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Inadimplemento das obrigações

Inadimplemento das obrigações

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08/08/2013

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Inadimplemento das obrigações (disposições gerais)
 
Menezes de cordeiro:
inadimplemento é a não realização da prestação devida enquanto devida, na medida em que essa falta decumprimento corresponde a violação da norma legal ou convencional imposta pelos usos que era especificamentedirigida ao devedor como dever de prestar ou ao credor como dever de receber”Em regra, as obrigações são cumpridas voluntariamente, seja pelo devedor ou por terceiro. Quando a prestação devidanão é efetuada, diz-se que houve o inadimplemento da obrigação.Quando a inexecução da obrigação advém de culpa latu sensu do devedor, diz-se que o inadimplemento é culposo,cabendo ao credor o direito de acionar os mecanismos para pleitear o cumprimento forçado. Quando a inexecuçãodecorre de evento impossível de evitar ou impedir, o inadimplemento é fortuito.
Inadimplemento absoluto:
O inadimplemento é absoluto quando o cumprimento não poderá mais ser feito, ou o cumprimento não é mais útil aocredor. A absolutividade é total quando atinge todo o objeto. Absolutividade parcial ocorre quando a obrigação abrangevários objetos e somente uma parcela deles é atingida. O inadimplemento é relativo quando o cumprimento daobrigação é imperfeito, como no caso de mora. "Não cumprida a obrigação, responde o devedor por perdas e danos, mais juros e atualização monetária segundoíndices oficiais regularmente estabelecidos, e honorários de advogado" (art. 389).
Responsabilidade contratual e extracontratual:
 O art. 389 é o fundamento legal da responsabilidade civil contratual. É a responsabilidade que deriva do contrato. Hátambém a responsabilidade que não deriva do contrato, mas sim do dever legal. É a responsabilidade extracontratual,aquiliana ou delitual. Em ambas as situações, o inadimplemento pode gerar a obrigação de restituir perdas e danos. Na responsabilidade contratual, o inadimplemento presume-se culposo. Cabe ao inadimplente provar a ocorrência decaso fortuito ou força maior para se eximir da culpabilidade. Por exemplo: O passageiro de um ônibus não precisaprovar a negligência do motorista para exigir indenização caso haja acidente envolvendo o mesmo. É o motorista quedeve alegar motivo maior para se livrar da culpa. Na extracontratual é o lesado que deve provar a culpa do causador do dano. Por exemplo: O pedestre que é atropelado deve provar que o motorista que o atropelou agiu com culpa paraexigir indenização, não precisando o motorista provar que não. Porém, se a obrigação assumida no contrato for demeio, a culpa deve ser provada pelo lesado mediante ato negligente, imprudente ou imperito, mesmo aresponsabilidade sendo contratual. Na responsabilidade contratual, não precisa o contratante provar a culpa doinadimplente, para obter reparação das