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LIVRO - Compromisso Social Do Professor

LIVRO - Compromisso Social Do Professor

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Published by Diogo Costa
Fragmento do livro Metodologia do Ensino Superior, de Antônio Carlos Gil.
Fragmento do livro Metodologia do Ensino Superior, de Antônio Carlos Gil.

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Published by: Diogo Costa on Mar 19, 2010
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08/13/2013

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METODOLOGIA DO ENSINO SUPERIOR2. O COMPROMISSO SOCIAL DO PROFESSOR2.1. EDUCAÇÃO E SOCIEDADE
 Não é possível tratar satisfatoriamente os problemas educacionais sem fazerconsiderações acerca de sua historicidade e vinculação com fenômenos sociaismais amplos. As instituições pedagógicas são, antes de mais nada, instituiçõessociais. Cada sociedade é levada a construir o sistema pedagógico maisconveniente às suas necessidades materiais, às suas concepções do homem e àvontade de preservá-las. Ou, talvez, o sistema mais conveniente à reprodução dasrelações de poder que se manifestam em seu seio. Quando, pois, o sistemapedagógico muda é porque a própria sociedade mudou, ou porque mudaram asrelações de poder entre seus membros.O fenômeno da mudança, todavia, não ocorre de forma mecânica. Algumassociedades passam por notáveis mudanças no campo político e econômico e suasinstituições pedagógicas permanecem. Pode-se mesmo admitir que as instituiçõespedagógicas são mais cheias de sobrevivência que quaisquer outras instituiçõessociais. Tanto é que muitos dos autores dos principais métodos renovadores daeducação não eram pedagogos. Decroly e Claparède eram médicos. MariaMontessori também era médica. John Dewey foi, antes de tudo, um filósofo. Piagetera biólogo. Rogers era psicólogo. Emília Ferreiro também é psicóloga.Como instituições sociais que são, as instituições educacionais refletem ascaracterísticas do sistema social quer as inclui. Mas em seu interior manifestam-senaturalmente as contradições inerentes a esse mesmo sistema social. Daí por queações originadas do interior das instituições pedagógicas podem gerar mudançassignificativas no sistema social.Importante papel nesse processo de mudança pode ser atribuído às doutrinaspedagógicas. Essas doutrinas, oriundas na maior parte das vezes de dissensõescom os sistemas estabelecidos, ou como obra de pensadores à margem do seumeio, “concorrem para afeiçoar os espíritos e para levantar ou degradar oscaracteres, exercendo, por conseqüência, sobre os acontecimentos históricos umaparte de influência e de ação” (Compayré. Citado por Hubert, p. 5).A análise de inúmeras doutrinas pedagógicas mostra como algumas nada maisfazem que refletir os valores sociais dominantes. Outras apontam para mudançasque devam ser feitas para ajustar a sociedade a novas realidades. E outrasenvolvem até mesmo propostas de libertação dos oprimidosPara que se tenha uma história de Pedagogia, torna-se necessário, portanto,considerar tanto as doutrinas pedagógicas quanto os fatos educacionais concretos,que tem sua origem na ação dos governos ou de segmentos da sociedade.
 
