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História, Narrativa, Imagens – Desafios Contemporâneos do Discurso Historiográfico. Antíteses, 2008

História, Narrativa, Imagens – Desafios Contemporâneos do Discurso Historiográfico. Antíteses, 2008

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Published by jose_assun7144
Neste artigo, José D'Assunção Barros discorre sobre algumas questões essenciais acerca do "estilo" em Hitória. Quais os problemas a serem enfrentados pelo hostoriador na própria composição de seu texto? É ele um literato e um artista, além de um cientista dos estudos humanos e sociais? Pode o historiador se valer do uso de metáforas, ou mesmo de uma linguagem literária e poética, na apresentação dos resultados de sua pesquisa a partir de um texto historiográfico? Não será o próprio conceito também uma metáfora? Quais as possibilidades de representação do Tempo pelos historiadores? Poderá ele dialogar com a Literatura mais recente no que concerne aos modos de representar o tempo?

Estas questões são examinadas por José D'Assunção Barros neste artigo publicado pela revista Antíteses, da Universidade Estadual de Londrina, em junho de 2008.

Um artigo próximo a este foi também publicado por José D'Assunção Barros na revista Mneme, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte
http://www.cerescaico.ufrn.br/mneme/pdf/mneme10/imagem.pdf

Referências:

“História, Narrativa, Imagens – Desafios Contemporâneos do Discurso Historiográfico” in Antíteses – Revista do Departamento de História da Universidade Estadual de Londrina (UEL). vol. 1, n° 1, jan.- jun. de 2008, pp. 33-64.
http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/antiteses/issue/view/194
Neste artigo, José D'Assunção Barros discorre sobre algumas questões essenciais acerca do "estilo" em Hitória. Quais os problemas a serem enfrentados pelo hostoriador na própria composição de seu texto? É ele um literato e um artista, além de um cientista dos estudos humanos e sociais? Pode o historiador se valer do uso de metáforas, ou mesmo de uma linguagem literária e poética, na apresentação dos resultados de sua pesquisa a partir de um texto historiográfico? Não será o próprio conceito também uma metáfora? Quais as possibilidades de representação do Tempo pelos historiadores? Poderá ele dialogar com a Literatura mais recente no que concerne aos modos de representar o tempo?

Estas questões são examinadas por José D'Assunção Barros neste artigo publicado pela revista Antíteses, da Universidade Estadual de Londrina, em junho de 2008.

Um artigo próximo a este foi também publicado por José D'Assunção Barros na revista Mneme, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte
http://www.cerescaico.ufrn.br/mneme/pdf/mneme10/imagem.pdf

Referências:

“História, Narrativa, Imagens – Desafios Contemporâneos do Discurso Historiográfico” in Antíteses – Revista do Departamento de História da Universidade Estadual de Londrina (UEL). vol. 1, n° 1, jan.- jun. de 2008, pp. 33-64.
http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/antiteses/issue/view/194

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 José D’Assunção Barros
História, narrativa, imagens. Desafios contemporâneos do discurso historiográfico
 Antí 
teses, vol. 1, n. 1, jan.- jun. de 2008, pp. 33-64http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/antiteses
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História, narrativa, imagens.Desafios contemporâneos do discurso historiográfico
History, narrative, images.Challenges of contemporary discourse historiographical
 José D’Assunção Barros
 
ESUMO
Busca-se refletir livremente, no âmbito daHistoriografia e da Metodologia da História,sobre a questão dos estilos e modos de apre-sentação dos textos historiográficos. Procura-se questionar os padrões pré-estabelecidospara os textos historiográficos e as restriçõesque por vezes são impostas academicamente àlinguagem do historiador em nome de umapretensa “objetividade científica”. Ao mesmotempo, examina-se a contribuição de algunshistoriadores que, nas últimas décadas, esfor-çaram-se por discutir estes problemas ou queproduziram criativamente trabalhos historio-gráficos em novos estilos, linguagens e padrõesde apresentação.P
 ALAVRAS
-
CHAVE
: escrita da história, imagens,padrões historiográficos. A 
BSTRACT
 This article attempts to freely reflect, withinthe Historiography and historical methodo-logy, the question of styles and models of presenting historiographic texts. Its intent is toquestion pre-established patterns of historio-graphical texts and the restrictions occa-sionally imposed academically to the historianlanguage under the guise (pretense) of “scientific objectivity”. At the same time, itexamines the contribution of some historians who, within the last decade, have endeavoredto discuss those problems or who haveproduced creative historiographical works innew styles, languages and patterns of repre-sentation.
EYWORDS
: historical writing, images, historio-graphical patterns.
 
Há algumas décadas atrás, e mesmo ainda hoje, costuma-se exigir dohistoriador – sobretudo em alguns dos mais tradicionais setores dos meiosacadêmicos – uma linguagem extremamente objetiva, sóbria, concisa, e não raroacrescenta-se a este conjunto de requisitos uma maior discrição na utilização deartifícios literários, uma atenção contra o abuso ou mesmo contra o uso deimagens e figuras de linguagem. As maneiras de estruturar o texto também eramde resto padronizadas, e não raro alguns dos historiadores olhavam com algumadesconfiança para os seus pares que perdiam tempo imaginando novas e criativasmaneiras de apresentar os resultados de sua pesquisa, ao invés de se dedicar à
 
Doutor em História,
 
Professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e daUniversidade Severino Sombra (USS) de Vassouras.
 
