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O Conceito de Classes Sociais e a Lógica da Ação Coletiva

O Conceito de Classes Sociais e a Lógica da Ação Coletiva

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Firme no propósito de "publicar" minhas "obras completas" no Scribd. Este foi publicado na Dados em 1991, republicado em espanhol no México anos depois. Um clássico... ;-)
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Published by: Bruno Pinheiro Wanderley Reis on Apr 22, 2010
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07/10/2013

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Publicado originalmente em
 Dados – Revista de Ciências Sociais
, 34 (3): 415-41. Rio de Janeiro: IUPERJ,1991.
Traduzido para o espanhol e republicado em
 Sociológica
, ano 20, n.º 57: 275-306 (número especial “Acción Colectiva y Sociabilidad Política”).
 
Cidade do México: Departamento de Sociologia da Universidad Autónoma Metropolitana em Azcapotzalco, janeiro-abril de 2005.
O CONCEITO DE CLASSES SOCIAISE A LÓGICA DA AÇÃO COLETIVA 
1
 
 Bruno P. W. Reis
 
O artigo sustenta que a formulação olsoniana da lógica da ação coletiva, aodemonstrar a indeterminação da conduta política dos membros de uma mesmaclasse social, lança um grave desafio sobre a teoria marxista das classessociais, pois impede qualquer afirmação conclusiva sobre a inevitabilidade darevolução proletária. Em seguida examinam-se as contribuições ao assunto feitas por autores como G. A. Cohen, John Roemer, Jon Elster e Adam Przeworski, buscando captar em que medida cada um se inclina por umaconcepção “objetivista” (ênfase na classe “em si”) ou “subjetivista” (ênfase naclasse “para si”) do conceito de classe social. Ao final, o artigo conclui reconhecendo o caráter incontornável da indeterminação da conduta políticados membros de uma classe e rechaçando as tentativas – especialmente a de Przeworski – de se contornar o problema através de redefinições do conceito declasse social que redundam na redução do nexo causal entre classe e conflito auma circularidade tautológica. Preserva-se, não obstante, a relevância doconceito de classes sociais na análise sociológica – em termos muito próximos,senão idênticos, às formulações de Max Weber sobre o tema – como base freqüente, embora não necessária, da ação comunal.
 
1
Este trabalho é fruto de minha participação nas atividades do Laboratório de Estudos MarxistasContemporâneos, do Iuperj, sob a coordenação do Prof. Luiz J. Werneck Vianna. Além do Prof. Werneck  Vianna, também os Profs. Fábio Wanderley Reis, da UFMG, Maria Regina Soares de Lima, do Iuperj, e Argelina Cheibub Figueiredo, da Unicamp, tiveram acesso a uma versão anterior do trabalho, e a elesagradeço as críticas e comentários feitos naquela ocasião, dos quais muito se beneficia o trabalho em sua versão atual. Gostaria de registrar, também, minha gratidão ao Prof. William Ricardo de Sá, doDepartamento de Ciências Econômicas da UFMG e editor da revista
 Nova Economia
, cujo incentivomelhorou o trabalho a ponto de tornar possível a sua publicação. Naturalmente, nenhuma das pessoascitadas é responsável pelos defeitos que porventura eu não tenha sido capaz de evitar.
*
Doutor em Ciência Política pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro – IUPERJ,professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal de Minas Ferais – UFMG (BeloHorizonte, Brasil).
 
