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revista cultural novitas nº 4 - março de 2010
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revista cultural novitas nº 4 - março de 2010
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RevistaCulturalNovitas
Ano I Número IVMarço de 2010
 
Esta é umapublicação daEditora Novitas emperiodicidade bimestral,distribuída em formaeletrônica e gratuita.Todos os textos,imagens ou qualqueroutra forma demanifestação aquipublicados foramdevidamente solicitadosa seus autores, queautorizaram suautilização por meio demensagem eletrônica.Imagens nãocreditadas a outrossão de autoria deDavid Nobrega.Editores:Letícia Losekann CoelhoDavid Fordiani NóbregaIsento de registro ISBN,conforme instrução daBiblioteca Nacional.
Editorial
David Nobrega 
Durante a primeira quinzena de Março, coletamosmaterial para dar conteúdo consistente a esta nova ediçãode nossa Revista Cultural. Dependendo de onde se olhe — melhor, se leia — nota-se que na internet existe umaquantidade tal de publicações de autores desconhecidosque chega a assustar. São milhares de beltranos, fulanos esicranos dispersos e perdidos entre bytes e gigabytes, entrepequenas frases ou grandes textos.Para esses e outros já “acomodados” (note as aspas,por favor) nas artes, criamos aComunidade Cultural Novitas que mesmo estando no início já agrega uma quantidadeboa de gente. E quantidade com qualidade, o que é aindamelhor. É um projeto despretensioso, não comercial, masque, quem sabe um dia, acabe por despontar como umbom armazém de ideias.Esta edição está, em minha humilde opinião, fantástica:temos a banda Pública com sua música “melancólica enostálgica”, temos o Carpinejar com seu humor ácido quedeve ser levado a sério, somados a vários artigos sobrevárias faces culturais. Além claro, da literatura
de si per si 
,com contos e poesia.Durante a fase de preparação de capa lançamos pelotwitter uma convocação para que nos doassem seus olhos. Teve gente que achou que era campanha do Ministérioda Saúde. Outros acreditaram que era um concursotendo como prêmio uma viagem ao Havaí. Mas muitosnos cederam graciosamente imagens de seus olhos parapodermos executar a arte da capa desta edição.Por quê olhos?
Arespostaésimplesemanjada:quematentos.Olhos
abertos. De olho no amigo, no inimigo e no neutro. Olheme enxerguem as coisas, pessoas, situações que os cercam.O ser humano, erroneamente chamado Homo Sapiens, éuma anta. Deixa de lado pequenos mistérios cotidianose singulares para atravessar mares de preocupaçõespertencentes a outros, somente para tentar o crédito deoutros ainda, que pouco se importam com sua vida.Olhos abertos para a mão estendida que se transformaem tapa quando necessário.Arregale seus olhos este ano. Estamos em ano eleitoral(eu sei que já disse isso antes em outro editorial, mas ainsitência é válida), o que quadriplica a propensão do HomoAntus em ser egoísta e centro do universo. Já está escrito: os olhos são o espelho da alma. Assim,proíba que se usem aqueles olhos cobertos por lentesescuras que evitam o contato com os seus. Leia a verdadenos olhos de quem você ama e a mentira nos olhos daqueleque te engana.Não é magia. Não são necessários gnomos ou ospoderes da Força. Basta o bom-senso e olhar, gentil, paratudo que o cerca. Esse é o remédio mais básico para que aconvivência entre todos seja proveitosa.Olho aberto para esta edição de sua Revista Culturalque a Novitas somente costura.
D
aviD
N
obrega
 
é escritor e editor da Novitas. De vez em quando se mete a desenhar, fotografar e etc. Mas bom mesmo é na cozinha.
 
