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Física - Energia 06 - Energia Eolica I

Física - Energia 06 - Energia Eolica I

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93
6.1.
INFORMAÇÕES GERAIS
Denomina-se energia eólica a energia cinética contida nas massas de ar em movimento (vento). Seu aproveitamento ocorre por meio daconversão da energia cinética de translação em energia cinética de rotação, com o emprego de turbinas eólicas, também denominadasaerogeradores, para a geração de eletricidade, ou cataventos (e moinhos), para trabalhos mecânicos como bombeamento d’água.Assim como a energia hidráulica, a energia eólica é utilizada há milhares de anos com as mesmas finalidades, a saber: bombea-mento de água, moagem de grãos e outras aplicações que envolvem energia mecânica. Para a geração de eletricidade, as pri-meiras tentativas surgiram no final do século XIX, mas somente um século depois, com a crise internacional do petróleo (décadade 1970), é que houve interesse e investimentos suficientes para viabilizar o desenvolvimento e aplicação de equipamentos emescala comercial.A primeira turbina eólica comercial ligada à rede elétrica pública foi instalada em 1976, na Dinamarca. Atualmente, existem maisde 30 mil turbinas eólicas em operação no mundo. Em 1991, a Associação Européia de Energia Eólica estabeleceu como metas ainstalação de 4.000 MW de energia eólica na Europa até o ano 2000 e 11.500 MW até o ano 2005. Essas e outras metas estãosendo cumpridas muito antes do esperado (4.000 MW em 1996, 11.500 MW em 2001). As metas atuais são de 40.000 MW naEuropa até 2010. Nos Estados Unidos, o parque eólico existente é da ordem de 4.600 MW instalados e com um crescimento anualem torno de 10%. Estima-se que em 2020 o mundo terá 12% da energia gerada pelo vento, com uma capacidade instalada demais de 1.200GW (WINDPOWER; EWEA; GREENPEACE, 2003; WIND FORCE, 2003).Recentes desenvolvimentos tecnológicos (sistemas avançados de transmissão, melhor aerodinâmica, estratégias de controle e operação dasturbinas etc.) têm reduzido custos e melhorado o desempenho e a confiabilidade dos equipamentos. O custo dos equipamentos, que eraum dos principais entraves ao aproveitamento comercial da energia eólica, reduziu-se significativamente nas últimas duas décadas. Proje-tos eólicos em 2002, utilizando modernas turbinas eólicas em condições favoráveis, apresentaram custos na ordem de 820/kW instala-do e produção de energia a 4cents/kWh (EWEA; GREENPEACE, 2003).
ENERGIA EÓLICA
6
 
TABELA 6.2Estimativas do potencial eólico mundial
PorcentagemPotencialDensidadePotencialRegiãode TerraBrutoDemográficaLíquidoOcupada*(TWh/ano)(hab/km
2
)(TWh/ano)
África24106.0002010.600Austrália1730.00023.000América do Norte35139.0001514.000América Latina1854.000155.400Europa Ocidental4231.4001024.800Europa Ocidental & ex-URSS29106.0001310.600Ásia (excluindo ex-URSS)932.0001004.900Mundo**23498.400-53.000
Fonte: GRUBB, M. J; MEYER, N. I. Wind energy: resources, systems and regional strategies. In: JO-HANSSON, T. B. et. al. Renewable energy: sources for fuels and electricity. Washington, D.C.: Island Press, 1993.(*) Em relação ao potencial bruto;(**) Excluindo-se Groenlândia, Antártida, a maioria das ilhas e os recursos
offshore 
.
TABELA 6.1Distribuição da área de cada continente segundo a velocidade média do vento
Velocidade do Vento (m/s) a 50 m de AlturaRegião/Continente6,4 a 7,07,0 a 7,57,5 a 11,9(10
3
km
2
)(%)(10
3
km
2
)(%)(10
3
km
2
)(%)
África3.750123.350112001Austrália850840045505América do Norte2.550121.75083.35015América Latina1.400885059505Europa Ocidental3458,64161037122Europa Ocidental & ex-URSS3.377152.260101.1465Ásia (excluindo ex-URSS)1.550645022005Mundo13.650109.55078.3506
Fonte: GRUBB, M. J; MEYER, N. I. Wind energy: resources, systems and regional strategies. In: JO-HANSSON, T. B. et. al. Renewable energy: sources for fuels and electricity. Washington, D.C.: Island Press, 1993. p.
ENERGIA EÓLICA
94
6.2.
DISPONIBILIDADE DE RECURSOS
A avaliação do potencial eólico de uma região requer trabalhos sistemá-ticos de coleta e análise de dados sobre a velocidade e o regime de ven-tos. Geralmente, uma avaliação rigorosa requer levantamentosespecíficos, mas dados coletados em aeroportos, estações meteorológi-cas e outras aplicações similares podem fornecer uma primeira estimati-va do potencial bruto ou teórico de aproveitamento da energia eólica.Para que a energia eólica seja considerada tecnicamente aproveitável, énecessário que sua densidade seja maior ou igual a 500 W/m
2
, a umaaltura de 50 m, o que requer uma velocidade mínima do vento de 7 a8 m/s (GRUBB; MEYER, 1993). Segundo a Organização Mundial de Me-teorologia, em apenas 13% da superfície terrestre o vento apresentavelocidade média igual ou superior a 7 m/s, a uma altura de 50 m. Essaproporção varia muito entre regiões e continentes, chegando a 32% naEuropa Ocidental, como indicado na Tabela 6.1.Mesmo assim, estima-se que o potencial eólico bruto mundial seja da or-dem de 500.000 TWh por ano. Devido, porém, a restrições socioambien-tais
(18)
, apenas 53.000 TWh (cerca de 10%) são considerados tecnicamenteaproveitáveis (Tabela 6.2). Ainda assim, esse potencial líquido correspondea cerca de quatro vezes o consumo mundial de eletricidade.No Brasil, os primeiros anemógrafos computadorizados e sensores espe-ciais para energia eólica foram instalados no Ceará e em Fernando deNoronha (PE), no início dos anos 1990. Os resultados dessas mediçõespossibilitaram a determinação do potencial eólico local e a instalação dasprimeiras turbinas eólicas do Brasil.
6
(18) Existência de áreas densamente povoadas e/ou industrializadas e outras restrições naturais, como regiões muito montanhosas, por exemplo.
 
