Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação
Sejam as espanholas, sejam as brasileiras, as classificações destes
dois séculos,
feitas por pesquisadores de jornalismo, devem ainda uma explicação geral dos princípios dos gêneros, umconceito de gênero jornalístico e como se constitui.“Muito embora haja trabalhos sobre diversos gêneros do jornalismo (Vasconcelos e Cantiero,1999), do jornal (van Dijk, 1990, Guimarães, 1992) e mesmo sobre componentes do texto de jornal (Lonardoni, 1999), tradicionalmente, quando há referência à categoria gêneros jornalísticos, cita-se uns poucos membros mais característicos, tais como a notícia, a reportageme o editorial. Há uma carência de trabalhos que tratem o todo, de modo que fenômenos detextualização como as seções e as páginas de jornal permanecem praticamente uma incógnitaquanto ao tratamento genérico que devamos dar-lhes, pois se, por um lado, apresentam certoscomportamentos relativos à noção de gênero que detemos no momento, por outro, se distanciam bastantes dos padrões próprios de membros como notícia e reportagem.” (Bonini, 2001)As propostas de Martínez Albertos (1991), Luiz Beltrão (1980) e de José Marques de Melo(1985), citado por todos os pesquisadores da área no Brasil, estão fundamentadas em critérios como: 1)finalidade do texto ou disposição psicológica do autor, ou ainda intencionalidade; 2) estilo; 3) modos deescrita, ou morfologia, ou natureza estrutural; 4) natureza do tema e topicalidade; e 5) articulaçõesinterculturais (cultura).A maioria dos autores que trabalhou na classificação de gêneros jornalísticos esteve baseada naseparação entre forma e conteúdo, o que gerou a divisão por temas, pela relação do texto com arealidade (opinião e informação) e deu vazão ao critério de intencionalidade do autor, que realiza umafunção (opinar, informar, interpretar, entreter). A função, ao invés de ser vista como ‘intenção’ do autor,deve ser trabalhada como cumprimento dos poderes, papéis e estatuto implicado no contrato de leiturade determinada prática social discursiva (gênero).Além da finalidade, estilo, estrutura (forma) e conteúdo, as tradicionais classificações (Albertos,Beltrão) procuram estar sincronizadas com a geografia, com o contexto econômico, social, político ecultural, com os modos de produção, com as correntes de pensamento e ainda com as noções deobjetividade e neutralidade. A finalidade, estrutura (organização textual), o contexto, os modos de produção (modos do discurso) apontam para direções corretas, mas são tratados superficialmente, nãodesenvolvidos enquanto critérios.“Para Marcuschi (1996), “
o desafio não está tanto na classificação e sim na proposição decritérios dessa classificação
”. Em seu trabalho, busca classificar os gêneros que vão damodalidade oral à escrita, para desvendar os processos que permeiam esta passagem. Aclassificação, então, via comparação dos gêneros, tem um
objetivo inequívoco de discernirestas modalidades, levantando critérios que as diferenciam e as aproximam
.(...)” (Bonini,2001)O interessante é que estes elementos não satisfazem aos pares, que se vêem impulsionados anovas divisões ainda hoje. Em texto produzido para o site
Sala de Prensa
, o professor boliviano RaulPeñaranda U. elenca 13 classificações por autores: Maria Julia Sierra, John Honhenberg, Martin
Vivaldi
, Jose Luis
Martínez Albertos
, Armando de Miguel, Esteban Moran, Johnson y Harris, SiegfridMandel, Luiz
Beltrão
, Jose Benitez, Juan
Gargurevich
, Marques de Melo, Erick Torrico e JohnMuller
. No final deste artigo, Peñaranda também não resiste em fechar uma classificação, a mesma:gêneros informativos, opinativos, interpretativos e de “entretenimento” (aspas do autor). E, novamente,não aprofunda a compreensão de critérios.
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Peñaranda U. Artigo citado.3
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