 
 José D’Assunção Barros
História, narrativa, imagens. Desafios contemporâneos do discurso historiográfico
 Antí 
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“pesquisa propriamente dita”. Era o mesmo que, de modo geral, costumava-seexigir também do cientista das áreas naturais ou exatas, e não é de se estranharque a orientação de certos discursos historiográficos para uma forma de expressãoe de estruturação do texto que se pretende objetiva tenha caminhado de longa dataao passo de uma obsessiva pretensão de cientificidade da História. Poderíamosnos perguntar se este quadro já se transformou efetivamente nos dias de hoje, e seao historiador contemporâneo já é permitida uma maior liberdade criativa nosseus modos de exposição das pesquisas e reflexões historiográficas. Mas aprincipal pergunta que desejamos fazer, e à qual dedicaremos as próximas linhas,é aquela que indaga pelo que se perde com esta obsessiva busca de objetividade aonível da superfície discursiva – ou, dito de outro modo, o quanto se ganhaefetivamente em cientificismo, e o quanto se perde em arte, em flexibilidade,imaginação e criatividade?
1
 Proporemos de saída um paradoxo. A primeira
imagem
que parece oprimirmais constrangedoramente o historiador na feitura do seu trabalho é precisamentea imagem que ele faz de si mesmo como a de um cientista que não utiliza
imagens
. Algumas indagações vêm como que se agregar a esta ordem de questionamentossobre o uso da linguagem em trabalhos historiográficos. Terá o historiador odireito de livremente utilizar imagens e metáforas na elaboração de seu texto, oueste privilégio deve ser relegado exclusivamente aos poetas e criadores daliteratura imaginativa? O uso ou abuso de imagens torna o trabalho do historiadormenos científico? Ou, de outra parte, será desejável ou mesmo possível aohistoriador abster-se do uso de metáforas e imagens na descrição dos processos eestruturas históricas? Acompanharemos à partida uma interessante reflexão do filósofo FriedrichNietzsche, segundo a qual a forma mais destrutiva de ilusionismo é aquela quetransforma uma imagem em conceito e depois congela a imaginação dentro doslimites estabelecidos pelo conceito (Apud. WHITE, 1992: 349). É porque esqueceque o conceito é não raro uma imagem, que o historiador – ou o cientista –
1
No que concerne mais propriamente às escolhas estilísticas, a presença no discursohistoriográfico de uma tensão entre a dimensão poética e uma pretensa objetividade científica vem de períodos anteriores. Ao analisar o desenvolvimento da escrita da História no século XIX,Luiz Costa Lima identifica uma “tensão precisa entre o veio poético e a tentativa de encontro daobjetividade científica” – tensão que neste processo tende a se resolver pelo recalque doprimeiro (LIMA, 1989: 125). De nossa parte, propomos uma reflexão sobre esta tensão nos diasde hoje, particularmente no discurso historiográfico predominante na Academia.
 
 José D’Assunção Barros
História, narrativa, imagens. Desafios contemporâneos do discurso historiográfico
 Antí 
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permite a si mesmo depreciar um uso mais livre de imagens neste ou naquelepraticante de seu ofício menos preso a condicionamentos estilísticos sancionadospela academia. Assim, se um historiador criativo nos seus modos de apresentação do textoutiliza uma linguagem demasiado poética ou metafórica, se ele cria imagensinusitadas e compara, por exemplo, o dinamismo das relações de poder ao “mar”com suas ondas revoltas e com o seu ir e vir, ele logo se vê depreciado por um“historiador objetivo” que o acusa de estar fazendo poesia e não história. O queeste “historiador objetivo” faz, neste sentido, é apenas depreciar umas imagens emdetrimento de outras, sem perceber que o seu próprio discurso estáinevitavelmente carregado de imagens. O que ele deprecia, na verdade, são osdiscursos que incorporam mais
conscientemente
uma dimensão poética narepresentação historiográfica.Há imagens que, na imaginação congelada dos “historiadores objetivos”,passam facilmente por “científicas” e que, muito freqüentemente, ocultam dosseus próprios utilizadores o fato de que ainda assim são imagens, tão legítimas ouilegítimas como quaisquer outras. Estas imagens vertidas em conceitos, pararetomar as proposições de Nietzsche, não deixam de ser “ilusões, das quais seesqueceu que o são, metáforas que se tornaram gastas e sem força sensível,moedas que perderam sua efígie e agora só entram em consideração como metal,não mais como moedas” (NIETZSCHE, 1974: 56). Aprisionado sob o seu “céuconceitual matematicamente repartido” (Ibidem: 57), o historiador demasiadoobjetivo desconfia das metáforas intuitivas e individuais, criadas para aaproximação de um fenômeno na sua singularidade, e aposta nas imagensdescoloridas que, de resto, podem ser utilizadas de modo abrangente parasituações diversificadas:
Enquanto cada metáfora intuitiva é individual e sem igual e, por isso,sabe escapar a toda rubricação, o grande edifício dos conceitos ostenta aregularidade rígida de um columbário romano e respira na lógica aquelerigor e frieza, que são da própria matemática. Quem é bafejado por essafrieza dificilmente acreditará que até mesmo o conceito, ósseo eortogonal como um dado e tão fácil de deslocar quanto este, é somente o
resíduo de uma metáfora
, e que a ilusão da transposição artificial de umestímulo nervoso em imagens, se não é a mãe, é pelo menos a avó detodo e qualquer conceito (Ibidem).
 Abordaremos a seguir alguns casos em que as imagens mostram-se“congeladas” em conceitos, livrando-se por isto daquele desprezo que se costumadevotar no discurso acadêmico às imagens literárias.

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