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1. Introdução
Eternamente recorrente é a querela em torno das abordagens “micro” e “macro”nas ciências sociais. Definido o nível “micro” como o estudo das decisões individuais,potencialmente racionais, dos diversos agentes sociais, e o nível “macro” como acontextualização conjuntural e estrutural dessas decisões, a ciência socialcontemporânea tem feito oscilar sua ênfase ora para um, ora para o outro lado da balança, numa sucessão interminável de “ismos” metodológicos (individualismo ousituacionalismo metodológico, estruturalismo, funcionalismo etc.). A busca de umpredomínio cabal de uma abordagem sobre a outra está, contudo, aparentemente fadadaao fracasso. De um lado, a racionalidade de uma ação não se pode afirmar ou negar a nãoser por referência ao contexto no qual ela se realiza; de outro, esta contextualizaçãoestrutural será imprestável a menos que seja compatível com uma agregaçãoinfinitesimal de intencionalidades.Central nas ciências sociais, o tema das classes sociais é o campo onde taisquestões têm ressonância mais imediata, pois ali trata-se precisamente de lidarsimultaneamente com a clássica distinção sociológica entre “agência” e “estrutura”, ouseja, o alcance e limites da ação humana individual, de um lado, e seus constrangimentosestruturais decorrentes da posição de classe dos diversos indivíduos, de outro.Naturalmente, a abordagem do conceito de classe social tem sido objeto de hesitaçãosemelhante àquela que se observa no debate metodológico geral, e também aqui a buscado predomínio absoluto de uma das dimensões (“micro” ou “macro”) do problemaparece conduzir a formulações insatisfatórias do conceito.O presente trabalho pretende lidar com a perturbação da concepção marxistatradicional de classe social que decorre da contribuição de Mancur Olson Jr. ao estudo dalógica da ação coletiva. Através do estudo da contribuição do chamado “marxismoanalítico” ao tema, contraposta à abordagem oferecida por E. P. Thompson, pretende-sedefender o ponto de vista expresso acima, acerca da dependência recíproca dos planos“micro” e “macro” na teoria social.
2. Olson e a “lógica da ação coletiva”
Obra de impacto crucial na discussão em torno de classes na ciência socialcontemporânea,
The Logic of Collective
 
 Action,
de Mancur Olson Jr., publicada em 1965,pode ser considerada a referência fundamental da atual abordagem “micro” do tema. Ali,Olson realiza um feito básico, que é separar analiticamente o interesse individual do
 
3
membro de uma classe ou grupo do interesse desta classe tomada coletivamente: eledemonstra
 
que não necessariamente é do interesse do membro de uma classe agirconforme os interesses de sua classe. Se partirmos da suposição de que um indivíduopersegue racionalmente seus interesses, daí não poderemos inferir que ele irá se engajarnuma ação coletiva que vise a atender seus interesses (desde que o grupo sejasuficientemente grande para que a abstenção do indivíduo em questão não impeça aprovisão do bem público). Isto porque, tratando-se de bens públicos, não se poderá vedar a ninguém o acesso aos benefícios proporcionados pela ação coletiva em questão, equalquer indivíduo estará em condições de usufruir destes benefícios sem enfrentar oônus – e eventualmente os riscos – de se engajar na ação; a possibilidade de “pegarcarona” na ação dos outros pode acabar levando à inação generalizada. Destapossibilidade Olson deriva o conceito de “grupo latente”, que é aquele grupoobjetivamente definido em função de um interesse comum que lhe é imputado, mas quenão consegue superar o problema da carona e se constituir num ator coletivoorganizado.
2
 Usando o jargão da teoria dos jogos, é como se cada indivíduo se defrontasse comuma situação conhecida como “dilema do prisioneiro” (no caso da teoria de Olson, trata-se de um jogo entre
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atores modelado na forma de um jogo entre dois atores: “eu” e “osoutros”). O dilema do prisioneiro é um “jogo” no qual cada ator, diante de uma situaçãoem que tem de optar entre cooperar (“C”) ou não cooperar (“D”) com os demais, ordenasuas preferências da seguinte forma (diferentes ordenações destas preferências – quepodem ser expressas em utilidades ordinais ou cardinais – definem os diversos jogospossíveis): a sua situação preferida é aquela em que os outros cooperam mas ele não (a“carona”: DC); em segundo lugar, cada ator coloca a situação de cooperação universal(CC); em terceiro, a não-cooperação universal (DD); e como a pior alternativa, a hipótesede adotar sozinho a estratégia cooperativa enquanto os outros se abstêm de fazê-lo (CD).(Sinteticamente, a ordem de preferências dos atores em um dilema do prisioneiro podeser assim expressa: DC>CC>DD>CD.) A solução do jogo do dilema do prisioneiro é oegoísmo universal (DD), pois esta é a única posição de equilíbrio entre os quatrodesfechos possíveis, posto que é a única situação em que nenhum ator individualmentese sentirá estimulado a mudar sua estratégia (pois nela ninguém pode melhorar suaposição mudando unilateralmente sua estratégia para a cooperação). A estratégia não-
 
2
Olson,
The Logic of Collective Action
, pp. 48-52. Além do próprio livro de Olson, uma competentesistematização recente do tema encontra-se em
 
Russell Hardin,
Collective Action
. Uma apresentaçãorápida (mas não tanto quanto a esboçada aqui) pode ser encontrada em meu trabalho “Reflexões sobre aEpistemologia de Popper e o Individualismo Metodológico”, esp. pp. 18-27.

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