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Africanismos Na Lingua Portuguesa No Brasil

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A PRESENÇA DE AFRICANISMOS NA LÍNGUA PORTUGUESA DO BRASIL
Ana Paula Puzzinato
1
 Vanderci de Andrade Aguilera
2
 
Resumo
Este estudo tem como objetivo conhecer como alguns lingüistas tratam a influência dosfalares africanos no português do Brasil. Para isso, selecionaram-se autores comoAmadeu Amaral, Serafim da Silva Neto, Antenor Nascentes e Mário Marroquim, paraverificar como as palavras oriundas de línguas africanas foram tratadas em suasrespectivas obras:
O dialeto caipira 
(1920),
História da língua portuguesa 
(1988),
linguajar carioca 
(1922) e
A língua do Nordeste 
(1934). Para dimensionar essaabrangência, além das obras mencionadas, foram feitas pesquisas em cartaslingüísticas do Atlas Prévio dos Falares Baianos – APFB (Rossi: 1964) e no AtlasLingüístico de Sergipe – ALSE (Ferreira
et alii 
: 1987). Esses Atlas correspondem aosestados em que, de acordo com interesses da economia colonial, houve a maiordistribuição de escravos africanos. Neste trabalho, propõe-se levantar os dadoslingüísticos presentes em cada uma das cartas pesquisadas e fazer a análise ediscussão das variantes de étimos africanos com base nos estudos acima referidos.Num segundo momento, busca-se verificar se a origem africana dos dados coletados éconfirmada na obra de PESSOA (2001) e nos verbetes constantes de FERREIRA(1986) e HOUAISS (2004).
Palavras-chave:
Africanismos, História, Atlas Lingüísticos, dicionários.
Abstract
Departing from researches from authors such as Amadeu Amaral, Serafim da SilvaNeto, Antenor Nascentes and Mário Marroquim, in their respective works “O dialetocaipira” (1920), “História da língua portuguesa” (1970), “O linguajar carioca” (1922) and“A língua do nordeste”(1934), this study has as its aim to get to know how some linguiststreat the influence of African speeches in Brazilian Portuguese. For bringing dimensionsto such covering, besides the works mentioned above, researches were done in thelinguistic sheets from the “Atlas Prévio dos Falares Baianos” (the Previous Atlas ofSpeeches in the state of Bahia) – APFB (Rossi: 1964) and from the “Atlas Lingüístico deSergipe” (the Linguistic Atlas in the state of Sergipe) – ALSE (Ferreira
et alii 
: 1987).These atlases correspond to the states that, according to interests in the colonialeconomy, there was a bigger distribution of African slaves. In this work, we propose toshow linguistic data found in each investigated sheet and do an analysis and discuss thevariants of African etymology based on the studies above referred. In a second moment,we search to verify if the African origin of the collected data is confirmed in the work ofPESSOA (2001) and in the dictionary entries found in FERREIRA (1986) and HOUAISS(2004).
1
Bolsista do UEL/Afroatitude, graduanda do curso de Letras.
2
Orientadora, doutora em Letras, pfessora do Departamento de Letras Vernáculas e Clássicas da UEL.
 
 2
Keywords:
Africanisms, History, Linguistic Atlases, dictionaries.
Introdução
No início do século XVI, os integrantes da frota portuguesa de exploração aoAtlântico, ao chegarem à costa brasileira se depararam com populações indígenas devárias nações, distribuídas ao longo de todo o litoral. Mais tarde, os colonizadores,ainda na primeira metade do século, voltando à terra descoberta, necessitavam de mãode obra para a extração da madeira, outras atividades agrícolas e para a busca dassonhadas riquezas minerais. Para isso, buscaram nos índios o trabalho escravo e aoportunidade de catequizá-los. No entanto, o índio era considerado mau trabalhador porser nômade e ter dificuldades para se adaptar e se fixar na lavoura. Marroquim (1934,p. 28 e 29) cita que, nas
Memórias Históricas da Província de Pernambuco 
, JoséBernardo Fernandes Gama dá uma amostra do regime de trabalho do índio:
“Em quanto ao resto, os índios não alugavam jamais os seus braços por tempoilimitado, porém, sim, por vinte dias, por exemplo... Antes mesmo de expirar seucontrato, exigiam os selvagens os seus salários, temendo não receberem cousaalguma, e quando eram pagos antes, deixavam não poucas vezes o trabalho sem oterminarem. Muitas vezes, tomavam a fuga para se subtraírem a toda espécie de jugo”
Diante dessa dificuldade, os colonizadores europeus recorreram à escravidão denegros importados da África. Com a vinda do negro, o que ocorreu em nosso país foi aincorporação de etnias na sociedade branca, principalmente no norte do país. Basta vera descrição das tarefas exercidas pelo negro para perceber quão grande era aimportância conferida a ele. O jesuíta Antonil, citado por Queiroz (1987, p. 26),expressou essa importância, no início do século XVIII, referindo-se à economia do
 
 3
açúcar:
 
Os escravos são as mãos e os pés do senhor de engenho, porque sem eles no Brasil não é possível conservar e aumentar fazendas, nem ter engenho corrente.
 
Criou-se, então, uma comunidade de negros, brancos e índios, o que acarretounumerosos fenômenos de aculturação (fatos que decorrem do contato dos homens quepossuem culturas e línguas diferentes), pela qual cada indivíduo acaba absorvendoelementos culturais de seu meio, e daí ocorre, tipicamente, uma aprendizagemincidental, que pode envolver observação e imitação. A interferência lingüística é umdos aspectos da aculturação. O índio, elemento oriundo da terra onde se encontra, foi oprimeiro a aprender o português. Mas foi quase simultânea a aprendizagem por eles epelos negros, uma vez que este foi logo introduzido no contexto em que o índio seencontrava. Segundo Nascentes (1957, p. 132), João Ribeiro afirma que isso ocorreupor volta de 1532. Antes que houvesse esse aprendizado, por causa da necessidade dese comunicarem, surgiu uma linguagem de gente inculta, denominada crioulo, ousemicrioulo. Tanto os senhores como os escravos precisavam entender e se fazerementendidos e, em razão disso, falavam de um modo deficiente, simplificado. Para SilvaNeto (1988, p. 436), os “crioulos são falares de emergência, com caracteres definidos evida própria, que consistem na deturpação e simplificação extrema de uma língua,quando imperfeitamente transmitida e aprendida por gente de civilização inferior”.Embora concorde que houve o contato vivo entre negros e brancos, Silva Netoafirma que, graças à escola e à influência das altas classes, essa linguagem foidesaparecendo em benefício de uma linguagem culta e aperfeiçoada. Para esselingüista, a influência africana, assim como outras, no português do Brasil, tem sempresido exagerada, talvez pelo desejo de exaltar a riqueza do nosso vocabulário ou de

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