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Fichamento Rubem Alves

Fichamento Rubem Alves

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Published by Gabriela Cotrim
Fichamento de parte do livro Filosofia da Ciência: introdução ao jogo e a suas regras de Rubem Alves
Fichamento de parte do livro Filosofia da Ciência: introdução ao jogo e a suas regras de Rubem Alves

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06/28/2013

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O SENSO COMUM E A CIÊNCIA (I)
´A ciência nada mais é que o senso comum refinado e disciplinadoµ
Gunnar Myrdal
 Qual seria mesmo a diferença entre senso comum e ciência?Rubem Alves questiona a imagem mental que temos quando pensamos em umcientista, logo me veio à cabeça: aquele homem de jaleco ao lado de um microscópioanalisando células. O autor aborda a questão da confiabilidade que essa imagem nosrepresenta, neste sentido, se explica a questão da mídia que não é nada ingênua aooptar por utilizar de cientistas para divulgarem produtos de consumo, cigarros,remédios e etc.Ele fala sobre o mito que o cientista se tornou, mito porque ´induz comportamentos einibe questionamentos e pensamentoµ em analogia ao momento que os Deuses semanifestavam através dos Reis, sacerdotes, poetas e que nada tinha a população quequestionar, era um mito, um dogma a ser seguido. Assim são os cientistas, eles mandame nós obedecemos, porque o pressuposto é de que eles têm o saber, a palavra divina,têm o pensar. Perceber que a ciência apresenta um tom conotativo de mito, ela, quesempre buscou ser a negação dessa forma de construir conhecimento, é bastanteinteressante. O autor fala em acabar com um mito, o mito de achar que o cientista sabedas coisas, como se uma pessoa que sabe pregar pregos obrigatoriamente também saibaa melhor disposição para pendurar quadros ou como ficariam melhores na parede.O autor aborda a questão do especialista, como o pianista que é músico e nem por issosabe tocar violão, fazendo analogia com o cientista, ele é um especialista, mas o autorextrapola, diz que o cientista é um pianista especializado em Trinados (em uma técnicasó), não saberia tocar uma música. Achei bem interessante, limitou ainda mais o papeldo cientista e do seu fazer no mundo.Concordo com o autor quando afirma: ´a tendência da especialização é conhecer cadavez mais de cada vez menos.µ A crítica que me chamou atenção foi a que no ´iníciopensava-se que as especializações produziriam, milagrosamente, uma sinfoniaµ. Naverdade isso não se concretizou, os cientistas de forma alguma sabem se unir comoutros de outras áreas para fazer uma orquestra, são ´surdos para o que os outros estãotocandoµ, não sabem convergir, mas divergir, não confluem, isso me lembra a formaçãoda estrutura do ensino e das especializações em que o conhecimento de uma área nãoajuda na outra. Entre uma área e outra há um abismo tão grande de quase impossíveltrespasse.
 
A especialização não poderia ser vista como um novo órgão mas como uma melhoriado órgão que que já temos, segundo Rubem Alves: ´Ela é a hipertrofia da capacidadeque todos têm.µ Seria inútil portanto um instrumento que ampliasse um sentido quenão temos (microscópio para cego). Essa visão desmistifica o mito do especialista, dorei, do Deus, portador de algo que ninguém tem, e não, de um desenvolvimento de algoque todos possuem.Em continuação, Rubem Alves parte para a questão da aprendizagem da ciência comoum
 processo de desenvolvimento progressivo do senso comum
, parte-se do senso comum queo aprendiz dispõe. Nesse diapasão ele confirma que a ciência como especialização édesenvolvimento de órgãos, parte-se de um
a priori
, se eu quero aprender música, parte-se do pressuposto que tenho dedos para tocar o violão, força e coordenação motora, unsmais, outros menos, daí as idiossincrasias.Interessante saber que o que foi considerado ciência outrora é motivo de riso hoje, bemcomo, o que hoje é considerado ciência, pode ter o mesmo fim no futuro. Rubem Alvesexemplifica com Francis Bacon que afirmou que ´nos céus, há duas estrelas favoráveis,duas desfavoráveis, dois luminares e Mercúrio, indeciso e indiferenteµ, fez essaafirmação em analogia ao microcosmo do corpo humano que possui duas narinas, doisolhos, dois ouvidos e uma boca. Isso parece muito mais crença do senso comum do quequalquer outra coisa, no entanto, foi considerado ciência em uma época. Outra coisa, asociedade insiste em acreditar em magia, feitiçaria, em dar a possibilidade que o desejoe as emoções alteram os fatos, ora, a ciência não acredita nisso, no entanto, a sociedadecontinua a insistir e acreditar. Segundo Rubem Alves Freud disse que a crença éfundamental por detrás do comportamento neurótico.Finaliza então Rubem Alves afirmando que ´o senso comum e a ciência são expressõesda mesma necessidade básica, a de compreender o mundo, sobreviver melhor.´ Se osenso comum é inferior isso é bastante questionável, por milhares de anos o ser humanosobreviveu sem ciência e de 4 séculos para cá, desde que surgiu, a ciência temapresentado sérias ameaças à nossa sobrevivência.
EM BUSCA DA ORDEM
 ´O místico crê num Deus desconhecido. O pensador e o cientista crêem numa ordemdesconhecida. É difícil dizer qual deles sobrepuja o outro em sua devoção não-racional.µ
L. L. Whyte
Segundo o autor senso comum e ciência, ambos estão em busca da ordem. A busca pelaordem é natural, buscamos para nos sentirmos estáveis, predizermos o futuro, e isso
 