Está fora dos objetivos deste livro tratar das inúmeras doutrinas que floresceram aolongo da História, bem como da evolução das instituições educacionais. Como,porém, as ações dos professores são de alguma forma influenciadas pelas doutrinase também pela orientação definida pelas instituições educacionais, serão aquiconsideradas as principais perspectivas pedagógicas deste século e suas relaçõescom os modelos de atuação do professor em sala de aula.
2.2. AS PERSPECTIVAS EDUCACIONAIS2.2.1. A Perspectiva Clássica
 A perspectiva clássica da educação enfatiza o domínio do professor, o ensino emsala de aula e a ênfase nos tópicos a serem ensinados. Em sua expressão maisextremada, vê os alunos como instrumentos passivos, capazes de aprender eaceitar orientações, mas muito imaturos para iniciar qualquer atividade significativa.Professores associados a esta abordagem vêem sua função como a de tutores queprocuram modelar o comportamento dos alunos mediante exposições edemonstrações.A preocupação básica da escola, segundo a abordagem clássica, é a de adaptar osalunos à tarefa de aprendizagem. Assim, o controle das atividades dos alunos éfundamental para evitar o desperdício e a ineficiência. Por conseqüência, aabordagem clássica valoriza a elaboração de currículos claros, com objetivos bemdefinidos e estratégias que possibilitam a avaliação do aproveitamento dos alunos.O modelo clássico tem sua origem na Antiguidade Greco-romana. Foi o dominantenas primeiras décadas deste século e, a despeito dos ataques que lhe tem sidomovidos pelos educadores progressistas, ainda constitui modelo muito valorizadoem inúmeras partes do mundo. Em muitos países subdesenvolvidos, onde educaçãoconstitui privilégio de uma elite, o modelo clássico aparece como o preponderante eassociado à reprodução das relações de poder. No Brasil é fácil verificar como essemodelo ainda goza de bastante prestígio.Mesmo nos Estados Unidos, onde os educadores progressistas conseguiraminfluenciar de forma significativa a escola nos anos 30 e 40, o modelo clássicoconseguiu novo vigor a partir da década de 60. O aparecimento do
sputnik 
soviéticoteve efeito de choque nos americanos e tornou-se um importante estímulo para seretornar ao rigor intelectual da escola clássica.Cabe também considerar que o modelo clássico se mostrou bastante favorável paraa absorção dos programas de modificação de comportamento desenvolvidos poreducadores de orientação comportamental. Graças a esses fatores, a perspectivaclássica pode ser vista como capaz de incorporar inovações, pelo menos no que serefere à tecnologia de ensino.
 
2.2.2. A Perspectiva Humanista
 A perspectiva humanista constitui uma reação à rigidez da escola clássica. Elaconsidera que sob as formas tradicionais de educação o potencial dos alunos éaproveitado apenas em parte. Por considerar que cada aluno traz para a escolasuas próprias atitudes, valores e objetivos, a visão humanista centraliza-se no aluno.Assim, sua preocupação básica torna-se a de adaptar o currículo ao aluno.Os adeptos da perspectiva humanista enfatizam mais a liberdade que a eficiência.Por isso são classificados por seus críticos como utópicos ou românticos.As bases desta orientação podem ser encontradas nas obras de pensadores comoComenius (1592-1670), Locke (1632-1704) e Rousseau (1712-1788), e deeducadores como Pestalozzi (1746-1827) e Froebel (1782-1852). Maria Montessori(1870-1952) constitui um bom exemplo de adoção desta postura, já que seu métodose baseia no princípio de que as crianças devem ter a liberdade de prosseguirsegundo o seu próprio ritmo, escolhendo e orientando suas atividades. Seustrabalhos enfatizam que as crianças estão sempre prontas para aprender, sentamprazer com o aprendizado e estão prontas a ensinar a si mesmas se lhes for dada aoportunidade.Um grande incentivo a esta orientação foi dado pelos psicólogos humanistas,sobretudo por Carl Rogers (1902-1987). Para ele, a escola constitui a instituiçãomais tradicional, conservadora, rígida e burocrática de nossa época. E propõe, comoantídoto, o ensino centrado no aluno, em que o papel fundamental do professor é ode facilitador da aprendizagem.A perspectiva humanista mais recentemente vem sendo influenciada por educadoresque enfatizam o aspecto político do ato de ensinar. Paulo Freire é uma das maisimportantes expressões dessa tendência. Suas idéias, que começaram a serpropostas na década de 60, propõem um sistema completo de educação libertadoraque iria desde a pré-escola até a universidade. Essa proposta se opõe aos sistemastradicionais de educação e visa à transformação das estruturas econômicas,políticas e sociais de opressão do povo.

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