menina frágil, de cabelo louro,de feições infantilmente lisas. Nada mais descubro que valha a pena destacar.Vivíamos os três numa pequena casa com uma varanda deitada sobre a rua, cobertacom vinha. Ali minha avó passava as tardes de Verão a fazer meia ou a costurar. Ao certo nãome recordo se costurava, mas suponho que sim, pois não me lembro de costureira alguma que ativesse substituído nesse serviço. Mas seja como for: que fazia meia nunca o poderei esquecer.Vejo-a sentada na cadeira de espaldar, as agulhas a bater desembaraçadamente, enquantoobservava o que se ia passando na rua. Tão acostumada estava a fazer meia que nem precisavade olhar. Aliás, as meias eram sempre pretas, infalivelmente pretas, fossem para ela própria,para o avô ou para mim. Por isso eu, apesar de tão pequena ainda, tinha de andar sempre demeias pretas. Isso arreliava-me, porque as crianças com quem convivia não usavam meias pretase queria ser igual a elas. Cheguei a falar à avó nessa minha mágoa, mas respondeu-me:— Não digas tolices, Rose. Se as outras crianças não usam meias pretas é porque asmães não sabem ser práticas e económicas.Duas palavras que, cedo, aprendi a detestar: prático e económico. (…)Quando o sol entrava de manhã pelas três janelas da sala de visitas eu ficava encantadacom as paredes claras e alegres. Aconchegava-me no cadeirão fofo, deixava estar assim, duranteuns momentos, imóvel, para depois pegar num dos álbuns, com as suas capas de marfim e letrasfloreadas que diziam, segundo o avô me explicava «Álbum». Num, havia fotografias de pessoasde família, que, com poucas excepções, se apoiavam numa mesa oval e sorriam cordialmente.Usavam trajes de corte antiquado e chapéus que faziam lembrar fantochadas de Carnaval. Logona primeira folha o retrato da bisavó Katarina, mãe do avô.- Lindo nome, Katarina, dizia o avô. Queria que fosses também Katarina, mas a tua mãetem preferência pelos nomes que estão na moda.Eu tinha um nome que estava na moda, o que me agradava.Mas o avô, teimosamente, chamava-me com freqncia Katarina e eu, talvez porcompreender o que havia nisso de intimidade entre nós os dois, gostava.Ao virar as folhas de cartolina detinha-me sempre na fotografia da minha mãe. Era bonita,a minha mãe: a testa alta, os olhos grandes, a trança a contornar-lhe a cabeça como uma coroae uma blusa de gola engomada com a rendinha a tocar-lhe nas orelhas, o que realçava o pescoçoalto. Embora eu estranhasse não viver com ela e com o meu pai, como os meus irmãos, isso nãochegava a entristecer-me. Tinha o meu avô.Ilse Losa,
O Mundo em que vivi 
, Ed. Afrontamento, 1987
 
 
1.
Indica de entre as afirmações que se seguem
as que se adequam ao excerto queleste
:a)O narrador é participante.b)O narrador relembra factos do seu passado.c)Não sabemos o nome do narradord)Os factos a que o narrador faz referência ocorreram na sua adolescência.
1.1.
Justifica a (s) afirmação (ões) que consideraste
falsas
.
2.
Elabora a descrição possível do espaço físico em que vivem as personagens.
3.
O avô e avó eram muito diferentes um do outro. Fisicamente, que contraste seevidencia?
4.
O protagonista dá-nos alguns
traços físicos
da criança que foi.
4.1.
Em que se fundamenta para o fazer?
4.2.
O retrato que nos dá é pormenorizado? Justifica a tua opinião.
5.
Do passado, o protagonista guarda na memória recordações diversas e não apenas asque o fizeram feliz.
5.1.
Explica o facto que terá contribuído para detestar, desde a infância, aspalavras “prático e económico”.
5.2.
O álbum está associado a momentos de felicidade. Explica porquê. 
6.
Dos sentimentos abaixo referidos, selecciona aqueles que o narrador manifesta emrelação ao
avô
. Justifica a tua escolha com transcrições do texto.
Orgulho, cumplicidade, indiferença.7
. Regista a frase que na tua opinião revela a importância do avô na sua vida.

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