perdas e danos, basta provar o inadimplemento. O ônus da prova, naresponsabilidade contratual, competirá ao devedor, que deverá provar, ante o inadimplemento, a inexistência de suaculpa ou presença de qualquer excludente do dever de indenizar A responsabilidade civil surge em função do descumprimento obrigacional, pela desobediência de regra contratual – oupor deixar alguém de observar um preceito normativo que regula a vida.A responsabilidade contratual tem origem na convenção. Já a extracontratual tem origem na inobservância do dever genérico de não lesar outrem (neminem laedere). Os absolutamente capazes são os únicos que podem ser partes de um contrato. Por isso, a responsabilidadecontratual só atinge essa figura. Já o dever genérico de não lesar a outrem pode ser inobservado tanto por capazesquanto por incapazes. Sendo assim, a responsabilidade extracontratual também atinge tais figuras.A graduação da responsabilidade delitual é muito maior que a contratual, indo a dimensões muito mais amplas. Odireito civil, ao identificar um dano causado a outrem em decorrência de um ato ilícito, procura analisar prioritariamenteesses aspectos:
a)
Dano existente;
b)
Nexo causal;
c)
Responsabilidade do agente causou; _O Dano há que se configurar efetivo, necessário é que se comprove a existência de um dano real. Não basta existir um simples constrangimento ou um mero aborrecimento como o pagamento de uma multa devida, tem que existir umdano a valores morais da sociedade em que o individuo estiver inserido, ou um dano patrimonial indevido; – Há que necessariamente existir uma ligação entre ação ou omissão estreita entre a causa e o efeito, ou seja, o atoque o agente cometeu tem que resultar em um dano sofrido diretamente;– Há que se apurar a responsabilidade do agente no ato, omissão ou fato que causou o dano.
Responsabilidade Subjetiva
surge com um dano causado em razão de ato próprio imputado de pessoa, por quem eleresponde, ou fato de coisa ou animal sob sua guarda. A responsabilidade civil surge em face do descumprimentoobrigacional, pela desobediência de uma regra estabelecida em um contrato, ou por deixar, determinada pessoa, deobservar um preceito normativo que regula a vida. Segundo Maria Helena Diniz, a responsabilidade civil estárelacionada com
“a aplicação de medidas que obriguem alguém a reparar dano moral ou patrimonial causado aterceiros, em razão de ato próprio imputado, de pessoas por quem ele responde, ou de fato de coisa ou animal sob suaguarda (responsabilidade subjetiva) ou, ainda, de simples imposão legal (responsabilidade objetiva)” 
O inadimplemento mínimo é uma das formas de controle da boa-fé sobre a atuação de direitos subjetivos. Atualmente,é possível questionar a faculdade do exercício do direito potestativo a resolução do contratual pelo credor, emsituações caracterizadas pelo cumprimento de substancial parcela do contrato pelo devedor, mas em que, todavia, nãotenha suportado adimplir uma pequena parte da obrigação.
 
