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Um livro manuscrito e seu sistema de micropoders. BARROS, José D'Assunção. Em Questão. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. 2006.

Um livro manuscrito e seu sistema de micropoders. BARROS, José D'Assunção. Em Questão. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. 2006.

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Qual o papel ocupado pelo Livro manuscrito na cultura medieval, esta época em que produzir, possuir ou mesmo ler um livro era privilégio de poucos? Que poderes e micropoderes estavam implícitos na produção de um livro manuscrito, na sua posse por parte de poucos detentores dos livros que tinham de ser produzidos como exemplares únicos ou copiados artesanalmente? Como a posse de um livro expressa-se através do poder de dá-lo a ler a determinados indivíduos, e não a outros? Como os leitores de diversos tipos - dotados de diversificadas "competências leitoras" - podiam se apropriar dos livros que podiam ler, ou cuja leitura em voz alta podiam ouvir de um outro? Neste artigo, José D'Assunção Barros examina estas questões a partir de um estudo de caso, que analisa os chamados "livros de linhagens" produzidos na Idade Média portuguesa, entre os séculos XIII e XIV.

Estes livros de linhagens - um "gênero híbrido suspenso entre a genealogia e a crônica" - mostraram-se para a nobreza da época como um espaço importante de enfrentamentos, a partir do qual os ancestrais, famílias e indivíduos podiam ser enaltecidos ou depreciados. Ser incluído ou não em um livro de linhagens, ou rer um ancestral valorizado ou desvalorizado, era também uma forma adicional de poder que interagia com estes homens para qual a representação social e a memória desempenhavam uma importância crucial para firmar sua posição na sociedade.

O artigo, publicado na revista 'Em Questão' da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, desenvolve e sintetiza aspectos que foram abordados pelo autor em sua tese de doutorado: "As Três Imagens do Rei" (Niterói: UFF, 1999).

Referências:

BARROS, José D'Assunção. “Um livro manuscrito e seu sistema de micropoderes: os Livros de Linhagens da Idade Média Portuguesa” in Em Questão (Revista do Programa de Pós-Graduação em Biblioteconomia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS). Vol. 12, 2, p.4. 2006. ISSN: 1807-8893
net: http://www6.ufrgs.br/seeremquestao/ojs/viewarticle.php?id=66

BARROS, José D'Assunção As três imagens do rei – o Imaginário Régio nos livros de linhagens e nas cantigas trovadorescas (Portugal e Castela, séculos XIII-XIV). Universidade Federal Fluminense, Agosto de 1999.
Qual o papel ocupado pelo Livro manuscrito na cultura medieval, esta época em que produzir, possuir ou mesmo ler um livro era privilégio de poucos? Que poderes e micropoderes estavam implícitos na produção de um livro manuscrito, na sua posse por parte de poucos detentores dos livros que tinham de ser produzidos como exemplares únicos ou copiados artesanalmente? Como a posse de um livro expressa-se através do poder de dá-lo a ler a determinados indivíduos, e não a outros? Como os leitores de diversos tipos - dotados de diversificadas "competências leitoras" - podiam se apropriar dos livros que podiam ler, ou cuja leitura em voz alta podiam ouvir de um outro? Neste artigo, José D'Assunção Barros examina estas questões a partir de um estudo de caso, que analisa os chamados "livros de linhagens" produzidos na Idade Média portuguesa, entre os séculos XIII e XIV.

Estes livros de linhagens - um "gênero híbrido suspenso entre a genealogia e a crônica" - mostraram-se para a nobreza da época como um espaço importante de enfrentamentos, a partir do qual os ancestrais, famílias e indivíduos podiam ser enaltecidos ou depreciados. Ser incluído ou não em um livro de linhagens, ou rer um ancestral valorizado ou desvalorizado, era também uma forma adicional de poder que interagia com estes homens para qual a representação social e a memória desempenhavam uma importância crucial para firmar sua posição na sociedade.

O artigo, publicado na revista 'Em Questão' da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, desenvolve e sintetiza aspectos que foram abordados pelo autor em sua tese de doutorado: "As Três Imagens do Rei" (Niterói: UFF, 1999).

Referências:

BARROS, José D'Assunção. “Um livro manuscrito e seu sistema de micropoderes: os Livros de Linhagens da Idade Média Portuguesa” in Em Questão (Revista do Programa de Pós-Graduação em Biblioteconomia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS). Vol. 12, 2, p.4. 2006. ISSN: 1807-8893
net: http://www6.ufrgs.br/seeremquestao/ojs/viewarticle.php?id=66

BARROS, José D'Assunção As três imagens do rei – o Imaginário Régio nos livros de linhagens e nas cantigas trovadorescas (Portugal e Castela, séculos XIII-XIV). Universidade Federal Fluminense, Agosto de 1999.