revista cultural novitas nº 4 - março de 2010
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Elaestavacansadadocasamento.Foiquandoresolveucolocarumpontonalnarelação.Mastenhomaisconvidados,
disse ele.Olha o passarinho!, disse o fotógrafo metido a galã. Foi o que ela fez. Não se impressionou com o que viu.Para ganhar a vida a perdemos, disse o workaholic para o escritório vazio.Revoltou-se contra o sistema. Só que tarde demais. O sistema já não era o mesmo, nem ele.É muita areia para o teu caminhãozinho, avisaram. Ele não podia perder a oportunidade, única. Propôs sociedade adois amigos.Ele a comia com os olhos. Mas não era exatamente isso o que ela queria.Velas pelo quarto, lençóis de cetim, vinho, muito vinho. Passaram a noite inteira acordados... Ela não parava de falar.Veio da Inglaterra para o Brasil já idosa. Trouxe netos e netas. Caducava, quase sempre. Os gaiatos a chamavam de LadyGagá.Era chegada a hora. Chovia muito. Evitaram se olhar nos olhos. Ambos receavam se afogar em tamanho rio.Vivia na cidade luz, mas era tão apagado que ninguém o enxergava.Só se comunicavam por sinais, gestos mudos. Já não havia mais o que ser dito com palavras.É um apaixonado. Adora a busca. Um dia colocou o nome dela no Google. Ficou surpreso com os resultados.Ele rezou ao Deus Sol, mas quem o atendeu foram os Demônios da Garoa.Saia da minha vista, dizia ela com os olhos vermelhos e com o colírio na mão.Olhava-se no espelho, ele estava triste e chorava.Andava rápido! Agora corria, veloz! Meteu o pé na tábua... estava podre... caiu.
Queimeostalõesdecheque,serreoscartõesdecréditoearrebenteascontascorrentes,disseoludistananceiro.
Naladaagênciabancária,aguardavasuavez.Oshomensentrarameanunciaram:Issoéumassalto!Grandenovidade,
pensou.
Quando descobriu, o pai não aceitou. Onde foi que errei?, dizia. Para muitos o guri já era extraviado, há muito tempo.E o cristo cruzou os braços. Cansou de pedir um abraço à cidade.O cardeal é um católico de pouca fé. Festeiro, canta na minha janela toda manhã.
Pense nas Hiroshinas coitodianas... pense! Pense na masturbália siricircentes das surubundáticas esporrilhadas...pense! Pois falo ereto.Cultiva tua carcaça para a terra, fértil adubo despudorado, corpo povoado de centopéias... lucíolas ensolaradas, emsolo aradas... capitus.Cada sopro da lágrima que venta, o lenço lança um gemido, um amargo aceno gêmeo... a distância de teu olhar...A chuva manda seu recado tamborilando nos telhados... um ciciar de teu nome com dedos trêmulos de gozo...
Oparadoxoenouahipérbolenaantítesedametonímia...caramalegoricamentemetafóricos.
No clímax a metonímia gemeu onomatopéias, e o paradoxo, pleonasmos.Em sinestesia pura, o paradoxo e a metonímia, na silepse perfeita, quase tiveram uma catacrese.Prosopopeicamente, sem circunlóquios e eufemismos, a metonímia e o paradoxo, em assonância anáfora, continuaram emgradação...Mais tarde, o paradoxo e a metonímia tiveram vários oximoros e muitas elipses, para depois tudo virar uma grande ironiazeugmática.
Mozart déco ouvindo um bolero numa nuvem, viu passar Lennon nu, sem óculos, trazia Alice pela mão, lembrou deStevie Wonderland, cá embaixo.
Assim a escrever gotas de sal na pele
Cravo-te a língua na mais perfeita assimetria e os Teus lábios cálidos sussurram gemidos molhados.Eu calado, vasculho na umidade túmida, segredos,Passagens desconhecidas. O degredo longínquo deUm prazer à espera, desesperado a ser liberto, celaProtegida, vela que arde, mas não se acaba, páginaAlva sem mácula. E na elegia de formas simétricas,Sigo na busca da conquista, a desbravar o teu gozo.
 
 
Uma geração fast-food pode sim, por que não, ser consumidora/produtora de bons textos. Mesmo que sejam em 140 caracteres, comoacontece no Twitter.Mesmo antes do aparecimento do microblog que anda revolucionandoa maneira com que nos comunicamos, um grupo grande de escritorestem investido na criação de microtextos, os microcontos.Nesta edição,Denison Mendes (@denisonmendes)contribui comalguns microcontos, fechando com chave de ouro em uma bela poesia:

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Fleur du Mondeleft a comment

Linda!!!!!!!!!!!!!

malu11 replied:

Adorei todos os arquivos ,obrigada!
04 / 20 / 2010

Editora Novitas replied:

Que bom que tenha gostado :)
03 / 26 / 2010