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ATOS DOS APÓSTOLOS E CARTAS

ATOS DOS APÓSTOLOS E CARTAS

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ATOS DOS APÓSTOLOS E CARTAS
são um fascinante documento humano de enorme importância para a cultura e a história do mundo moderno, um registro que muito tem a dizer a todos nós, seres humanos, acerca da nossa própria humanidade.
ATOS DOS APÓSTOLOS E CARTAS
são um fascinante documento humano de enorme importância para a cultura e a história do mundo moderno, um registro que muito tem a dizer a todos nós, seres humanos, acerca da nossa própria humanidade.

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ATOS DOS APÓSTOLOS E CARTASTexto para leitura, estudo e reflexão
 Luiz Edgar de Carvalho * 
Primeira parte
Atos dos Apóstolos
 No Novo Testamento canônico, os quatro evangelhos são seguidos por um livrotradicionalmente denominado “Atos dos Apóstolos” (ou simplesmente “Atos”). Esse livro é asegunda parte de uma obra em dois volumes escritos por Lucas. A primeira metade é o seuevangelho. Atos vem agora separado pelo evangelho de João. A posição canônica dos quatroevangelhos tem alguma lógica: somente depois de a sua história ser contada em todas as versõesseria temporalmente apropriado, tratar dos eventos que se seguiram à Crucifixão e àRessurreição.Seguiram-se a elas, é verdade, muitos eventos; mas o que fez toda a diferença foi oestabelecimento de uma instituição chamada igreja para levar a efeito a missão do líder agoraausente. Como isso aconteceu? Com que provas esse grupo embrionário deparou? Quais foramos seus primeiros êxitos? Quem o liderou? Essas e outras questões são tratadas nos Atos pelamesma pessoa que escreveu o evangelho de Lucas.
O gênero, o propósito e a autoridade dos Atos
Os quatro evangelhos são o seu próprio gênero; com exceção de imitações apócrifas posteriores deles, não se assemelham a nenhuma outra obra literária que conheçamos. Os Atos, por outro lado, parecem muito um livro de história. Embora registrem milagres e outros eventossobrenaturais, são dedicados principalmente às ações de seres humanos comuns; seguem umrigorosa ordem cronológica, com indicações específicas de tempo e de lugar; registram viagens,reuniões e pronunciamentos; levam-nos a importantes centros cosmopolitas do mundo pagão,como Antioquia, Éfeso, Atenas e Roma; colocam muitas figuras históricas conhecidas no seucenário; e parecem muito mais preocupados em dar informações do que em pregar doutrinas. Osleitores podem ser perdoados por pensar que agora, finalmente, emergiram à luz do dia e podemesperar em confiança um registro factual – pelo menos factual nos termos da capacidade doautor de conhecer os fatos. Isso parece um jogo com regras familiares.Mas, as aparências enganam: os Atos não são mais hitóricos do que os evangelhos. Nãose trata de um registro imparcial dos eventos, como esperamos hoje que os livros históricossejam, mas de uma narrativa deliberadamente construída, destinada, nos mínimos detalhes, afazer certas afirmações didáticas. Com esse objetivo, Lucas escolheu o que registrar e o queignorar, organizou a seqüência, criou ambientes, pôs as suas personagens em relaçõesdramáticas, compôs suas falas e conversas, e, de modo geral, tudo fez para que todas as coisasdo seu livro contribuíssem para o seu propósito geral. Há por trás do livro dos Atos os materiaisda história, mas o leitor sempre vê a concepção que Lucas tem deles, e nunca os materiais em si.Em tudo isso, Lucas apenas fazia o que os historiadores antigos sempre faziam. Para eles, anecessidade de instruir e de edificar tinha ao menos tanta importância quanto a de informar. E osmeros fatos não tinham virtude particular. Se não reconhecerem essa diferença fundamentalentre a escritura histórica antiga e a moderna, e não se adaptarem a ela, iremos inevitavelmenteentender mal uma obra como a de Lucas.Os 28 capítulos dos Atos cobrem eventos do período de mais ou menos 30 a 60 d.C.,isto é, da Ascensão de Cristo à jornada final de Paulo a Roma. Se os Atos foram escritos pertode 90 d.C., segundo as melhores hipóteses, há quase uma geração inteira entre a sua redação eos últimos eventos que registram. Lucas não afirma ter sido testemunha ocular dessa história.Muitas coisas que ele inclui (por exemplo, conversas particulares) não podiam, possivelmente,ter chegado ao seu conhecimento em primeira mão. As únicas indicações que permitem pensar no conhecimento pessoal do autor são as seções-gancho, que começam em 16,11, em especial orelato esplendidamente vívido da última viagem e do naufrágio de Paulo. Mas nada há aí quenão pudesse ter chegado aos seus ouvidos a partir de fontes documentárias ou orais, ou, comefeito, que não pudesse ter sido criado pela imaginação do habilidoso artista literário que Lucas,como sabemos, foi.
 
