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2. A aplicação do Estatuto do Aluno dos ensinos básico e secundário, actualmente emvigor, ao longo dos últimos anos, permitiu verificar que, em muitos aspectos, nãovaloriza o papel e a autoridade dos professores; não tem em conta a necessidade deuma actuação célere em situações de alteração do clima de trabalho das escolas; nãocontribui eficazmente para o desenvolvimento de uma cultura de responsabilidade dealunos e pais; e não estimula para a excelência, nem reconhece, como devia, o mérito.3. A inadequação do estatuto do aluno à realidade é hoje reconhecida por muitos,culminando no próprio Governo.O CDS-PP não reage a acontecimentos mediáticos, apenas sublinha que,infelizmente, os mesmos vêm provar que há uma enorme distância entre o discursooficial sobre a escola, e a realidade vivida em muitas escolas portuguesas. O CDScomprometeu-se, no seu programa eleitoral, com a revisão do Estatuto do Aluno. Aquiestamos a cumprir o nosso compromisso. O facto da nova ministra da Educação járeconhecer a necessidade de mudar aspectos fundamentais do Estatuto só confirma avalidade dos nossos argumentos, a actualidade deste agendamento e a necessidadede mudar com profundidade este documento estruturante do sistema de ensino.4. Assim, as necessárias alterações, que agora se propõem, são orientadas eenformadas pelos princípios que adiante se enunciam.Um dos princípios é a previsão da natureza das faltas, distinguindo entre faltas justificadas e injustificadas e estabelecendo as suas consequências, visando umacultura de responsabilidade.Assim, consideramos que as faltas resultantes da aplicação de medidas correctivas oudisciplinares sancionatórias se consideram faltas injustificadas, prevemos os limitesdas faltas injustificadas e a sua comunicação, em dois momentos distintos, aos pais ouencarregados de educação, bem como os efeitos da ultrapassagem do limite dasreferidas faltas.Tendo em conta a prevenção do abandono escolar e a efectiva aquisição deconhecimentos e competências, que o Sistema Educativo deve propiciar aos alunos,fica consignado no presente Projecto de Lei que, relativamente aos efeitos daultrapassagem do limite de faltas injustificadas, a sua violação obriga o aluno aocumprimento de um Plano Individual de Trabalho, que apenas poderá ocorrer umaúnica vez no decurso de cada ano lectivo, sendo objecto de avaliação.
 
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Com a mesma orientação de responsabilidade, é também definido que a manutençãodo incumprimento do dever de assiduidade por parte do aluno do ensino básico,abrangido pela escolaridade obrigatória, determina que o aluno possa frequentar umpercurso curricular alternativo.Fica igualmente claro que o aluno, não recuperando a assiduidade ou nãoaproveitando o plano individual de trabalho, terá como avaliação a retenção.Amplia-se assim o leque de medidas passíveis de ser aplicadas com autonomia deavaliação e decisão por parte dos professores e órgãos de gestão da escola.
 
5. Outro dos princípios é a qualificação das infracções a fim de que seja clara adistinção entre medidas disciplinares correctivas e preventivas e medidas disciplinaressancionatórias.As medidas correctivas devem ser entendidas como parte integrante do processo deensino, prosseguindo finalidades preventivas, dissuasoras, pedagógicas e deintegração.Tais medidas poderão configurar a advertência, a ordem de saída da sala de aula, aobrigatoriedade de cumprimento de tarefas ou actividades de integração, a reparaçãodos danos provocados no património escolar, o condicionamento de acesso a espaçose equipamentos escolares, ou ainda, a mudança de turma.Pelo contrário, as medidas disciplinares sancionatórias têm em vista, para além dosaspectos preventivos e pedagógicos, um sentido punitivo, que, aliás, visa evitar arepetição de comportamentos de maior gravidade, inaceitáveis no espaço escolar.Tais medidas poderão configurar a repreensão registada, a suspensão temporária dafrequência por um dia, ou entre dois e dez dias e a transferência de escola.6. Reforça-se a autoridade dos professores e das escolas, transferindo maior poder dedecisão para os professores e os órgãos de gestão dos estabelecimentos de ensino,estabelecendo a obrigatoriedade de comunicação, pelo director de escola ou doagrupamento de escolas, dos comportamentos especialmente graves que, nos termosda lei, integrem o âmbito da intervenção da Comissão de Protecção de Crianças eJovens ou do Ministério Público.Passará a ser da responsabilidade dos professores e do director das escolas a
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