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Santo Daime; mídia deturpa religiões genuinamente brasileiras

Santo Daime; mídia deturpa religiões genuinamente brasileiras

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07/06/2010

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Santo Daime: mídia deturpa e agride religiões genuinamente brasileiras
Por: Moisés Diniz 
http://blogdaamazonia.blog.terra.com.br  A revista
Veja 
acaba de publicar uma sensacionalista reportagem sobre o assassinato docartunista Glauco Vilas Boas, 53, e de seu filho Raoni, 25. Na reportagem, sem nenhuma basematerial, a revista acusa o criminoso Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, 24, Cadu, de ter ingeridoayahuasca, levando-o a cometer o crime.De forma irresponsável e leviana, a revista acusa o uso da ayahuasca como causa do crime epassa a agredir a história dos três líderes que, aqui no Acre, fundaram religiões amazônicas, deraízes indígenas: o mestre Raimundo Irineu Serra, o mestre Daniel Pereira de Matos e mestreGabriel.Na tentativa de dar base científica à reportagem, a revista
Veja 
produz um Frankenstein deintolerância religiosa, de desinformação e de preconceito com religiões amazônicas e indígenas.Em nenhum momento cita um estudo científico, com suas fontes e suas provas acadêmicas.Quando cita a Associação Brasileira de Psiquiatria, não apresenta nenhum especialista,nenhuma fonte demonstrativa ou qualquer prova do que escreve na reportagem. Apenasapresenta a caricatura de um “bacana” com transtorno psíquico, esquizofrênico, que fumavamaconha, e que tinha uma mãe e uma tia-avó também esquizofrênicas.Não apresenta outros casos semelhantes pelo Brasil afora. São mais de 200 centros, entreUnião do Vegetal e Santo Daime, com mais de 30 mil seguidores. Por que o caso Glaucodeveria servir de regra para uma religião que já completou mais de meio século sem um únicocaso de violência ou morte entre aqueles que a praticam? Aqui no Acre, entre as igrejas do Alto Santo, Barquinha e União do Vegetal, são milhares deseguidores gozando de elevada qualidade de vida, respeitados socialmente e livres das pragasdo alcoolismo e do consumo de drogas. Aqui no Acre, entre os seguidores do Santo Daime, da UDV e da Barquinha, há juízes epromotores, jornalistas renomados, deputados e prefeitos, médicos e economistas,empresários, professores de universidades, delegados, policiais, membros de academias e deinstituições laicas e respeitadas.Homens e mulheres que estudam, acessam as bibliotecas e estão informados sobre os avançosda ciência, as curvas da economia e da política e as reportagens fantasiosas, levianas,preconceituosas, anticientíficas e mentirosas de
Veja 
.Milhares de jovens escaparam das grades dos presídios e até da morte porque abraçaram areligião dos entes mágicos da floresta, das ancestrais aldeias indígenas e da fraternidade deviver como irmãos nos dias de louvor, sob a simplicidade de seus hinos e do consumoritualístico da ayahuasca.Não há um único caso de agressão física, de violência, de distúrbio ou de morte entre osseguidores da UDV, do Santo Daime ou da Barquinha, em mais de meio século de religião,entre milhares de seguidores.
 
2
 A revista
Veja 
deturpou tudo: a história e a resistência dos líderes religiosos, o papel espiritual esocial que cumpre as igrejas ayahuasqueiras, a origem indígena milenar e a longa tradição devida saudável de seus membros. A revista
Veja 
só não esqueceu daquilo que está lhe ficandopeculiar: escrever com preconceito e leviandade.
Veja 
sequer respeitou a história. A ayahuasca serviu como base para o estabelecimento de diferentes tradições espirituais porcomunidades indígenas nos países amazônicos desde tempos imemoriais. Os povos indígenasutilizaram a ayahuasca como um elo imaterial com o divino que estava entre as árvores, oslagos silenciosos, os igarapés. É que, para eles, a natureza possuía alma e vontade própria.Povos indígenas do Brasil, Peru, Bolívia, Colômbia e Equador, há quatro mil anos, utilizam aayahuasca em seus rituais sagrados, como o padre usa o vinho sacramental na Eucaristia e osindígenas bebem o peyote nas cerimônias sincréticas da Igreja Nativa Americana.O uso ritualístico da ayahuasca é bem mais antigo que o consumo do saquê ou Ki, bebidasagrada do Xintoísmo, usada a partir de 300 a.C, feito do arroz e fermentado pela salivafeminina, sendo cuspida pelas jovens virgens em tachos. As origens do uso da ayahuasca nos países amazônicos remontam à Pré-história. Há evidênciasarqueológicas através de potes e desenhos que nos levam a afirmar que o uso da ayahuascaocorra desde 2 mil a.C. A utilização da ayahuasca pelo homem branco é uma acolhida da espiritualidade das florestastropicais, um banho de rio milenar e sentimental do tempo em que os povos amazônicos viviamem fraternidade econômica e religiosa.Os ataques ao uso ritualístico-religioso da ayahuasca, como bebida sacramental, nos autoriza aafirmar que podem estar nascendo interesses menos inocentes e mais poderosos do que umasimples preocupação acadêmica com a utilização de substâncias psicoativas.Nunca é bom esquecer que a ayahuasca é uma substância natural exclusiva das florestastropicais dos países amazônicos e pode alimentar interesses econômicos relacionados apatentes e elevar a cobiça sobre a nossa inestimável biodiversidade.Não custa nada ficar alerta para essa esquizofrenia da grande mídia em atacar o usoritualístico-religioso da ayahuasca. É mais fácil roubar um pão numa padaria do que uma hóstiano altar, mesmo que os dois sejam feitos do mesmo trigo. Por que tanto interesse emdessacralizar o uso da ayahuasca? A ayahuasca é uma combinação química simples e ao mesmo tempo complexa, que envolve umcipó e um arbusto endêmicos do imenso continente amazônico. Simples porque a sua primitivaquímica material da floresta é realizada por homens comuns, do pajé ao ayahuasqueiro dostemplos amazônicos.Complexa porque envolve a elevação de indicadores psico-sociais de qualidade de vida e ajudaa atingir estados ampliados de consciência dos usuários. Isso por si só já alça a ayahuasca aum patamar superior no plano do controle científico dessas duas ervas milenares. Assim, a ayahuasca ganha contornos políticos por envolver recursos florísticos de inestimávelvalor psico-social e espiritual. Os seus usuários consideram o “vinho das almas” como uminstrumento físico-espiritual que favorece a limpeza interior, a introspecção, oautoconhecimento e a meditação.
 