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09/12/2010

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   E  m    Q  u  e  s   t   ã  o ,   P  o  r   t  o   A   l  e  g  r  e ,  v .   1   2 ,  n .   2 ,  p .   2   7   3  -   2   9   6 ,   j  u  n .   /   d  e  z .   2   0   0   6 .
273
Um livro manuscritoe seu sistema demicropoderes:
os Livros de Linhagens daIdade Média Portuguesa
José D’Assunção Barros
RESUMO
Este artigo objetiva examinar algumas questões referentes às relações entre“poder” e “livro” na época dos livros manuscritos medievais – refletindosobre esta questão através dos ‘livros de linhagens’ portugueses dos séculosXIII e XIV. Na primeira parte do artigo, são examinadas as relações entre poder,sociedade e o texto dos ‘livros de linhagens’. Na segunda parte, a análise édirecionada para as relações entre poder, sociedade e o livro enquanto objetosubmetido a controles sociais diversos.
PALAVRAS-CHAVE
: Poder. Livro. ‘Livro de linhagens’. Genealogia.
1
O texto que aqui se apresenta relaciona-se a uma pesquisa desenvolvida junto ao Real GabinetePortuguês de Leitura (Rio de Janeiro) com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkien de Lis-boa, onde desenvolve o tema “O Imaginário Cavaleiresco através das fontes narrativas egenealógicas de Portugal nos séculos XIII e XIV”.
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Um livro, não importa qual seja, insere-se necessariamente em uma com-plexa rede de poderes e micropoderes. Como texto literário, torna-se facil-mente espaço de acesso e de interdições a competências leitoras várias, fe-chando-se àqueles que não compreendem seus códigos ou que não comparti-lham o idioma comum à comunidade lingüística de seus leitores preferenci-ais, ao mesmo tempo em que se entreabre, nos seus diversos níveis, àquelesque podem apreender alguns de seus sentidos possíveis. Como objeto mesmo,o livro se oferece menos ou mais generosamente àqueles que podem adquiri-lo ou tomá-lo emprestado, ou àqueles que podem suportar ou sentir-se con-fortáveis diante das estratégias editoriais que lhe dão forma e materialidade.Como depositário de um discurso, na verdade de muitos discursos, o objeto-livro mostra-se por fim interferente e interferido, relacionando-se ao jogo depoderes e micropoderes que afetam a sociedade que contextualiza a sua pro-dução e circulação.Se tal ocorre com o livro já perfeitamente inserido na rede de mercadolivresco típica de uma sociedade capitalista, onde o texto materializa-se emum objeto-livro que se reproduz mil vezes, dez mil vezes, quinhentas milvezes, o que não diremos para os livros de períodos mais recuados? Que siste-mas de controle e constrangimento não afetarão os universos livrescos de tira-gens mais modestas, ou mesmo os livros que não eram ainda bem livros,como os incunábulos impressos com tipos móveis? Mais ainda, a que sistemasde poderes e contra-poderes não estarão sujeitos aqueles livros manuscritosque, sem desaparecerem totalmente com a entrada dos tempos modernos,imperavam no período medieval?Para além do jogo de poderes e de lutas de representações que o afetamconsideravelmente em vista do fato de que ele é antes de mais nada um livro-texto, o livro-manuscrito encerra uma série de outros espaços de interdições eacessos que se definem precisamente porque ele é também um livro-objeto detipo manuscrito, com poucas cópias, por vezes ocorrendo mesmo ser objeto
 
   E  m    Q  u  e  s   t   ã  o ,   P  o  r   t  o   A   l  e  g  r  e ,  v .   1   2 ,  n .   2 ,  p .   2   7   3  -   2   9   6 ,   j  u  n .   /   d  e  z .   2   0   0   6 .
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único. Assim, a edição, a posse, o uso, a leitura de um livro manuscrito sem-pre abrigam, nas suas múltiplas modalidades, singulares espaços de poder – eisto é particularmente válido para os chamados ‘livros de linhagens’ medie-vais. É a este gênero textual, associado a uma forma manuscrita específica,que dedicaremos as considerações a seguir. Antes de mais nada, vejamos o que eram os chamados “livros de linha-gens”. Temos aqui uma modalidade de texto que deve ser inserida no âmbitodas genealogias. Os textos genealógicos, na sua forma mais irredutível,correspondem a uma seqüência de nomes e de relações entre os nomes queconstituem uma rede familiar ou linhagística, e seu objetivo mais visível é o deperpetuar a memória e a história de uma sucessão familiar, de uma linhagem,ou mesmo de uma rede de histórias familiares que se entrecruzam. Quando agenealogia refere-se a famílias que são propostas como aristocráticas, ou que asi mesmas atribuem um
status 
de nobreza, encontramos com freqüência adenominação “nobiliários”. Na Idade Média portuguesa, entre os séculos XIIIe XIV, os nobiliários eram conhecidos mais habitualmente como “livros delinhagens”, e assumiram feições muito específicas. Diferentemente dasgenealogias dos demais países europeus do ocidente medieval, as genealogiasou ‘livros de linhagens’ de Portugal nesse período, e na verdade da penínsulaIbérica, tinham a clara peculiaridade de alternarem a modalidade genealógicapropriamente dita – a mera listagem de nomes, por assim dizer – com narra-tivas mais alentadas, de diversos tamanhos e teores.
2
Por outro lado, em comum com as demais modalidades genealógicas –tão recorrentes nos diversos países europeus do ocidente medieval – os livros
2
Os livros de linhagens foram compilados em momentos diversos entre o século XIII e XIV,sofrendo sucessivas interpolações até assumirem sua forma definitiva. São conhecidos basica-mente três livros de linhagens: o Livro Velho (LV), o Livro do Deão (LD), e o Livro de Linha-gens do Conde D. Pedro, que aqui chamaremos de Livro de Linhagens (LL). Os períodospresumíveis para as suas compilações vão de 1282 a 1290 para o LV, de 1290 a 1343 para o LD,e de 1340 a 1343 para o LL. As três fontes já possuem edições diplomáticas importantes. 1)Livros Velhos de Linhagens. (incluindo o “Livro Velho” e o “Livro do Deão”) e 2) Livro deLinhagens do Conde D. Pedro (MATTOSO; PIEL, 1980).

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