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Kant, as intuições puras de tempo e espaço e a formação do conhecimento.

Kant, as intuições puras de tempo e espaço e a formação do conhecimento.

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Kant, as intuições puras de tempo e espaço e a formação doconhecimento.Introdução
Lendo a tese de doutorado do jovem Kant (Pensamentos sobre a verdadeira estimação dasforças vivas) aprendi a não temer expor meu parecer sobre assuntos complexos e ainda nãoparecer com isso ser arrogante ou presunçoso. Com o velho Kant aprendi da importância enecessidade de sair da menoridade e, sobretudo fazer uso público da razão. Em virtude dissoasseguro que "às vezes posso ser ouvido com o tom de um homem que está muito seguro dacorreção de sua tese e que não teme ser refutado ou que suas conclusões possam enganá-lo.Não sou tão insensato para imaginar isto realmente, também não tenho motivo para eliminarcom tanta diligência toda a aparência de erro em minha tese, posto que, depois de todos osdeslizes a que tem estado submetido em todas as épocas o entendimento humano, não é umadesonra haver se equivocado."Neste texto busco somente analisar qual a concepção admitida por Kant para os "conceitos"(intuições) de tempo e espaço e como possibilitam ou influenciam a aquisição deconhecimento.Afirmações e conclusões bem fundamentadas e corretas acerca de sistemas filosóficoscomplexos são sempre acompanhadas por longos estudos, confrontação de vários textos emdiferentes períodos da vida do autor etc., quando isso não ocorre é comum haver equívocos.Para exemplificar a necessidade de um estudo profundo e sem afirmações apressadasvejamos o caso que temos conhecidíssimas citações sobre a vida de Kant, talvez uma das maisrepetidas é aquela que os habitantes de Königsberg (atual Kaliningrado - Rússia) acertavamseus relógios quando dos sempre pontuais passeios do filósofo. Entretanto confrontando estainformação com o livro de Manfred Kuehn - Kant: A Biography - temos que ali é dito que estamecanicidade e repetitividade dos passeios não passa de mito. Mito também seria sua vidareclusa, ausente da sociedade, sem amigos e festas e seu isolamento aos escrever suas obras.Outra coisa bastante repetida é a passagem na qual Kant diz que David Hume o despertou deseu sono dogmático. Tirando conclusões apressadas poderíamos dizer que Hume teveimportância capital na obra Kantiana. Entretanto a influência de Hume, principalmente naCrítica da Razão Pura, parece ser mínima, e infinitesimal se comparada com a influência deLeibniz. Ao longo da crítica, Kant cita Hume 12 vezes e Leibniz 21, sem contar as 8 citações aWolff, discípulo e sistematizador da obra leibniziana. Todavia, mesmo afirmações deste tipo,baseadas em números, podem ser precipitadas e mesmo incorretas se não houver umtrabalho minucioso e consistente de pesquisa e compreensão do sistema que está a serestudado , de maneira a possibilitar tais conclusões.
O cérebro não é um órgão do pensamento, mas um órgão desobrevivência, tal como garras e dentes. É feito de tal maneiraque nos faz aceitar como verdade só as coisas que nos sãovantajosas.Albert Szent Gyorgi
 
2 de 12Para ilustrar este pensamento vejamos o que Kant declara na Crítica da Razão Pura a respeitode Wolff:
Na execução do plano que a crítica prescreve, isto é, no futuro sistema da metafísica, teremosentão de seguir o método rigoroso do célebre Wolff, o maior de todos os filósofos dogmáticos.Wolff foi o primeiro que deu o exemplo (e por esse exemplo ficou sendo o fundador do espíritode profundeza até hoje ainda não extinto na Alemanha) do modo como, pela determinaçãolegítima dos princípios, clara definição dos conceitos, pelo rigor exigido nas demonstrações e aprevenção de saltos temerários no estabelecimento das conseqüências, se pode seguir ocaminho seguro de uma ciência.
(Kant, 2001, B XXXVII)Após a leitura de tal trecho se nos apressássemos a tirar conclusões, provavelmente seria a deque Kant aprecia o sistema leibnizio-wolffiano, entretanto apesar desta pomposa concessão aWolff, devemos cuidar porque o que Kant diz considerar é que "A filosofia de Leibniz e deWolff indicou uma perspectiva totalmente errada a todas as investigações acerca da naturezae origem dos nossos conhecimentos" (Kant, 2001, A 44 )Feito estas considerações e em decorrência da falta de tempo adequado para estudo, háneste texto mais de paráfrase e menos de resenha.O cenário que Kant encontrou a epistemologia no século XVVIII era bastante controverso. Deum lado o racionalismo, Leibniz e Wolf, o empirismo de Hume e a física de Newton. ORacionalismo acreditava ser possível conhecimento universal e necessário contando tãosomente com o uso da razão, não necessitando de experimentos. Já os empiristas limitavam oconhecimento aos domínios da experiência, com isso não conseguiam estabelecer o valoruniversal e necessário das leis científicas, e se os racionalistas chegavam ao dogmatismo, osempiristas caiam no ceticismo. Mas onde Kant descobriu os juízos sintéticos a priori foi naciência newtoniana, a qual partindo da observação e experimentação chegava a verdadesuniversais e necessárias. Ao se referir sobre a matemática e física é possível juízos tais como "a reta é a menor distância entre dois pontos" que é um juízo sintético ( amplia nossoconhecimento, o predicado não está incluído no sujeito) e é também a priori (universal enecessário).Esta "adesão" a Newton não é total é mais uma forma pela qual Kant realiza um exame entreidéias de Leibniz e Newton e chega às suas próprias conclusões, principalmente acerca dequestões sobre o tempo e o espaço.Na sua dissertação de 1747 onde conclui o doutorado, (Pensamentos sobre a verdadeiraestimação das forças vivas) influenciado pelo sistema leibniziano admite que os objetos sãoanteriores ao espaço, posteriormente tendendo às idéias de Newton inverte sua posição edefende que o espaço é anterior a todos as coisas, e finalmente deixa estas teses concebendoque tempo e espaço são formas a priori da sensibilidade.
O tempo, o espaço e a possibilidade do conhecimento.
Kant buscar investigar judiciosamente os princípios e regras que permitam alicerçar oconhecimento em uma base sólida e segura. Sistematiza uma teoria do conhecimento. Indagasobre o que é, e quais são as condições de possibilidade do conhecimento.Kant diz que "Todo o nosso conhecimento
começa
pelos sentidos" há que se frisar o termocomeça ou seja o conhecimento não é apenas e somente conseqüência dos sentidos, a
 