não faz da ciência algo único, também buscamos a nossa própria ordem (subjetiva),assim como o senso comum (de forma mais geral) e outras formas de buscar. A ordemque criamos para nós mesmos no mundo, com todas sua lógica pessoal, cadências depensamento, emoções, em nenhum momento segue o ceticismo da ciência, se fosseassim, não bateríamos 3 vezes na madeira ao falarmos algo pessimista, ou outros milpadrões de comportamento muito mais voltados pra profecias e valores, que qualqueroutra coisa.Aqui Rubem Alves faz uma reflexão sobre um período textual de
 Jo
hn Dewey:
´Temosde reconhecer que a consciência ordinária do homem comum (...) é uma criatura dedesejos (aqui me lembra Freud) e não de estudo intelectual, investigação eespeculação.µ ´O homem vive num mundo de sonhos antes que de fatos, e um mundode sonhos organizado em torno de desejos cujo sucesso ou frustração constitui suaprópria essência.µ
 
Segundo Alves: ´o mundo de cada um é sempre lógico do seu ponto de vista.µ (...) ´é aciência e não o senso comum que parece ser o mais absurdoµ. ´As marés acontecemporque a água é puxada pelo sol pela Lua.µ Antes a verdade era uma, e a experiênciacotidiana a confirmava, a terra era o centro do universo, nenhum fato cotidianomostrava o contrário, mas ´a Verdade científica é sempre um paradoxo (a água éconstituída de 2 gases altamente inflamáveis), se julgada pela experiência cotidiana, queapenas capta a aparência efêmera das coisas.µ (Marx)
 
Assim
 ,
Alves descreve o cientista como sendo
um caçador do invisível.
Vendo as razõesdo porque ele fala isso e contrapõe com a imagem conhecida do cientista comoperscrutador de fatos e do mundo objetivo, o cientista crê em algo que o cotidiano nãooferece uma ordem desconhecida, vai à busca disso.Citação em Alves:
os
cienti
s
ta
s
 
bu
s
cam
os
fat
os
que
são
deci
s
iv
os
para ac
o
nfirmaç
ão
 
o
u negaç
ão
de
s
ua
s
te
o
ria
s
.
Neste sentido, ele faz uma analogia com fatose testemunhas em um tribunal, estas, têm como única função confirmar ou negar asalegações da promotoria ou da defesa, sendo disso que irá depender o réu, óbvio quealém de outros fatores. A ciência fala do que não vê, do invisível, e cria modeloshipotéticos para ele, no entanto, não cabe dar o atributo de verdade a esses modelos,eles não são fatos, são cópias do real, e não, o real. Uma declaração somente éverdadeira se corresponder aos fatos, a declaração deve garantir acesso direto aos fatosou à realidade para poder ser verdadeira. Um modelo científico não pode serverdadeiro, ele não confere um acesso direto à realidade para sabermos. A verdade praciência é o que funciona, e isso, é mais um ponto em comum que a ciência apresenta

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