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Freud e a educação

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Texto da pós-uninove
Texto da pós-uninove

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Published by: Cássio Magela da Silva on May 11, 2008
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Freud e a Educação (Maria Cristina Kupfer)I – Freud, aluno e mestre.
Sigmund Freud nasceu no dia 6 de maio de 1856 em Freiberg ( hoje Pribor),pequena cidade da Morávia, que na época, pertencia à Áustria e hoje está anexada àTchecoslováquia. Seus pais eram judeus e a sua família bem numerosa. Era o maisvelho dos oito filhos do segundo casamento de seu pai. Já contava, ao nascer, comdois meio-irmãos, mas era o preferido. Desde cedo, os pais esperavam que se tornasseum grande homem o que fez Freud desenvolver sua autoconfiança e o desejo de saber.Sua inteligência era constantemente desafiada estimulando-lhe desejo perene decompreender as coisas. Os pais jamais mediram esforços nem sacrifícios para lheoferecer uma educação completa.Tratava-se de um ensino cujos fundamentos eram as Humanidades. Atravessoua vida escolar com sucesso saindo com amplos conhecimentos sobre as culturas gregae latina, o aprendizado de várias línguas e com interesse pela arqueologia, que lhefornecera, no futuro, muitas metáforas (“a escavação das camadas profundas damente”).Dizia que a Educação foi sua ferramenta fundamental por três motivos: _Ascensão social na Viena da época, já que era pobre e judeu. _A Educação lhe permitiu penetrar num círculo de vienenses cultos. _Precisava ter acesso aos donios do conhecimento de seu tempo paraacrescentar algo.As relações de um discípulo com seu mestre foram objeto de reflexões dopróprio Freud e sua idéia básica era a de que os professores herdam as inclinaçõescarinhosas ou agressivas antes dirigidas aos pais.Assim que se formou Freud começou a trabalhar no laboratório de Fisiologia deErnest Brucke, uma pessoa que inspirava respeito. Abandonou o mestre, depois de 6anos, convencido por ele de que a pesquisa pura era adequada para aqueles quepossuíam melhores recursos financeiros. Ingressou, em seguida no Hospital Geral deViena, trabalhando em várias especialidades, destacando as relações com Meynert, umgrande especialista em anatomia do cérebro. Ao afirmar que a Histeria não era um mal
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exclusivamente feminino, encontrou em Meynert uma grande resistência. Deixou-o paratrás passando a dedicar-se ao estudo das doenças nervosas, sendo seu próprio mestreEm 1885, Freud foi a Paris para conhecer os trabalhos de Charcot, grande nomeda neuropatologia, o terceiro de seus mestres.A superação das idéias de Charcot foi inevitável por causa do advento daPsicanálise, com melhores caminhos para a tratamento da histeria. E mais uma vez serepete o movimento freudiano de superação de abandono dos mestres.Nos anos em que trabalhou no laboratório de Brucke, Freud conheceu JosephBreuer, um clínico geral de renome, 14 anos mais velho que ele e se tornaram grandesamigos. Em 1896, escreveram uma obra conjunta:
Estudos sobre a Histeria.
Noentanto, discordavam num ponto: para Freud, a causa da histeria era de naturezasexual e com isto Breuer não concordava, e aos poucos os dois foram se distanciando.Como queria gerar conhecimento, Freud sabia ser necessário ser mestre de simesmo, mas algo inconsciente o impedia e para remover impedimentos dessa ordem épreciso um analista. Encontrou-o na figura de Wilhelm Fliess, que desempenhou, sem osaber, o papel de analista, investido de autoridade e confiança, porém, sem interpretar coisa alguma. Nessa auto-análise concluiu que não precisava de professores; cabia aoseu verdadeiro pai ajudá-lo. Assim, rompeu definitivamente com os antigos mestrespassando a ocupar ele próprio, um lugar de mestre, pôs fim à busca de um mestre-pai ereencontrou a si mesmo. Entretanto, ser o próprio mestre não significava ocupar o lugar do pai junto à sua mãe. Era preciso matar simbolicamente o pai, depois de admitir asuperioridade dele, para poder, em seguida, ser um criador.A partir daí, Freud torna-se chefe de uma escola e organizador de uma instituiçãovoltada para a divulgação da Psicanálise e formação de analistas. Era um chefeterrivelmente autoritário, sendo capaz de aprender com seus pacientes, mas romper com quem o ameaçasse com idéias, que segundo ele, iriam desvirtuar a Psicanálise.Seu magnetismo, brilho e inteligência, cegavam quem dele se aproximasse. A essaforça de atração entre ele e seus discípulos, Freud chamou de transferência.
II - Freud pensa na Educação.
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No final do século XIX, predominavam as explicações orgânicas e psiquiátricaspara doenças como as esquizofrenias, as psicoses e a histeria. Os tratamentos eram:eletroterapia, banhos, massagens, hidroterapia,, internação e hipnose. Pouco sabiam arespeito de suas causas.A histeria é que lhe chama a atenção pelo grande número de pacientes que oprocuram com vários sintomas: vômitos, alucinações visuais, contrações, paralisiasparciais, perturbação de visão, ataques nervosos e convulsões. Freud queria observar,analisar e encontrar as origens daquilo.No caso da histeria, a idéia incompatível é expulsa pelo “eu” e tornada inócuapor sua transformação somática. Freud chama isso de conversão.Se as idéias incompatíveis são quase sempre de natureza sexual, então, o quehá de insuportável na sexualidade? Esta dúvida conduziu-o à Educação para averiguar qual o seu papel na condenação da sexualidade, e daí a descoberta da sexualidadeinfantil.É obvio que a moral transmitida pela Educação incute no indivíduo, noções depecado e vergonha que ele deve ter diante das práticas sexuais. Restava propor que aeducação não fizesse uso abusivo de sua autoridade porque a correção educativa,embora necessária, nem por isso precisava ser excessiva.
1.As pules parciais.
Para entender a sexualidade infantil, Freud estudou as perversões. Descobriuque na constituição dos seres humanos estão presentes práticas de natureza perversa,que irão desaparecendo pela repressão, submetendo-se ao domínio das práticasgenitais com vistas à procriação. Algumas perversões (exibicionismo, curiosidadedirigida aos órgãos genitais dos seus companheiros, prazer de sucção, prazer ligado àdefecação), que permanecem no adulto são o resultado dessas perversões parciaisinfantis que se recusaram a cair sob o domínio da genitalidade.A cada um desses aspectos perversos, presentes na sexualidade infantil, Freudchama de pulsões parciais. Será uma pulsão dirigida ao próprio corpo, que não buscaráum outro corpo, como acontecerá por ocasião do desenvolvimento da genitalidade.
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