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Marcelo Rubens Paiva - Blecaute

Marcelo Rubens Paiva - Blecaute

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06/15/2014

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Blecaute
Marcelo Rubens Paiva
BLECAUTEBLECAUTE
Marcelo Rubens Paiva
“Os temas é que escolhem o escritor. Tenho sempre a sensação de que havia certashistórias que eu tinha de escrever, que não havia jeito de evitá-las. Mas existe umelemento muito difícil de ser captado por um leitor médio: o narrador de uma histórianão é nunca o autor. É sempre uma invenção. “
Mário Vargas Dosa
Este livro é inspirado no seriado americano “Twilight Zone”, conhecido no Brasil por “Além da Imaginação”. Mas também é fruto de um sonho de criança, desses que todomundo já teve. Afinal, nada melhor do que ir além da imaginação.
O autor 
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Blecaute
Marcelo Rubens Paiva
O princípio
 Não fico mais aflito por saber que nada sei. O que é? De quê? De onde veio? Para onde?São perguntas cujas respostas não me interessam. O tempo não precisa ser medido; essafrase tem ficado muito tempo na minha cabeça. Não existe diferença entre verdade ementira, nem a possibilidade de encontrar o bem e o mal; não sei por que catso comeceia pensar nisso. Não fico alegre, nem triste. Há muito não dou uma risada, nem choro. As palavras não significam nada. Meu corpo se curvou para a frente, cansado, desiludido. Não consigo entender o sentido da minha vida. Não consigo entender nada. E isso nãome comove mais. Os homens fizeram a sua própria história, mas não imaginaram ondeiriam desembocar. No princípio, o Céu e a Terra eram fenômenos divinos; e só. Em seguida, a Razão, aCiência encontrou teorias que os definissem. A luta da humanidade era explicar oinexplicável. Hoje... meu corpo se curvou para a frente, cansado, desiludido. Dane-se!Me lembro de uma música que falava “Tudo, tudo, tudo vai dar certo...“ e achoengraçado. Nada deu certo. Já me falaram de uma nova Era. Já me falaram do universoem expansão. Mas nada deu certo. Nada.Começou há muito tempo. Sei lá, há uma porrada de tempo...Fui a uma palestra sobre Espeleologia, ciência que estuda as cavernas. Não sei por quefui; acho que não tinha o que fazer. O orador falava em italiano. Apesar de eu não ter entendido quase nada, me apaixonei pelo assunto. Junto com Martina, estudante deletras que também se envolvera, procurei um grupo de exploradores profissionais paranos juntarmos a ele. Imaginava encontrar um ambiente interessante, cheio deaventureiros, cientistas loucos, desbravadores de cavernas. Que nada! Fomos barrados por uma secretária de voz fina que, olhando nossos currículos, exclamou:- Vocês não têm experiência no assunto!Era uma idiota.Humilhados, compramos alguns manuais e criamos nosso próprio grupo deespeleologia. Afixamos cartazes no restaurante universitário, ganhando a adesão de umestudante de física, Clérico, um sujeito esquisito e cheio de tiques nervosos. Era muitomagro, quase escondido dentro de um grande sobretudo. Nos fins de semana,começamos a nos reunir na minha casa para ler biografias e estudar mapas de cavernas.Aos poucos, fui descobrindo que o tal Clérico era mais esquisito do que eu imaginara. A primeira coisa que fazia, quando chegava em casa, era se trancar no banheiro e só sair depois de insistirmos muito. Numa dessas reuniões Mário apareceu; ele ia sempre lá em casa. Se interessou peloassunto e pelo membro feminino do grupo; reparei no esforço que ele fez em parecer 3 de 131

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