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De quilombo a quilombola - Um olhar sobre a comunidade Remanescente de Quilombo de Pitombeira - Várzea-PB

De quilombo a quilombola - Um olhar sobre a comunidade Remanescente de Quilombo de Pitombeira - Várzea-PB

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Artigo publicado em 2008 nos Anais do II SEMILUSO - Seminário Luso-Brasileiro: Agricultura Familiar e Desertificação, realizado na UFPB - João Pessoa-PB | Brasil, 26 a 28 de junho de 2008.
- O artigo é fruto de uma pesquisa de campo na área de Geografia Agrária, realizado na Comunidade Quilombola de Pitombeira, localizada no município de Várzea/PB | Brasil. Trata-se de uma caracterização sobre o território quilombola e e sobre as discussões que permeia a temática
Artigo publicado em 2008 nos Anais do II SEMILUSO - Seminário Luso-Brasileiro: Agricultura Familiar e Desertificação, realizado na UFPB - João Pessoa-PB | Brasil, 26 a 28 de junho de 2008.
- O artigo é fruto de uma pesquisa de campo na área de Geografia Agrária, realizado na Comunidade Quilombola de Pitombeira, localizada no município de Várzea/PB | Brasil. Trata-se de uma caracterização sobre o território quilombola e e sobre as discussões que permeia a temática

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DE QUILOMBO A QUILOMBOLA: “UM” OLHAR SOBRE A COMUNIDADE
REMANESCENTE DE QUILOMBO DE PITOMBEIRA, VÁRZEA-PB
Hugo Leonardo dos Santos MacenaAluno de Graduação em Geografia
 – 
UFPB
Resumo:
O período escravocrata brasileiro deixou profundas marcas na história do país, bem como osreflexos que se apresenta na sociedade. Os excluídos de toda e qualquer oportunidade, como nopassado, ainda estão presentes até hoje, sejam reunidos no campo ou na cidade. Com um discurso dereparo e justiça social, diversas organizações sociais vêm desenvolvendo propostas e pressionando opoder público para implementações de políticas públicas voltadas para as minorias étnicas. Sob aégide de implementar uma política de promoção da igualdade racial, o governo brasileiro, no ano de2005, desenvolveu o Programa Brasil Quilombola, que se apresenta como um conjunto de ações ediretrizes destinadas ás comunidades remanescente de quilombos. A comunidade negra de Pitombeira,localizada no município de Várzea/PB é um exemplo dentro das centenas de comunidades negras quehabitam os interiores do Brasil e algumas áreas urbanas que resistiram ao tempo, as adversidades, bemcomo as tentativas de expropriações de seu espaço vital. Hoje, essas comunidades, vêem que anecessidade de afirmação de uma identidade, pode ser a garantia da sobrevivência da comunidade.Dessa forma, neste trabalho, buscamos compreender a realidade da referida comunidade como umambiente de segregação espacial e racial e de resistência territorial, entendendo-a, sobretudo inseridaem uma conjuntura maior: a realidade das comunidades afro-descendentes do Brasil. Parafundamentação teórica desse trabalho nos apoiamos em autores da geografia e antropologia quediscutem território e etnicidade a exemplo de CARRIL (2006), HAESBAERT (2005) e RODRIGUES(2007). Apoiou-se, dessa maneira, em uma literatura sistemática da bibliografia existente sobre atemática quilombola, com um rearranjo das informações disponíveis nos meios de comunicações etambém, por meio de dados colhidos em atividade de campo. Podemos constatar que o quadro atual daimplementação das políticas públicas para o segmento é muito promissor, apesar de todas asdificuldades que o governo e os movimentos sociais vêm enfrentando.
Palavras-Chaves:
Quilombola; território; segregação
Abstract:
The Brazilian proslavery period left deep marks in the history of the country, as well as thereflexes which appear on the society. The of all and the any chance excluded, as in the past they arestill present till this day, united on the land or in the city. With a speech of repair and social justice,various social organizations are about to develop suggestions and pressuring the public power forimplementations of public politics directed toward the ethnic minorities. Under the aegis to implementa policy of offer of racial equality, the Brazilian government in the year of 2005, it developed the
 