Além de não dizer que presenciou os eventos, ele também nunca diz quem é. Tanto osAtos como o evangelho de Lucas são anônimos. A tradição segundo a qual o seu autor sechamava Lucas só surgiria em escritos da Igreja de um século depois. O fato de um doscolaboradores de Paulo ter se chamado Lucas é indicado pelas referências existentes nas cartas(Colossensses 4,14; 2 Timóteo 4,11; Filemon 24), mas, mesmo que as três referências remetamao mesmo Lucas, nada há que prove ter sido ele o autor dos Atos.O que importa não é a identidade de um homem (que por certo existiu, seja qual for oseu nome), mas a autoridade de um livro, visto que mais da metade dos Atos registra asatividades missionárias de Paulo. Sobre que base Lucas – como continuaremos a chamá-lo – formou um quadro dessas atividades? Se foi um companheiro de viagem de Paulo, como aindaconfiantemente nuitos dicionários da Bíblia, poderemos confiar no que ele diz sobre o trabalhomissionário de Paulo. Infelizmente para essa teoria, Paulo dá em suas cartas, no tocante a vários pontos importantes, uma versão muito diferente. o podemos deixar de lado essasdisparidades. Lucas pode ou não ter sabido o que Paulo estava fazendo, mas não podemosacreditar que o próprio Paulo não o soubesse. Por conseguinte, em todos os pontos em que osAtos e as cartas genuínas de Paulo entram em conflito, o estudioso do Novo Testamento deveestar preparado para acreditar nas cartas. Não há outra alternativa racional.Supõe-se em geral que Lucas tenha escrito sem conhecimento das cartas de Paulo, ou,ao menos, sem ter acesso a elas. Ele teria seguido adiante e retratado a missão de Paulo damaneira como queria que ela fosse conhecida, sem prever que, por um acidente histórico, as próprias evidências necessárias à sua contestação viriam a surgir nos escritos canônicos da sua própria Igreja. Assim, se reconhecermos que existem disparidades, poderemos explicá-las comoerros inocentes. Mas talvez não devêssemos nos apressar tanto em supor a ignorância das cartasde Paulo por parte de Lucas; estas dificilmente poderiam ser segredos bem guardados, ao menosnão mais que a reputação de Paulo. Pode ser que Lucas tenha decidido simplesmente ignorar asdisparidades, confiando que a sua própria obra, na qualidade de composição formal e mais oumenos “oficial”, se imporia a uma coisa casual e efêmera como cartas dispersas. É bom lembrar que um cânon dos escritos do Novo Testamento só surgiria muitas décadas depois. Também é possível que a obra de Lucas se destinasse deliberadamente a se contrapôr à influência de Paulo,que Lucas conhecia bem e não aprovava por inteiro.Ao dizer isso, não estamos tentando menosprezar os Atos nem negar a sua autoridade,mas apenas determinar com a maior precisão possível a que a sua autoridade se aplica. É certoque o Novo Testamento seria uma coletânea bem mais pobre sem ele. O artesanto calculado deLucas, embora frustre a nossa busca do que “realmente aconteceu”, constitui por si só umfascinante objeto de estudo. E, por mais que fiquem aquém do atendimento da nossanecessidade de uma história da Igreja primitiva, os Atos são o único documento existente quetenta fazer isso.
 
Segunda parte
Conceitos-chave dos Atos
Para a adequada compreeno dos Atos, é útil contar de anteo com certoentendimento dos conceitos que os governam e enformam. Assim, saberemos o que procurar e poderemos melhor apreciar as intenções do autor. Estes conceitos estão resumidos e reunidosnos seis pontos seguintes:
1. A preeminência do Espírito Santo
Coerente com o que apresentou no seu evangelho, Lucas acredita que o Espírito Santo éa força motriz do desenvolvimento da Igrena nascente. Somente inspirados e dirigidos por ele osseres humanos tomam iniciativa. Mesmo o grupo original de apóstolos é estranhamenteignorante do plano divino: reunidos em Jerusalém depois da ascensão de Jesus, seus membrosdão a impressão de nada aprender com o período de instrução de quarenta dias registrado emAtos 1,3 (tal como ocorre com as incumbências apostólicas presentes em Lucas 9-10 e com aexplicação específica em Lucas 24,46-49). Eles têm de ser levados, passo a passo, à percepçãode que Deus desde sempre pretendeu oferecer o “arrependimento doador de vida” (Atos 11,18)tanto aos gentios como aos judeus. Mesmo depois da experiência de Pentecostes, eles não parecem ter percepção especial de suas táticas ou de seus alvos.
2. Movimento de afastamento com relação ao judaísmo
De acordo com Lucas, a Igreja cresceu ao lançar-se no mundo, acrescentando categoriasde convertidos em estágios definidos, sendo cada estágio um maior afastamento de suas origens judaicas. Os primeiros convertidos são, todos, judeus de Jerusalém, convencidos pelos sermõesde Pedro (Atos 2-3). No estágio seguinte (Atos 8), são acrescentados os samaritanos, vizinhosdo norte da Judéia cuja judaicidade não é considerada autêntica, mas que, por certo, não sãogentios. Então, num movimento estreitamente guiado pelo Espírito Santo, é oferecida aconversão a um etíope, cujo apego ao judaísmo compensa o ser estrangeiro. O último caso é omais difícil, o do centurião romano Cornélio (Atos 10). Também ele, por simpatia e por ações,está do lado judaico; mas o fato de ser gentio e membro do exército de ocupação cria um problema de tal magnitude que só pode ser resolvido pela intervenção celeste (a visão da toalhacheia de animais). Com o batismo dele e dos seus, remove-se o último obstáculo teórico àaceitação de gentios de todos os tipos. Significativamente, a resistência que tem de ser vencidacom tanto cuidado não é a do mundo exterior, mas a dos próprios apóstolos. Nesse sentido, ahistória de Lucas é um documentário do preconceito judaico contra os gentios, preconceito deque Lucas não compartilha. Na visão de Lucas, foi ordenado que a salvação fosse oferecida primeiro aos judeus e sódepois aos gentios. É sem dúvida verdade que todos os primeiros cristãos eram judeus; éverdade também que mais tarde foram incluídos mais e mais gentios e que, por fim, o judeu-cristianismo virtualmente desapareceu, deixando uma Igreja gentia. Lucas não nos mostra o pleno alcance desse processo, que estava longe de completo em sua época, mas cuja direção,que Lucas aprovava, já estava clara. Os judeus tinham recusado sua oportunidade de salvação, aque, como filhos da Aliança, tinham mais direito do que qualquer outro povo, e por isso só podiam culpar a si mesmos. O amargo fim de Atos 28 deixa isso muito claro; a Igreja vai ser universal.
3. Autoridade da Igreja
A autoridade da Igreja tem para Lucas fundamental importância. Ela vem diretamentede Cristo, que converteu pessoalmente o núcleo de fiéis discípulos, os apóstolos, antes de subir ao céu. O lugar da conversão, o Monte das Oliveiras, em Jerusalém, ratifica a continuidade entrea tradicional do Antigo Testamento e a da nova aliaa. Esses fiéis discipulos oapresentados como um corpo “unido em coração e alma” (Atos 4,32). Quando surge uma fonte potencial de dissensão, como a existente entre fiéis falantes de aramaico e fiéis falantes de grego(Atos 6), a decisão é tomada firmemente pelos apóstolos originais, agindo em uníssono (o fatode haver agora doze, em vez de onze, decorre do seu primeiro ato oficial, a eleição de Matias,em Atos 1). A seriedade da desobediência às regras da Igreja mostrada pelo destino de Ananias eSafira (Atos 5). Quando surge a mais polêmica e perturbadora dúvida – provocada pela

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