3
Utilizar ayahuasca aqui na Amazônia é beber do próprio poço de nossa ancestralidade e damagia que representa a nossa milenar resistência. Aqui na floresta, protegidos pelos entesfortes de nossa religião animista e natural, nossos ancestrais não precisaram “miscigenar” suafé.Não foi necessário fazer como os negros escravos, que deram nomes de santos católicos aosseus deuses africanos. Nossos ancestrais indígenas não precisaram batizar Iemanjá de NossaSenhora ou Oxossi de São Sebastião para se protegerem da fé unilateral do dono da terra e dasalmas.É que entre nós a terra era de todos e o único dono era o senhor da chuva, do orvalho e do sol. A beleza coletiva dos recursos naturais era compartilhada por toda a aldeia, do curumim aosábio ancião. A ayahuasca era a essência espiritual dessa convivência material fraterna e universal entre asárvores carinhosas, os riachos irmãos, os pássaros cantores, os peixes, as larvas, os insetos, asflores. A ayahuasca ancestral era o elo entre a terra e o espírito.Se não fosse uma erva espiritual e mágica, trazida pelas mãos milenares dos povos indígenasamazônicos, ela não teria resistido ao tempo. Por isso é natural que a ayahuasca atraia cadavez mais o homem branco, esmagado pelo destrutivo modo de vida urbano, elitista, ocidental,capitalista. A ayahuasca não é um chá que se consome como se bebe um líquido ácido qualquer. O seuuso é espiritual e envolve aqueles que o utilizam na mais límpida tradição de amar o próximo ereencontrar os valores que perdemos na caminhada do planeta que se dividiu em castas, cores,fronteiras e etnias.Não entrarei no debate acadêmico sobre o uso de substâncias psicoativas por parte dasreligiões milenares, das eras pré-colombianas aos templos dos tempos atuais. Não tenhocompetência para debater os pontos de vista da medicina, da psicologia ou daetnofarmacologia. Ficarei apenas com os resultados do uso milenar da ayahuasca pelos povosindígenas. A milenar história amazônica não registra casos de morte ou de seqüelas à saúde dos povosindígena por terem utilizado a ayahuasca. Nenhum índio, nesses séculos de consumo daayahuasca, deu entrada no hospital dos brancos ou foi curado pelos pajés. A ayahuasca não é “taliban”, seus usuários não constituem nenhuma seita, eles não sãofanáticos, não há um único caso de morte ou de castigo físico que tenha sido resultado do seuconsumo ritualístico.O uso ritualístico da ayahuasca não provoca transes místicos ou de possessão. Ela não age noorganismo como a antiga bebida hindu, denominada soma, que se divinizou por afastar osofrimento, embriagando e elevando as forças vitais.Depois de 4 mil anos de uso sagrado e ritualístico da ayahuasca, os estudiosos da civilizaçãoocidental erguem argumentos anêmicos e endêmicos de uma sociedade que tem medo do “contato” aberto do homem com a natureza. É que eles têm medo da relação amorosa entre oindivíduo e a natureza com os seus elementos poderosos e coletivos.Os sábios e avançados incas utilizaram a ayahuasca para consolidar-se como povo, como naçãoe para ajudar no florescimento da cultura, da matemática, da agricultura e da astronomia. Nãoé qualquer planta ou cipó que faz um povo, uma história milenar, uma religião.

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