Program Brazil Quilombola, that represents a set of action and directives destined for the remainingcommunities de quilombos. The black community of Pitombeira - located in the city of Várzea/PB isan example inside of the hundreds of black communities which populate the interior of Brazil andsome urban areas that had resisted the time, the adversities, as well as the attempts of expropriations of its living space and today see that the necessity of affirmation of an identity can be the survivalguarantee of the community. In this manner, in this work we try to understand the reality of the citedcommunity as an environment of space and racial segregation and territorial resistance, understandingit, over all inserted in a bigger conjuncture: the reality of the communities afro-descendants of Brazil.For theoretical foundation of this work we support in authors of geography and anthropology whodiscuss territory and ethnicity, for example CARRIL (2006), HAESBAERT (2005) and RODRIGUES(2007). In this way it was supported by systematic literature of the existing bibliography aboutquilombola, with a rearrangement of the information available in the communication devices and alsodata gathered in activity on the land. We can note that the topical implementation list of public politicsin this segment is very promising, in spite of all difficulties which the government and the socialmovements must come facing.
Key words:
Quilombola; territory, segregation
1. Introdução
O filósofo grego Aristóteles (384-322 a.C.), em um dos seus tratados sobre a política,com o objetivo de legitimar a escravidão comenta:
“(...) a
lguns seres, ao nascer, se vêemdestinados a obedecer; outros mandar [...] assim, dos homens, uns são livres, outros escravos[...] e que há escravos e homens livres pela própria obra da natureza (...)
(
ARISTÓTELES,[20-?], p.18-19). Como pode ser notada a escravidão não é nova na história da humanidade,
 
asmesmas tentativas de legitimar a exploração da força de trabalho escravo, surgiu quandodurante a expansão marítimo-comercial européia e a colonização do continente Americano noséculo XV, respaldando o tráfico de milhares de negros e negras oriundos da África.Como em tantas outras colônias européias do século XV, a escravidão no Brasil foiuma das principais características do período colonial sendo abolida formalmente em 1888.Os históricos quilombos, tão comuns neste período, representavam uma possibilidade deassegurar a liberdade individual, uma vez que representavam um refúgio tanto para negroscomo para índios. Dessa maneira, dentro do Brasil formaram-se novos territórios comrelações sociais completamente diferentes daquela que foi instituída pelos portugueses. Esta
 
camada da população foi, ao longo da história, ignorada e excluída das políticas públicas,tanto pelo Estado como pela sociedade, sendo possível constatar a ausência de qualquertentativa de reconhecer a população negra como cidadãos brasileiros em sua plenitude. Comoresultado, nota-se que além da adoção da prática de violência moral e física contra os negros enegras, adotou-se também o recurso da expropriação de suas terras no decorrer da históriabrasileira, sendo a repressão estendida também aos índios e pobres.A Constituição de 1988, marca a redemocratização do país. Criada com a participaçãode uma ampla camada da sociedade brasileira foi possível tornar constitucional a luta dosmovimentos negros urbanos, pelo respeito e direito ao acesso a terra e inserindo o debatesobre a criação de políticas públicas para a população negra; com destaque para oreconhecimento da possibilidade de regularização dos territórios remanescentes de quilombos.Dessa forma, reza o art. 68 / ADCT / C.F. 1988:
“ 
Aos remanescentes das comunidades dequilombos que estejam ocupando suas terras, é reconhecida a propriedade definitiva, devendoo Estado emitir-lhes títulos re
spectivos”.
 
A questão quilombola ganha impulso com grande intensidade no cenário nacional,após o Decreto nº 4.887/2003 do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sendo concedido àspopulações remanescentes de quilombos o direito da auto-atribuição como o único critériopara a identificação da comunidade. Atribuiu á Fundação Cultural Palmares
 – 
Ministério daCultura, a competência do reconhecimento da comunidade como remanescente de quilombo eao Instituto Nacional de Reforma Agrária (INCRA) a identificação, delimitação e demarcaçãode terras ocupadas pelas comunidades.Carril (2006, p.161), procura explicar a intenção do art. 68 / ADCT / C.F. 1988quando argumenta que:
Num sistema sócio-econômico-político e territorialmente excludente, a lutapela terra nos quilombos é, de um lado, uma fração da luta pela reformaagrária e de outro, uma tentativa de reparar parcialmente a histórica exclusãosocial do negro brasileiro, no tocante a comunidades com identidadespróprias
.
Com a promulgação da Constituição de 1988 e, sobretudo com o Decreto nº4.887/2003 a questão agrária no Brasil, acaba por oficializar o reconhecimento de um novosujeito social até então conhecido, porém ignorado
 – 
os remanescentes quilombolas marcadospela resistência a expropriação de suas terras e ás diversas formas de violências.

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