A pesquisa brasileira, principalmente em comunicação, incluindo-se portanto osestudos de jornalismo, trabalha o conceito de gênero por cada critério em separado: ou por domínio (no caso dos estudos de jornalismo) ou por mídia (no caso dos estudos de gênerostelevisivos, no caso da semiótica e dos estudos culturais em comunicação), mas não se pesquisa por mídia e domínio ao mesmo tempo. Enquanto a mídia é considerada um critériode genericidade, o domínio é colocado em segundo plano.
Se acreditarmos que a diferençaentre as mídias é, igualmente, uma diferença de gênero, não será possível falar emgêneros jornalísticos ou gêneros do domínio do jornalismo.
Só podem existir gêneros jornalísticos se o domínio for determinante para a genericidade de tipos discursivos. Ascaracterísticas da mídia devem ser relacionadas às condições de realização da açãocomunicativa para que se possa dizer, por exemplo, que a entrevista veiculada no impresso eno site jornalístico da rede é um mesmo gênero da indústria jornalística.O estudo separado por mídia gerou uma fatal ausência de diálogo sobre os estudos degêneros e, consequentemente, um ínfimo avanço na pesquisa desta noção. Fatal simplesmente porque, no caso dos gêneros, instituiu, sem prévia discussão, as características das mídiascomo critério para a definição da noção de gênero. Os grupos de pesquisa brasileiros,compostos por aqueles que estudam o impresso, aqueles que estudam a televisão ou aquelesque estudam o rádio, revelam uma imposição das diferentes gramáticas das mídias analógicas.A semiótica trabalha com gêneros midiáticos e gêneros digitais, a linguística com'gêneros textuais', 'gêneros digitais' e agora 'gêneros discursivos', a comunicação e o jornalismo tratam de 'gêneros digitais', 'gêneros jornalísticos', 'gêneros televisuais' e 'gênerosradiofônicos'. De similar, apenas a denominação 'gêneros digitais'.
ÁREAS/TERMOSGÊNEROMIDIÁTICOGÊNERODIGITALGÊNEROTEXTUALGÊNERODISCURSIVOGÊNEROJORNALÍSTICOGÊNEROTELEVISUALGÊNERORADIOFÔNICO
SEMIÓTICALINGUÍSTICACOMUNICAÇÃO
Para a Semiótica, mais do que um fundamento, é ponto de honra a afirmação de que arelação entre gêneros e espécies se transforma pela combinatória de diferentes códigosculturais. Considera ser possível falar em gênero midiático, independente da mídia e dodomínio que a atravessa, da formação discursiva (Foucault, 1969) desse domínio. Alinguística, por outro lado, ao trabalhar com diversos domínios (inclusivo o acadêmico, do
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