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Princípios de Deontologia Médica aplicáveis especialmente aos médicos, para a protecção de pessoas presas ou detidas

Princípios de Deontologia Médica aplicáveis especialmente aos médicos, para a protecção de pessoas presas ou detidas

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Princípios de Deontologia Médica aplicáveis àactuação do pessoal dos serviços de saúde,especialmente aos médicos, para a protecçãode pessoas presas ou detidas contra a torturae outras penas ou tratamentos cruéis,desumanos ou degradantes
Adoptados pela Assembleia Geral das Nações Unidas na sua resolução 37/194, de 18 deDezembro de 1982.
A Assembleia Geral,
Lembrando a sua Resolução 31/85 de 13 de Dezembro de 1976, pela qual convidou aOrganização Mundial de Saúde a preparar um projecto de Código de DeontologiaMédica para a protecção das pessoas sujeitas a qualquer forma de detenção ou prisão,contra a tortura e outras penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes,Exprimindo mais uma vez o seu apreço ao Conselho Executivo da OrganizaçãoMundial de Saúde que, na sua sexagésima terceira sessão, em Janeiro de 1979, decidiuadoptar os princípios enunciados num relatório intítulado "Elaboração de Códigos deDeontologia Médica", contendo, em anexo, um conjunto de princípios preparados peloConselho das Organizações Internacionais de Ciências Médicas e intitulado "Principiosde Deontologia Médica para a Formação do Pessoal Médico na Protecção de Pessoascontra a Tortura e Outras Penas ou Tratamentos Cruéis, Desumanos ou Degradantes",Consciente da Resolução 1981/27 de 6 de Maio de 1981 do Conselho Económico eSocial, na qual o Conselho recomendava que a Assembleia Geral tomasse medidas parafinalizar o texto dos Princípios de Deontologia Médica na sua trigésima sexta sessão,Lembrando a sua Resolução 36/61 de 25 de Novembro de,1981 pela qual decidiuconsiderar o projecto dos Princípios de Deontologia Médica na sua trigésima sétimasessão com o fim de os adoptar,Alarmada pelo facto de frequentes vezes, membros da profissão médica ou outro pessoal de saúde estarem empenhados em actividades de difícil conciliação com a éticamédica,Reconhecendo que pelo Mundo, actividades rnédicas significativas são crescentementerealizadas por pessoal de saúde não autorizado ou sem preparação médica, tal comomédicos assistentes, pessoal paramédico, fisioterapeutas, enfermeiros e amas,Recordando com apreço a Declaração de Tóquio da Associação Médica Mundial,contendo os Princípios para médicos sobre a tortura e outras penas ou tratamentoscruéis, desumanos ou degradantes, relativamente detenção e à prisão, adoptada pelavigésima nona Assembleia Médica Mundial, decorrida em Tóquio em Outubro de 1975,
 