Responsabilidade objetiva
é a responsabilidade sem culpa. O agente é responsabilizado por ser previsto legalmenteque será responsável, estão inseridos nesta categoria os que praticam atividade de “risco”. A teoria do risco, origináriado Direito Francês, determina que certas atividades estão sujeitas a causar danos, portanto, estão inseridas nasatividades de risco para efeito de indenização. Atinge essa teoria principalmente os que fomentam atividades coletivas,o Estado que se responsabiliza pelos atos dos seus agentes e principalmente as atividades que correm o risco dedanificar o meio ambiente, o ambiente social.
A violação positiva do contrato
, que com a culpa in contrahendo tem sido considerada como uma das grandesdescobertas doutrinárias após a publicação do Código Civil alemão deve a sua paternidade ao berlinense H.Staub, em1902,O BGB, no § 280, regula a obrigação do devedor de indenizar o credor quando a prestação se torne impossível, eno § 286, a de indenizar o credor pelos danos causados pela sua mora, ou seja, no Código civil alemão, o devedor responde pela não-realização da prestação, em que o devedor viola a obrigação através de uma atuação positiva:fazendo o que deveria omitir ou efetuando a conduta, mas em termos imperfeitos. É essa conduta que Staub passou achamar de violação positiva do contrato, afirmando que a lacuna derivada desse silêncio deveria ser integrada pelaaplicação analógica do regime da mora. Qualquer violação positiva pode ser sempre equiparada a um não-cumprimento de normas. A solução estaria em, por aplicação analógica da mora, reconhecer à parte que atuou deforma leal ao contrato a possibilidade de escolher entre três caminhos:
a)
manter o contrato e exigir indenização por cada violação singular;
b)
exigir uma indenização geral pelo descumprimento do contrato;
c)
rescindi-lo“Os incontáveis casos nos quais alguém descumpre uma relação por meio de atuação positiva, nos quais alguémpratica aquilo de que deveria abster-se, ou efetua a prestação que deveria ser efetuada, mas de forma defeituosa.”Assim, temos que essas atuações positivas ou o cumprimento defeituoso causam danos a parte, devido a nãoobservância de um dever lateral de conduta, advindo do princípio da boa-fé, principalmente do seu vetor confiança. Onome de violação positiva do contrato foi bastante criticado, mas agora já se encontra consagrado. Entretanto, algunsautores preferem utilizar termos como “cumprimento defeituoso” ou “cumprimento imperfeito”. Assim a violação positivado contrato agiria de forma subsidiária, abarcando todos os casos que não se enquadrariam no conceito deimpossibilidade e de mora dentro da doutrina alemã.Podemos destacar três categorias de deveres laterais que podem ensejar a violação positiva do contrato: deveres deproteção, informação e cooperação. Então, estes deveres alcançam todos os interesses conexos à execução docontrato. Excluem-se de seu âmbito todos aqueles deveres que não possam ser relacionados como necessários àrealização da prestação.O não cumprimento da obrigação, ou seu cumprimento imperfeito gera a obrigação de indenizar as
perdas e danos
.O ressarcimento das perdas e danos tem o objetivo de recompor o patrimônio da parte lesada. Por isso, deve ser proporcional ao prejuízo sofrido. A contagem do prejuízo inclui, além, do que se perdeu o que se deixou de lucrar. "Nas obrigações negativas o devedor é havido por inadimplemento desde o dia em que executou o ato de que se deviaabster" (art. 390). Nas obrigações constituídas por uma série de abstenções, o credor pode mover ação de cunhocominatório para impedir o reiteramento do devedor de uma dessas abstenções. Se a obrigação for de prestaçãoúnica, pode o credor, além das perdas e danos, exigir o desfazimento do que foi realizado (art. 251).Responsabilidade patrimonial: "Pelo inadimplemento das obrigações respondem todos os bens do devedor" (art. 391). Quando as perdas e danos sãodecretadas e o pagamento não é feito, a execução será forçada, sendo que todos os bens do devedor respondem peloinadimplemento, ou seja, uma eventual penhora pode recair sobre qualquer bem do devedor. Contudo, ninguém podeser preso por dívida civil, exceto o depositário infiel e o devedor de pensão de direito de família.Contratos benéficos e onerosos: "Nos contratos benéficos, responde por simples culpa contratante, a quem o contrato aproveite, e por dolo aquele aquem não favoreça. Nos contratos onerosos, responde cada uma das partes por culpa, salvo as exceções previstas emlei" (art. 392). Contrato benéfico é o gratuito, ou seja, somente a uma parte este é vantajoso, cabendo a outra apenasos deveres, como a doação. Aquele que não se aproveita em nada com o contrato não deve ser penalizado por agir culposamente. Porém, o não cumprimento doloso gera indenização, pois ninguém pode descumprir deliberadamenteuma obrigação contraída livremente. No contrato oneroso, as duas partes estão em igualdade, com direitos e deveresrecíprocos. Sendo assim, ambos respondem da mesma forma pela culpa e pelo dolo.Inadimplemento fortuito da obrigação: "O devedor não responde pelos prejuízos resultantes de caso fortuito ou força maior, se expressamente não se houver por eles responsabilizado" (art. 393, caput). As partes podem, porém, estabelecer a responsabilização do devedor mesmo que o inadimplemento ocorra sem sua culpa (pacta sunt servanda). As circunstâncias que causaram aimpossibilidade de prestação pela parte do devedor podem ser provocadas por ato de terceiro, do credor, por casofortuito ou força maior ou por até mesmo ato do devedor, quando não houver culpa do mesmo. Em qualquer dos casos, a exoneração da culpa depende de que:
 
