Welcome to Scribd, the world's digital library. Read, publish, and share books and documents. See more
Download
Standard view
Full view
of .
Save to My Library
Look up keyword
Like this
111Activity
0 of .
Results for:
No results containing your search query
P. 1
História da Filosofia - Nicola Abbagnano

História da Filosofia - Nicola Abbagnano

Ratings:

4.5

(2)
|Views: 5,325 |Likes:
Published by Estevão Daminelli

More info:

Published by: Estevão Daminelli on Mar 23, 2010
Copyright:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

03/28/2014

pdf

text

original

 
História da Filosofia
Nicola Abbagnano
 
História da FilosofiaPrimeiro volumeNicola A bbagnano~DIGITALIZAÇÃO E ARRANJO: ÂNGELO MIGUEL ABRANTESHISTÓRIA DA FILOSOFIA 2.a Edição VOLUME ITRADUÇÃO DE: ANTÓNIO BORGES COELHOFRANCO DE SOUSA MANUEL PATRÍCIOEDITORIAL PRESENÇA Título originalSTORIA DELLA FILOSOFIA PREFÁCIO DA PRIMEIRA EDIÇÃOEsta História da Filosofia pretende mostrar a essencial humanidade dos filósofos. Aindahoje perdura o preconceito de que a filosofia se afadiga com problemas que não têm amínima relação com a existência humana e continua encerrada em uma esfera longínqua einacessível aonde não chegam as aspirações e necessidades dos homens. E junto a estepreconceito vem o outro, que é ser a história da filosofia o panorama desconcertante deopiniões que se sobrepõem -e contrapõem, privada de um fio condutor que sirva deorientação para os problemas da vida. Estes preconceitos são sem dúvida reforçados poraquelas orientações filosóficas que, por amor de um mal entendido tecnicismo,pretenderam reduzir a filosofia a uma disciplina particular acessível a poucos e assim lhemenosprezaram o valor essencialmente humano. Trata-se, todavia, de preconceitosinjustos, fundados em falsas aparências e na ignorância do que condenam. Demomstrá-loé a pretensão desta obra.Parte ela da convicção de que nada do que é humano é alheio à filosofia e de que, aocontrário, esta é o próprio homem, que em si mesmo se faz problema e busca as razões e ofundamento do serque é o seu. A essencial conexão entre a filosofia e o homem é a primeira base dainvestigação historiográfica empreendida neste livro. Sobre tal base, esta investigaçãoinclina-se a considerar a pesquisa que há 26 séculos os homens do ocidente conduzemacerca do próprio ser e do próprio destino. Através de lutas e conquistas, dispersões eretornos, esta pesquisa acumulou um tesouro de experiências vitais, que urge redescobrir efazer reviver para além da indumentária doutrinal que muito frequentemente o oculta, aoinvés de revelá-lo. E isto porque a história da filosofia é profundamente diferente da daciência. As doutrinas passadas e abandonadas já não têm para a ciência significado vital; eas ainda válidas fazem parte do seu corpo vivo e não há necessidade de nos voltarmos paraa história para apreendê-las e torná-las nossas. Em filosofia a consideração histórica é, aoinvés, fundamental; uma filosofia do passado, se foi verdadeiramente uma filosofia, não é
 
um erro abandonado e morto, mas uma fonte perene de ensinamento e de vida. Nela seencarnou e exprimiu a pessoa do filósofo, não apenas em o*, que tinha de mais, seu, nasingularidade da sua experiência de pensamento e de vida, mas ainda nas suas relaçõescom os outros e com o mundo em que viveu. E à pessoa devemos volver se queremosredescobrir o sentido vital de toda doutrina. Em cada uma de elas devemos estabelecer ocentro em torno do qual gravitaram os interesses fundamentais do filósofo, e que é aomesmo tempo o centro da sua personalidade de homem e de pensador. 'Devemos fazerreviver perante nós o filósofo na sua realidade de pessoa histórica se queremoscompreender claramente, através da obscuridade dos séculos desmemorizados ou dastradições deformadoras, a sua palavra autêntica que pode ainda servir-nos de orientação ede guia.Por isso não serão apresentados, em esta obra, sistemas ou problemas, quasesubstantivados e considerados como realidades autónomas, mas figuras ou pessoas vivas,serão feitas emergir da lógica da pesquisa em que quiseram exprimir-se e consideradas nassuas relações com outras figuras e pessoas. A história da filosofia não é o domínio dedoutrinas impessoais que se sucedem desordenadamente ou se concatenamdialecticamente, nem a esfera de acção de problemas eternos, de que cada doutrina émanifestação contingente. É um tecido de relações humanas, que se movem no plano deuma comum disciplina de pesquisa, e que transcendem por isso os aspectos contingentesou insignificantes, para se fundar nos essenciais e constitutivos. Revela a solidariedadefundamental dos esforços que procuram tornar clara, tanto quanto é possível, a condição eo destino do homem; solidariedade que se exprime na afinidade das doutrinas tanto comona sua oposição, na sua concordância tanto como na sua polémica. A história da filosofiareproduz na táctica das investigações rigorosamente disciplinadas a mesma tentativa que éa base e o móbil de todas as relações humanas: compreender-se e compreender. Ereprodu-lo quando colhe êxitos como quando colhe desenganos, nas vicissitudes de ilusõesrenascidas como nas de clarificações orientadas, e nas de esperanças sempre renascentes. A disparidade e a oposição das doutrinas perdem assim o seu carácter desconcertante. Ohomem tem ensaiado e ensaia todas as vias para compreender-se a si mesmo, aos outros eao mundo. Obtém nisso mais ou menos sucesso. Mas deve e deverá renovar a tentativa, daqual depende a sua dignidade de homem. E não pode renová-la senão voltando-se para opassado e extraindo da história a ajuda que os outros podem dar-lhe para o futuro.Eis por que não se encontrarão nesta obra críticas extrínsecas, que pretendem pÔr a claroos erros dos filósofos. A pretensão de atribuir aos filósofos lições de filosofia é ridícula,como a de fazer de uma determinada filosofia o critério e a norma de julgamento dasoutras. Todo o verdadeiro filósofo é um mestre ou companheiro de pesquisa, cuja voz noschega enfraquecida através do tempo, mas pode ter para nós, para os problemas que oranos ocupam, uma importância decisiva. Necessário é que nos disponhamos à pesquisa comsinceridade e humildade. Nós não podemos alcançar, sem a ajuda que nos vem dosfilósofos do passado, a solução dos problemas de que depende a nossa existência individuale em sociedade. Devemos, por isso, propor historicamente esses problemas, e na tentativapara compreender a palavra genuína de Platão ou de Aristóteles, de Agostinho ou de Kante de todos os outros, pequenos ou grandes, que hajam sabido exprimir uma experiênciahumana fundamental, devemos ver a própria tentativa de formular e solucionar os nossosproblemas. O problema de o que nós somos e devemos ser é fundamentalmente idêntico aoproblema de o que foram e quiseram ser, na sua substância humana, os filósofos dopassado. A separação dos dois problemas tira ao filosofar o seu alimento e à história dafilosofia a sua importância vital. A unidade dos dois problemas garante a eficácia e a forçado filosofar e fundamenta o valor da historiografia filosófica. A história da filosofia ligasimultaneamente o passado e o futuro da filosofia. Esta ligação é a essencial historicidade