revista cultural novitas nº 4 - março de 2010
p á g i n a 3
Elaestavacansadadocasamento.Foiquandoresolveucolocarumpontonalnarelação.Mastenhomaisconvidados,
disse ele.Olha o passarinho!, disse o fotógrafo metido a galã. Foi o que ela fez. Não se impressionou com o que viu.Para ganhar a vida a perdemos, disse o workaholic para o escritório vazio.Revoltou-se contra o sistema. Só que tarde demais. O sistema já não era o mesmo, nem ele.É muita areia para o teu caminhãozinho, avisaram. Ele não podia perder a oportunidade, única. Propôs sociedade adois amigos.Ele a comia com os olhos. Mas não era exatamente isso o que ela queria.Velas pelo quarto, lençóis de cetim, vinho, muito vinho. Passaram a noite inteira acordados... Ela não parava de falar.Veio da Inglaterra para o Brasil já idosa. Trouxe netos e netas. Caducava, quase sempre. Os gaiatos a chamavam de LadyGagá.Era chegada a hora. Chovia muito. Evitaram se olhar nos olhos. Ambos receavam se afogar em tamanho rio.Vivia na cidade luz, mas era tão apagado que ninguém o enxergava.Só se comunicavam por sinais, gestos mudos. Já não havia mais o que ser dito com palavras.É um apaixonado. Adora a busca. Um dia colocou o nome dela no Google. Ficou surpreso com os resultados.Ele rezou ao Deus Sol, mas quem o atendeu foram os Demônios da Garoa.Saia da minha vista, dizia ela com os olhos vermelhos e com o colírio na mão.Olhava-se no espelho, ele estava triste e chorava.Andava rápido! Agora corria, veloz! Meteu o pé na tábua... estava podre... caiu.
Queimeostalõesdecheque,serreoscartõesdecréditoearrebenteascontascorrentes,disseoludistananceiro.
Naladaagênciabancária,aguardavasuavez.Oshomensentrarameanunciaram:Issoéumassalto!Grandenovidade,
pensou.
Quando descobriu, o pai não aceitou. Onde foi que errei?, dizia. Para muitos o guri já era extraviado, há muito tempo.E o cristo cruzou os braços. Cansou de pedir um abraço à cidade.O cardeal é um católico de pouca fé. Festeiro, canta na minha janela toda manhã.
Pense nas Hiroshinas coitodianas... pense! Pense na masturbália siricircentes das surubundáticas esporrilhadas...pense! Pois falo ereto.Cultiva tua carcaça para a terra, fértil adubo despudorado, corpo povoado de centopéias... lucíolas ensolaradas, emsolo aradas... capitus.Cada sopro da lágrima que venta, o lenço lança um gemido, um amargo aceno gêmeo... a distância de teu olhar...A chuva manda seu recado tamborilando nos telhados... um ciciar de teu nome com dedos trêmulos de gozo...
Oparadoxoenouahipérbolenaantítesedametonímia...caramalegoricamentemetafóricos.
No clímax a metonímia gemeu onomatopéias, e o paradoxo, pleonasmos.Em sinestesia pura, o paradoxo e a metonímia, na silepse perfeita, quase tiveram uma catacrese.Prosopopeicamente, sem circunlóquios e eufemismos, a metonímia e o paradoxo, em assonância anáfora, continuaram emgradação...Mais tarde, o paradoxo e a metonímia tiveram vários oximoros e muitas elipses, para depois tudo virar uma grande ironiazeugmática.
Mozart déco ouvindo um bolero numa nuvem, viu passar Lennon nu, sem óculos, trazia Alice pela mão, lembrou deStevie Wonderland, cá embaixo.
Assim a escrever gotas de sal na pele
Cravo-te a língua na mais perfeita assimetria e os Teus lábios cálidos sussurram gemidos molhados.Eu calado, vasculho na umidade túmida, segredos,Passagens desconhecidas. O degredo longínquo deUm prazer à espera, desesperado a ser liberto, celaProtegida, vela que arde, mas não se acaba, páginaAlva sem mácula. E na elegia de formas simétricas,Sigo na busca da conquista, a desbravar o teu gozo.
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Fleur du Mondeleft a comment
malu11 replied:
Editora Novitas replied: