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A atual Constituição Federal do Brasil

A atual Constituição Federal do Brasil

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03/05/2014

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Contexto histórico e político
“Essa será aConstituiçãocidadã, porque recuperará como cidadãos milhõesde brasileiros, vítimas da pior das discriminações: a miséria [...] O povo nos mandouaqui para fazê-la, não para ter medo. Viva a Constituição de 1988! Viva a vida que elavai defender e semear!". Foram com essas palavras que o deputadoUlysses Guimarães encerrou os trabalhos daAssembléia Nacional Constituinte,da qual era presidente, em27 de julho de 1988. Estava, assim, aprovada a nossa mais nova Carta Magna.Há, no entanto, uma controvérsia quanto à Constituição de 1988: paraalguns, ela seria nossa sétima constituição; para outros, seria, na verdade, a oitava.Durante todo oImpério, o Brasil teve apenas uma constituição: a de 1824. Já sob aRepública, tivemos as de 1891, 1934, 1937, 1946 e 1967. Em 1969, com o falecimentodo presidenteArtur da Costa e Silva, assumiu a Presidência uma Junta Militar. Naquele mesmo ano, a Junta promulgou uma emenda constitucional - achamada Emenda n°.1 - que instituía a Lei de Segurança Nacional, restringindo asliberdades civis, e a Lei de Imprensa, regulamentando a censura oficial. Pelas profundasmodificações que trouxe, a Emenda n°.1 é considerada por alguns pesquisadores comosendo um novo texto constitucional. Se aceitarmos essa interpretação, podemos dizer que a Carta Magna de 1988 é mesmo a oitava Constituição brasileira - a sétima em pouco mais de um século de República.
Constituição Cidadã de 1988
Em 5 de outubro de 2010 completam-se 22 anos da promulgaçãoda
, chamada de "Constituição Cidadã" pelo deputadoUlysses Guimarães, que presidiu sua elaboração.A palavra "Constituição", em português,derivado radical do verbo"constituir", cujo primeiro significado é "ser a parte principal, a base (de algo); formar(-se), compor(-se)". Disso se pode dizer que a Constituição é o texto em que se definemos modos pelos quais umEstadoestá formado, composto, constituído.
 
Em outros termos, talvez mais claros e certamente mais conhecidos, umaConstituição é a lei maior de um país. Desse modo, todas as outras leis devem sesubmeter a ela, não podendo lhe ser contrárias. Se forem, essas leis são simplesmenteconsideradas
inconstitucionais
e, portanto, o têm valor algum. Cabe ao poder Judiciáriodeclarar sua inconstitucionalidade e torná-las extintas, anulando ou reparandoseus efeitos.A rigor, as Constituições têm como objetivo estabelecer:1)
a organização do Estado,
2)
a separação dos poderes que o governam e
3)
a relação desse Estado com seus cidadãos, a partir do registro dosdireitos fundamentais deles.
Liberdades individuais
Esses direitos, segundo a concepção clássica, estão relacionados à liberdadeindividual. Em geral, têm um caráter negativo, isto é, são limitações aos poderes doEstado, de modo que ele
não possa interferir
em certos aspectos da vida do cidadão.Por exemplo, o direito que todos têm de ir e vir, de exercer uma profissão, de manifestar livremente o pensamento, de ter sua crença religiosa, de possuir uma propriedade, etc.A Constituição brasileira, é
analítica
, procura contemplar direitos amplos,como a previdência social, a educação, a saúde, os direitos trabalhistas e a proteção aomeio ambiente. Assim, ela é composta de 250 artigos e mais 95 disposições transitórias.Em seus vinte anos de vigência, já sofreu mais de 60 emendas e, atualmente, cerca de1.500 propostas de alteração estão tramitando noCongresso Nacional.
Esperando regulamentação
Por tentar abranger um número muito grande de temas sobre os quais nãohavia consenso na época de sua elaboração - pelaAssembléia Nacional Constituinte-,muitos dos artigos da Constituição brasileira ficaram, por assim dizer, em aberto, àespera de uma outra lei que regulamente aquilo que eles dispõem. Em outubro de 2008,há ainda 142 dispositivos constitucionais à espera de regulamentão.
 
Isso, evidentemente, gera insegurança, pois fica difícil saber quando se está ou não - eaté que ponto - infringindo normas constitucionais e dá lugar a um número muitogrande de disputas jurídicas. Esse, porém, não é o problema maior. Muito mais grave éque não são poucos os direitos constitucionais mais fundamentais dos brasileiroscostumeiramente desrespeitados.Um exemplo: pelo artigo 7º., inciso IV da nossa Constituição, é um direitodos trabalhadores urbanos e rurais do país um "salário nimo , fixado em lei,nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de suafamília com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transportee previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo,sendo vedada sua vinculação para qualquer fim".Ora, o valor do salário mínimo depende de muitas questões relacionadas aocontexto potico nacional e à situão da economia do país. Nesse sentido, é praticamente impossível determinar ou garantir por norma constitucional que seu valor vai dar conta de todas essas necessidades. Deveria dar, mas isso depende mais dascircunstâncias do que da lei.Em relação às Constituições anteriores, a
Constituição de 1988
representaum avanço. As modificações mais significativas foram:
Direito de voto para os analfabetos;
Voto facultativo para jovensentre 16 e 18 anos;
Redução do mandato do presidente de 5 para 4 anos;
Eleições em dois turnos (para os cargos de presidente, governadores e prefeitosde cidades com mais de 200 milhabitantes);
Os direitos trabalhistas passaram a ser aplicados, além de aos trabalhadoresurbanos e rurais, também aos domésticos;
Direito a greve;
Liberdade sindical;
Diminuição da jornada detrabalhode 48 para 44 horas semanais;
Licença maternidade de 120 dias (sendo atualmente discutida a ampliação).
Licença paternidade de 5 dias;
Abono de férias;
Décimo terceiro salário para os aposentados;

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