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Winnicott: Agressividade e Teoria Do Amadurecimento

Winnicott: Agressividade e Teoria Do Amadurecimento

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Winnicott: agressividade e teoriado amadurecimento
Elsa Oliveira Dias
Psicanalista, Doutora em Psicologia Clínica pela PUC-SP
Natureza Humana 2(1):9-48, 2000
Resumo:
O artigo aborda alguns dos principais aspectos da con-cepção winnicottiana sobre a agressividade e a destrutividade hu-manas, à luz da teoria do amadurecimento. Salientando ser esse umdos temas em que melhor se pode constatar a mudança paradigmáticaoperada por Winnicott com relação à psicanálise tradicional, o arti-go examina a posição do autor segundo a qual, em vez de manifesta-ção de forças intrapsíquicas ou de afetos, a agressividade edestrutividade humanas estão intrinsecamente relacionadas à ques-tão da constituição do sentido da realidade externa. Atendo-se so-bretudo aos estágios iniciais, em que se mostram as raízes daagressividade, o estudo explicita a natureza múltipla do fenômenosegundo a sua raiz no processo de amadurecimento, descrevendo ocaráter das manifestações agressivas no estágio de dependência ab-soluta do bebê em relação à mãe e nos estágios em que a dependên-cia se torna relativa. São abordadas algumas implicações para a clí-nica winnicottiana.
Palavras-chave:
agressividade, destrutividade, realidade, esponta-neidade, motilidade, instintualidade.
 Abstract:
The article talks about some of the main aspects of thewinnicottian conception regarding human aggressiveness anddestructiveness, in the light of the maturation theory. Pointing outthat this is one of the themes where we can better see the pragmatic
 
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Elsa Oliveira Dias
change operated by Winnicott regarding traditional psychoanalysis,the article examines the author’s position by which, instead of themanifestation of intra-psychic forces or affections, human aggressivenessand destructiveness are intrinsically related to the constitution issue of the sense of external reality. Keeping, over all, to the initial stages, wherethe roots of aggressiveness are seen, the study explains the multiple natureof the phenomenon as per its roots in the maturation process, describingthe character of the aggressive manifestations in the state of absolutedependence of the baby in relation to the mother, and in the stageswhere the dependence becomes relative. A few implications for thewinnicottian clinic are mentioned.
Key-words:
aggressiveness, destructiveness, reality, spontaneity,motility, instinctuality.
1. Introdução
Winnicott dedicou muito de seu esforço teórico para a elucidaçãoda agressividade e destrutividade inerentes à natureza humana. A ques-tão atravessa toda a sua obra e consiste em um dos melhores exemplosde mudança paradigmática com relação à psicanálise tradicional. Umaformulação mais acabada da questão só veio a ocorrer, segundo elemesmo, em um de seus últimos e mais importantes artigos: “O uso deum objeto e o relacionamento através de identificações”, de novembrode 1969.
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Ao longo da obra, e já no seu primeiro artigo sobre o tema, “Aagressão e suas raízes”, escrito em 1939, a concepção de Winnicott diver-ge das teorias freudiana e kleiniana. Com relação a Freud, o ponto dediscordância central reside no fato de este localizar as raízes daagressividade na reação às inevitáveis frustrações, no contato com o prin-
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Em
 Natureza Humana
, numa nota de rodapé acrescentada em 1970, ele afirma quea razão que o impediu de publicar antes esse livro foi não ter dada por resolvida aquestão das raízes da agressividade (Winnicott 1988, p. 99).
 
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Winnicott: agressividade e teoria do amadurecimento
cípio de realidade. Para Winnicott, contudo, a agressividade, que é re-lativa à frustração, pressupõe um alto grau de amadurecimento, impossí-vel de ser concebido nos momentos iniciais. Ele diz:
Que a frustração provoque raiva durante tais fases, é óbvio; mas, nanossa teoria dos estágios iniciais, precisamos estar preparados paraencontrar a agressão que precede a integração do eu, integração estaque tornará possível, num estágio posterior, a raiva pela frustraçãoinstintual e que faz com que a experiência erótica seja uma experiên-cia. (1955c, p. 371)
Com relação à teoria kleiniana, os motivos são bem conhecidos: nela, aagressividade humana, que se expressa como inveja, ódio ou sadismo, ésempre uma manifestação da pulsão de morte, ou pulsão destrutiva, eesta é um elemento constitucional do indivíduo, variando de intensidade.Para Winnicott, a agressividade que alguns bebês manifestam, desde oinício, nunca é uma questão exclusiva da emergência de instintos agressi-vos primitivos e “nenhuma teoria válida sobre a agressividade poderá serconstruída sobre premissa tão falsa” (1957d, p. 90). Com relação a ambas,uma outra objeção: as duas teorias deixam de considerar a importânciado ambiente nos estágios iniciais, ou seja, a dependência do bebê e o fatode que este reage ao tipo de cuidados que recebe.O que pretendo, neste estudo, é examinar alguns dos elementosconceituais que Winnicott nos oferece para a compreensão dos vários fe-nômenos de agressividade e destacar aspectos da originalidade da suaconcepção. Vou me restringir, basicamente, aos estágios iniciais, em quese mostram as raízes da agressividade
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Na obra winnicottiana, a expressão “raízes da agressividade” deve ser tomada lite-ralmente, já que, muitas vezes, uma capacidade para a agressividade real não che-ga jamais a desenvolver-se no indivíduo.

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