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Eu estive lendo um debate entre William Lane Craig e Bart Ehrman e anexei um trecho dele abaixo. Craig se recusa a responder se a Bíblia é inerrante ou não quando questionado diretamente por um membro da audiência. Ele meramente se esquiva da pergunta e responde que não é isso que eles estão debatendo.
3. O que dizer de outros pagãos operadores de milagres como Honi, o Desenhista de Círculos; Hanina ben Dosa e Apolônio de Tiana? O fato de esses pagãos operarem milagres similares ao de Jesus não tira o crédito de Jesus como operador de milagres?
4. O que dizer das aparentes contradições nos diferentes relatos do Evangelho? Por favor, dê-me uma resposta diferente de “Esses são apenas detalhes secundários e não estão no coração da questão.” Se nós frequentamos uma universidade que declara que a Bíblia é inerrante, então não deveríamos explicar essas questões? Eu vou citar o Sr. Ehrman em seu debate com Craig:
“Em qual dia Jesus morreu e em qual horário? Ele morreu um dia antes do pão da Páscoa ser comido, como João explicitamente diz, ou ele morreu depois dele ser comido, como Marcos explicitamente diz? Ele morreu ao meio dia, como é dito em João, ou às 9 da manhã, como dito em Marcos? Jesus carregou sua cruz sozinho por todo o caminho ou Simão de Cirene a carregou? Isto depende de qual evangelho você lê. Os dois ladrões zombaram de Jesus na cruz ou apenas um deles zombou dele enquanto o outro o defendeu? Isto depende de qual evangelho você lê. O véu do templo se rasgou ao meio antes de Jesus morrer ou depois? Depende de qual evangelho você lê. Ou então pegue os relatos sobre a ressurreição. Quem foi ao sepulcro no terceiro dia? Maria foi sozinha ou com outras mulheres? Se Maria foi com outras mulheres, quantas outras estiveram lá, quem eram elas e quais eram seus nomes? A pedra que lacrava o sepulcro rolou antes de chegarem lá ou não? O que elas viram no sepulcro? Elas viram um homem, elas viram dois homens, ou elas viram um anjo? Depende do relato que você lê. O que elas disseram aos discípulos? Era para os discípulos permanecerem em Jerusalém e ver Jesus lá ou era para eles saírem e verem Jesus na Galiléia? As mulheres falaram com alguém ou não? Depende do evangelho que você lê. Os discípulos nunca abandonaram Jerusalém ou eles a deixaram imediatamente rumo a Galiléia? Todas as respostas dependem de qual relato você lê.”
sobre a existência de evidências históricas para a ressurreição de Jesus. Uma maneira mais simpática e, eu acho, mais acurada de dizer seria “Craig recusou deixar Ehrman desviar o debate para uma discussão sobre inerrância bíblica, mas manteve o debate nos trilhos.” Talvez uma ainda mais acurada leitura da situação seria: “Ehrman tentou incitar Craig a fazer uma afirmação da inerrância bíblica para que ele pudesse atacar a objetividade de Craig e, portanto, sua integridade como historiador; mas Craig, sabendo que sua defesa da ressurreição de Jesus não pressupõe a inerrância bíblica, se recusou a morder a isca.”
Como eu explico em minha Questão da Semana “Errância Bíblica a quê Preço?” Ehrman, quando era um cristão, tinha um sistema teológico falho no qual a inerrância está no próprio centro de sua teia de crenças, de forma que, uma vez que ele se tornou convencido de um único erro nas Escrituras, toda a teia desmoronou. O resultado é que a doutrina da inerrância aparece de forma anormalmente grande em seu pensamento. Mas a defesa da ressurreição de Jesus que eu apresentei de maneira nenhuma pressupõe a inerrância dos documentos, de forma que essa doutrina se torna irrelevante para a crença na ressurreição.
Na verdade, existem várias fontes extra-canônicas que sustentam a morte, o sepultamento e a ressurreição, fontes as quais eu suspeito que você nunca tenha pensado. Você está pensando em fontes extra-canônicas posteriores, como Josefo e Tácito. Mas as fontes extra-canônicas realmente interessantes são as antigas, ou seja, as fontes usadas pelos próprios escritores do Novo Testamento. Mas, antes que você diga “falta!” você precisa refletir que essas fontes não estão as próprias no cânon, mas são ainda mais próximas dos eventos que os livros canônicos. Essas são, portanto, o centro do estudo histórico sobre Jesus hoje, não as fontes extra-canônicas posteriores. Honestamente, se você está focando em quais fontes extra-canônicas posteriores existem sobre Jesus, você realmente está perdendo o barco.