 Notando que, de acordo com a Declaração de Tóquio, deveriam ser adoptadas medidas pelos Estados e pelas associações profissionais e outras entidades, se for o caso, contraqualquer tentativa de submeter o pessoal de saúde ou membros das suas famílias aameaças ou represálias resultantes da recusa de tal pessoal em aceitar o emprego datortura ou outras penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes,Reafirmando a Declaração sobre a Protecção de todas as Pessoas contra a Tortura eOutras Penas ou Tratamentos Cruéis, Desumanos ou Degradantes, adoptada por unanimidade pela Assembleia Geral na sua Resolução 3452 (XXX) de 9 de Dezembrode 1975, pela qual declarou constituir qualquer acto de tortura ou outra pena outratamento cruel, desumano ou degradante uma ofensa à dignidade humana, umanegação dos princípios da Carta das Nações Unidas e uma violação da DeclaraçãoUniversal dos Direitos do Homem,Lembrando que, nos termos do artigo 7.º da Declaração adoptada pela Resolução 3452(XXX), cada Estado deve assegurar que qualquer acto de tortura, tal como definido noartigo 1.º dessa Declaração, ou qualquer participação, cumplicidade, incitação outentativa de praticar tortura, seja considerado crime pelo seu Direito Penal,Convicta de que em circunstância alguma deve uma pessoa ser punida por exercer actividades médicas de acordo com a deontologia médica, independentemente da pessoaque delas beneficie, ou ser compelida a realizar actos ou a trabalhar em contravenção àdeontologia médica; mas que, ao mesmo tempo, a violação da deontologia médica que possa ser imputada ao pessoal de saúde, em particular aos médicos, deve determinar asua responsabilização,Desejosa de fixar regras neste domínio que devam ser cumpridas pelo pessoal de saúde,em particular os médicos, e pelos responsáveis a nível de Governo,1. Adopta os Princípios de Ética Médica relevantes para a função do pessoal de saúde,em especial dos médicos, na protecção dos presos e dos detidos contra a tortura e outras penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes, definidos no anexo à presenteresolução.2. Solicita insistentemente a todos os Governos que dêem aos Princípios de DeontologiaMédica, bem como à presente Resolução, particularmente junto das associaçõesmédicas e paramédicas e junto dos estabelecimentos penitenciários, a mais ampladivulgação possível numa língua oficial do Estado,3. Convida todas as organizações intergovernamentais competentes, em particular aOrganização Mundial de Saúde, bem como as organizações o governamentaisinteressadas, a levar os Princípios de Deontologia Médica à atenção do maior número possível de pessoas, especialmente às que exerçam uma actividade nos domíniosmédico ou paramédico.
111.ª sessão plenária18 de Dezembro de 1982
ANEXO
 
Princípios de Deontologia Médica aplicáveis à actuação do pessoal dos serviços desaúde, especialmente aos médicos, à protecção de pessoas presas ou detidas contra atortura e outras penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes
PRINCÍPIO 1
O pessoal dos serviços de saúde, especialmente médicos, encarregados da assistênciamédica a presos e detidos tem o dever de prover à protecção da sua saúde física emental, e proporcionar-lhes tratamento na doença, da mesma qualidade e padrão dodispensado àqueles que não estão presos ou detidos.
PRINCÍPIO 2
Constitui grave violação da deontologia médica, bem como um crime nos termos deinstrumentos internacionais aplicáveis, o envolvimento, activo ou passivo, do pessoaldos serviços de saúde, especialmente médicos, ou actos de participação, cumplicidade,incitamento ou tentativa de perpetrar tortura ou outras penas ou tratamentos cruéis,desumanos ou degradantes.
PRINCÍPIO 3
Constitui violação da deontologia médica o estabelecimento por parte do pessoal dosserviços de saúde, especialmente médicos, de quaisquer relações profissionais com os presos ou detidos cujo fim não seja só a avaliação, protecção ou melhoria da sua saúdefísica e mental.
PRINCÍPIO 4
Constitui violação da deontologia médica o facto de o pessoal dos serviços de saúde,especialmente médicos:a) Fazer uso dos seus conhecimentos e ciência a fim de auxiliar no interrogatório de presos e detidos de um modo que possa adversarnente afectar a saúde física ou mentalde tais presos ou detidos, e que não seja conforme aos instrumentos internacionaisaplicáveis. b) Atestar ou colaborar na verificação da aptidão de presos ou detidos para sofrerernqualquer forma de tratamento ou pena que possa adversamente afectar a sua saúde físicaou mental, e que não seja conforme aos instrumentos internacionais aplicáveis, ou participar de qualquer modo na imposição de tais tratamentos ou penas que não sejamconformes aos instrumentos internacionais aplicáveis.
PRINCÍPIO 5
Constitui violação da deontologia médica o facto de o pessoal dos serviços de saúde,especialmente médicos, colaborar em qualquer acto de coerção de um preso ou detido, amenos que tal acção seja, puramente determinada por critérios médicos corno sendonecessária para a protecção da saúde física ou mental, ou para a segurança do próprio preso ou detido, ou dos presos ou detidos que lhe estão próximos, ou dos seus guardas, enão sqja prejudicial à sua saúde física ou mental.

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