3 de 12sentença completa seria: "Todo o nosso conhecimento
começa
pelos sentidos,
daí passa
aoentendimento e
termina na razão
, acima da qual nada se encontra em nós mais elevado queelabore a matéria da intuição e a traga à mais alta unidade do pensamento." (Kant, 2001,A299)O conhecimento começa pela experiência, mas recebe ainda para compor suaformação, a modelagem impressa pelas faculdades internas do homem. Aqui há mais que umamera síntese entre idéias empiristas e racionalistas, há um evidente avanço em relação a estessistemas.Se todo o conhecimento começa pelos sentidos pode se perguntar, o que há antes daexperiência? Há o "a priori" o que é anterior a experiência, dizendo de outra forma, antes daexperiência há o sujeito que por meio de seus elementos a priori (sensibilidade ,entendimento) consegue conhecer as coisas, que se apresentam.É preciso salientar que esta forma do sujeito conhecer o mundo não é uma forma subjetiva nosentido individual, mas sim que é a única forma pela qual a espécie humana pode perceber omundo, melhor dizer algo como "subjetivismo transcendental". Diz Kant:
É-nos completamente desconhecida a natureza dos objetos em si mesmos e independentementede toda esta receptividade da nossa sensibilidade. Conhecemos somente o nosso modo de osperceber, modo que nos é peculiar, mas pode muito bem não ser necessariamente o de todos osseres, embora seja o de todos os homens.
(Kant, 2001, A 42)Como o objetivo deste artigo é a consideração sobre a noção de tempo e espaço na formaçãodo conhecimento, não haverá passos adiantes em relação a como se processa oconhecimento. Haverá uma proposital desconsideração de temas tais como os tipos de juízos:Analíticos, conhecidos sem necessidade da experimentação ( a reta é a distância mais curtaentre dois pontos) são a priori apresentam uma informação universal e necessária, mas nãoapresentam nenhum enriquecimento do conhecimento pois o predicado está contido nosujeito.Sintéticos, conhecidos através da experiência ( O avião decolou) são a posteriori e acrescentaminformação nova, mas são contingentes e particulares.Sintéticos a priori, apresentam informação nova, e, além disso, informação universal enecessária.Antes de chegar a este tipo de conhecimento é necessário que haja algo que ordene e torneconceitualmente concebível ao intelecto o turbilhão caótico de dados que se apresentam. Asformas puras do tempo e espaço tornam ao sujeito o conhecimento possível.A idéia de Newton, a qual ainda hoje prevalece em várias partes é (dizendo de modo bemsimplista) que o espaço é um grande recipiente que existe independente do universo, Deuscriou o espaço e também o tempo e depois jogou dentro deste recipiente cósmico, as estrelas,galáxias,o universo inteiro. Newton admite afora este tempo verdadeiro, absoluto ematemático, uma espécie de tempo relativo usado para coisas como marcar hora, dias mesesetc.Leibniz define o espaço e tempo assim "Longe de ser uma substância, o espaço não é sequerum ser. É uma ordem, como o tempo, uma ordem de coexistências, como o tempo é umaordem entre as existências que não estão reunidas
(Leibniz, 2009, p.79). A rigor, tempo eespaço e mesmo matéria para Leibniz não existem. Leibniz aceita relações, por exemplo, que oespaço seria o conjunto de relações entre os objetos no mundo possível. Em uma sala de aulapode existir alunos e professores e vários tipos de relações entre estas pessoas, a idéia deLeibniz é que para ser possível haver tais relações é primeiro necessário que haja alunos eprofessores, não existe um conjunto de relações professor-aluno que exista por si, parada emum ponto qualquer do mundo à espera de um conjunto aluno-mestre. Todavia estas relações

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