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Câmara clara resenha

Câmara clara resenha

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08/04/2013

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Em
 A Câmara clara
, Roland Barthes tenta decifrar o enigma que é a fotografia eos verdadeiros motivos pelos quais as fotos são teoricamente objetivas, mas na práticase tornam completamente subjetivas e passíveis a múltiplas interpretações. Barthes estácerto de que toda foto representa um fato que realmente ocorreu. Essa certeza não existemais no culo XXI, que a tecnologia permite forjar fotos em programas decomputador e admiti-las como verdadeiras.O semiólogo afirma que é difícil falar da Fotografia e que discorrer sobre umaúnica foto é menos complicado. Na realidade, o difícil é generalizar uma forma de arteque “repete mecanicamente o que nunca mais poderá repetir-se existencialmente” e queao mesmo tempo produz uma imagem vazia e sem linguagem própria. A conclusão aque se chega é que as fotos não têm uma identidade robusta e não necessitam apenas dodedo do fotógrafo na câmera – seja ele profissional ou amador – para se concretizar.Para Roland Barthes, nem sempre as fotos se “concretizam”, pois há aquelas quenão lhe transmitem sentimento algum, apenas um vazio. Em contrapartida, há fotos queexistem e isso ocorre devido à presença de dois elementos heterogêneos: o
 studium
, omotivo pelo qual o autor se interessa por uma foto, e o
 punctum
, um elemento que punge como uma flecha, que transpassa e escandaliza o
 studium
.Apesar disso, até hoje há dúvidas sobre o “gênio próprio” da fotografia, ou seja,se ela realmente existe e se sustenta. Na sociedade pós-moderna em que se vive – naqual a imagem tem valor maior que a essência verdadeira de tudo –, a fotografia não éum grande vazio, e sim um elemento concreto do cotidiano das pessoas. Não se imaginanem ao menos ler um jornal se nele não há nenhum tipo de ilustração. As pessoas sãodependentes da imagem, valorizando-a mais que as palavras.As imagens se banalizaram e, atualmente, não se pensa mais nas diferentesformas de percepção da fotografia. Cada foto pode ser objeto de três práticas, de acordocom Roland Barthes, pois há quem a faça (
Operator 
), quem a suporte (
Spectrum
) equem a veja (
Spectator 
). É imprescindível considerar que a fotografia digital abalou emodificou grande parte da análise de Barthes. A foto se tornou menos perecível – por não ter mais a mesma validade que a do papel de impressão – e o ato de tirar fotos setransformou em uma ação rápida e simples; é geralmente algo impensado e semsignificação alguma.As fotos podem ser 
deletadas
com um simples movimento, ou seja, são produtosfacilmente descartáveis. Essa situação é similar à perda da
aura
com a produçãoindustrial de obras de arte
 ,
como Walter Benjamin analisa em seu ensaio
 A obra de arte

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