TABELA 6.3Definição das classes de energia
MataCampo abertoZona costeiraMorrosMontanhasClasseVm(m/s)Em(W/m
2
)Vm(m/s)Em(W/m
2
)Vm(m/s)Em(W/m
2
)Vm(m/s)Em(W/m
2
)Vm(m/s)Em(W/m
2
)
4> 6> 200> 7> 300> 8> 480> 9> 700> 11> 125034,5 6 80 - 2006 7200 - 3006,5 - 8 250 - 4807,5 9380 7008,5 11650 125023 4,525 - 804,5 680 - 2005 6,5100 - 2506 7,5200 3807 8,5300 - 6501< 3< 25< 4,5< 80< 5< 100< 6< 200< 7< 300
Fonte: FEITOSA, E. A. N. et al. Panorama do Potencial Eólico no Brasil. Brasília: Dupligráfica, 2003.
ENERGIA EÓLICA
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6.3.
POTENCIAL EÓLICO BRASILEIRO
Embora ainda haja divergências entre especialistas e instituições na esti-mativa do potencial eólico brasileiro, vários estudos indicam valores ex-tremamente consideráveis. Até poucos anos, as estimativas eram daordem de 20.000 MW. Hoje a maioria dos estudos indica valores maio-res que 60.000 MW. Essas divergências decorrem principalmente dafalta de informações (dados de superfície) e das diferentes metodologiasempregadas
(19)
.De qualquer forma, os diversos levantamentos e estudos realizados e emandamento (locais, regionais e nacionais) têm dado suporte e motivadoa exploração comercial da energia eólica no País. Os primeiros estudosforam feitos na região Nordeste, principalmente no Ceará e em Pernam-buco. Com o apoio da ANEEL e do Ministério de Ciência e Tecnologia –MCT, o Centro Brasileiro de Energia Eólica – CBEE, da Universidade Fe-deral de Pernambuco – UFPE, publicou em 1998 a primeira versão do
Atlas Eólico da Região Nordeste 
. A continuidade desse trabalho resultouno
Panorama do Potencial Eólico no Brasil 
, conforme Figura 6.1 .Os recursos apresentados na legenda da Figura 6.1 referem-se à velocida-de média do vento e energia eólica média a uma altura de 50m acima dasuperfície para 5 condições topográficas distintas:
zona costeira 
 – áreasde praia, normalmente com larga faixa de areia, onde o vento incide pre-dominantemente do sentido mar-terra;
campo aberto 
 – áreas planas depastagens, plantações e /ou vegetação baixa sem muitas árvores altas;
mata 
 – áreas de vegetação nativa com arbustos e árvores altas mas debaixa densidade, tipo de terreno que causa mais obstruções ao fluxo devento;
morro 
 – áreas de relevo levemente ondulado, relativamente com-plexo, com pouca vegetação ou pasto;
montanha 
 – áreas de relevo com-plexo, com altas montanhas.Ainda na legenda, a classe 1 representa regiões de baixo potencial eóli-co, de pouco ou nenhum interesse para o aproveitamento da energia eó-lica. A classe 4 corresponde aos melhores locais para aproveitamento dosventos no Brasil. As classes 2 e 3 podem ou não ser favoráveis, depen-dendo das condições topográficas. Por exemplo: um local de classe 3 nacosta do Nordeste (zona costeira) pode apresentar velocidades médiasanuais entre 6,5 e 8 m/s, enquanto que um local de classe 3 no interiordo Maranhão (mata) apresentará apenas valores entre 4,5 e 6 m/s.A Tabela 6.3 mostra a classificação das velocidades de vento e regiõestopográficas utilizadas no mapa da Figura 6.1. Os valores correspon-dem à velocidade média anual do vento a 50 m de altura em m/s (Vm)e à densidade média de energia média em W/m
2
(Em). Os valores deEmforam obtidos para as seguintes condições padrão: altitude igualao nível do mar, temperatura de 20ºC e fator de Weibull de 2,5. A mu-dança de altitude para 1.000 m acima do nível do mar acarreta umadiminuição de 9% na densidade média de energia e a diminuição detemperatura para 15ºC provoca um aumento de cerca de 2% na den-sidade de energia média.Outro estudo importante, em âmbito nacional, foi publicado pelo Cen-tro de Referência para Energia Solar e Eólica – CRESESB/CEPEL. Trata-sedo
Atlas do Potencial Eólico Brasileiro 
, cujos resultados estão disponíveisno seguinte endereço eletrônico: www.cresesb.cepel.br/atlas_eoli-co_brasil/atlas-web.htm. Nesse estudo estimou-se um potencial eólicobrasileiro da ordem de 143 GW. Existem também outros estudos especí-ficos por unidades da Federação, desenvolvidos por iniciativas locais.
6
(19) Também o conceito de potencial eólico pode ser interpretado de diferentes maneiras, devido à complexidade na determinação das restrições técnico-econômicas e, principalmente, socioambientais ao aproveitamento eólico.

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