 a) A impossibilidade seja objetiva;b) A impossibilidade seja superveniente e inevitável. Por exemplo: Aquele que celebra uma obrigação de fazer umshow em local que está em guerra não pode alegar que não cumpriu a obrigação devido aos perigos da situação dolocal, pois era ciente das condições do mesmo.c) A impossibilidade seja irresistível, isto é, fora do alcance do devedor. Modernamente, tem-se adotado a teoria do exercício da atividade perigosa, no qual o caso fortuito ligado à coisa ou àpessoa, como a quebra de uma peça do caminhão que bate, é de responsabilidade do devedor. Somente o "fortuitoexterno", advindo de fenômeno natural, como a chuva, seria escusável nesse caso. 
Mora:
 "Considera-se em mora o devedor que não efetuar o pagamento e o credor que não quiser recebê-lo no tempo, lugar eforma que a lei ou a convenção estabelecer" (art. 394). Embora a mora também se constitua quando o devedor tentapagar de forma diferente do estipulado, o seu retardamento é o modo mais comum no qual ela se dá. Não é só pelodescumprimento da convenção que a mora acontece. O cometimento de infração à lei também a caracteriza. A súmula 54 do STJ dispõe que "os juros moratórios fluem a partir do evento danoso, em caso de responsabilidadeextracontratual. Na contratual, entretanto "contam-se os juros de mora desde a citação inicial" (art. 405). Nasobrigações de não fazer, não há o instituto da mora, pois "o devedor é havido por inadimplemento desde o dia em queexecutou o ato de que se devia abster" (art. 390). 
Mora e inadimplemento absoluto:
 Quando o retardamento da prestação torna a mesma inútil ao credor, não há mais mora, mas sim o inadimplementoabsoluto. Exemplo: de nada adianta ao credor receber o bolo que encomendou para seu casamento um dia depois dafesta. A prestação que não interessa mais ao credor é tida como impossível. Não basta que o credor alegue que a prestaçãonão lhe é mais útil, as circunstâncias devem demonstrar isto. Tanto no inadimplemento absoluto quanto na mora, surge a obrigação de restituir as perdas e danos quando tais sãoprovocadas pela culpa do devedor. Contudo, "não havendo fato ou omissão imputável ao devedor, não incorre este emmora" (art. 396). Se a mora deu-se por caso fortuito ou força maior, isto é, não havendo culpa do devedor, este nãoserá responsabilizado pelas perdas e danos. Se a obrigação tornar-se impossível sem a culpa do devedor, tambémnão haverá responsabilização deste. Todo inadimplemento e mora do devedor presumem-se culposos. Porém pode odevedor afastá-la provando que o infortuito não se originou por culpa sua. Já para o credor, o mesmo não vale. A moradeste em receber o pagamento, mesmo sem sua culpa, é sempre de sua responsabilidade. A mora accipiendi nãorequer a noção de culpa porque se o credor pudesse afastar sua responsabilidade, o devedor seria obrigado a correr com os riscos de reter o pagamento por fato que não foi ocasionado por ele. Quando o devedor está em mora, ele é notificado pelo credor, para que esteja ciente da sua situação e possa purgá-la.No inadimplemento absoluto a notificação não é necessária, já que o cumprimento da obrigação é inviável. 
Mora do devedor (solvendi)
Ocorre quando o devedor retarda culposamente o cumprimento da obrigação. Na hipótese mais comum, o sujeito seobriga a pagar certa quantia chegando seu vencimento, simplesmente não paga.
Mora ex re:
(art. 397, caput, e 398) É a declarada pela lei (o credor não precisa fazer nada para caracterizá-la). Há três casos nos quais a mora é ex re.Nos demais, ela é ex persona. São elas: a) "O inadimplemento da obrigação, positiva e líquida, no seu termo, constitui de pleno direito em mora o devedor" (art.397, caput). Todavia, "Não havendo termo, a mora se constitui mediante interpelação judicial ou extrajudicial" (art. 297,parágrafo único). É caso que se refere o parágrafo único do art. 297 é de mora ex persona, pois depende deprovidência do credor. b) "Nas obrigações provenientes de ato ilícito, considera-se o devedor em mora, desde que o praticou" (art. 398). Édesnecessária a notificação, pois a indenização é evidente. A mora é, pois, presumida. c) Quando o devedor declarar por escrito não pretender cumprir a prestação. 
Mora ex persona:
(art.397, parágrafo único) Não prevê data certa do adimplemento. Quando o credor deve acionar os dispositivos cabíveis para caracterizá-la. Ainterpelação ou notificação da mora nas relações regidas pela lei civil pode ser feita desde a demanda judicial até por uma simples carta, tendo apenas que resultar de documento escrito. O decreto lei n. 58/37, art. 14, protegendo as pessoas que adquirem imóveis loteados em prestações, dispõe que sóincorrerão em mora tais pessoas depois de serem notificadas com o prazo de trinta dias, mesmo que a parcela sejapositiva e líquida, com termo certo. É o legislador transformando uma mora ex re em mora ex persona.

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