Quais são algumas dessas fontes? A história da Paixão usada por Marcos, fórmula citada por Paulo em I Cor. 15.3-5, a fonte especial de Mateus chamada de M, a fonte especial de Lucas chamada de L, e assim por diante. Algumas delas são fontes incrivelmente antigas (o que ajuda a responder sua segunda pergunta). A história da paixão pré-Marcana provavelmente data dos anos 30 e é baseada nos depoimentos de testemunhas oculares, e a fórmula pré-Paulina em I Cor. 15.3-5 foi datada de alguns poucos anos ou até meses depois da morte de Jesus. Eu acho que você pode ver porque essas fontes são realmente interessantes, não algum relato posterior de Josefo.
Ora, essas fontes fornecem um testemunho abundante e independente para a morte, o sepultamento e a ressurreição de Jesus. Referências posteriores a Jesus pelo historiador romano Tácito, o historiador judeu Josefo, o escritor sírio Mara bar Serapion, escritos rabínicos e autores cristãos extra-bíblicos confirmam o que os documentos do Novo Testamento nos contam sobre Jesus, mas não nos dão nada de realmente novo. Você pode encontrar essas fontes citadas e discutidas no excelente livro de R.T. France “The Evidence for Jesus” (A Evidência para Jesus - 1986) ou no definitivo livro de Robert Van Voorst “Jesus Outside the New Testament” (Jesus Fora do Novo Testamento – 2000). Porém, não será estas fontes posteriores a chave para o historiador, mas os próprios documentos do Novo Testamento e suas fontes.
O que me leva a fazer essa pergunta a você: porque você está interessado em fontes extra-canônicas em vez de nos próprios documentos-fonte primários? A sua própria pergunta não revelaria um preconceito de que os documentos do Novo Testamento não são confiáveis? Mas, se essas são fontes fora do Novo Testamento que falam de Jesus, ah, essas são evidências de verdade!
Você precisa ter em mente que originalmente não havia um livro chamado de “Novo Testamento.” Havia apenas esses documentos separados vindos do primeiro século, coisas como o Evangelho de Lucas, o Evangelho de João, os Atos dos Apóstolos, a carta de Paulo à igreja em Corinto, Grécia, e assim por diante. Foi apenas alguns séculos depois que a igreja oficialmente reuniu todos esses documentos sob uma capa, que veio a ser conhecida como o Novo Testamento. A igreja apenas incluiu as fontes mais antigas que eram mais próximas a Jesus e aos discípulos originais e deixou de fora os relatos secundários, como os evangelhos apócrifos, que todo mundo sabia serem falsos. Então, na própria
natureza do caso, as melhores fontes históricas foram incluídas no Novo Testamento. Pessoas que insistem em evidências que vêm apenas de escritos externos ao Novo Testamento não entendem o que estão pedindo. Eles estão exigindo que ignoremos as fontes primárias mais antigas sobre Jesus em favor de fontes que são posteriores, secundárias e menos confiáveis, o que é simplesmente uma loucura de metodologia histórica.
A verdadeira pergunta é, qual é a confiabilidade dos documentos sobre a vida de Jesus que vieram a ser incorporados no livro que agora chamamos de Novo Testamento? Isso nos leva à sua segunda pergunta.
geral dos evangelhos:
1) Não houve tempo suficiente para que influências lendárias anulassem o núcleo dos fatos históricos.
2) Os evangelhos não são análogos a contos populares ou “lendas urbanas” contemporâneas.
3) A transmissão judaica de tradições sagradas era altamente desenvolvida e confiável.
testemunhas oculares e a supervisão dos apóstolos.
5) Os escritores dos evangelhos têm um comprovado registro de confiabilidade histórica.
Eu não repetirei aqui o que disse naquele artigo.
Em adição a essas considerações gerais, estudiosos têm enunciado certos “critérios de autenticidade” para ajudar a detectar informações historicamente confiáveis sobre Jesus mesmo em um documento que não seja confiável de forma geral. Os critérios dizem respeito ao efeito de certos tipos de evidência sobre a probabilidade da real ocorrência de várias declarações ou eventos narrados nas fontes. Para uma declaração ou evento S, uma evidência de um certo tipo E, e uma informação explicativa B, o critério declararia que, se todos os elementos forem iguais, Pr (S|E&B) > Pr (S|B). Em outras palavras, se todos os elementos (S, E e B) forem iguais, a probabilidade de algum evento ou citação é maior, por exemplo, devido à sua atestação independente mais antiga do que seria sem ela.
formas de pensamento cristão subsequentes.
5) Semitismos: vestígios de formas linguísticas aramaicas ou hebraicas na narrativa.
6) Coerência: S é consistente com fatos já estabelecidos sobre Jesus.
Note que esses critérios não pressupõem a confiabilidade geral dos evangelhos, mas enfocam uma particular citação ou evento e dão evidência para crer que elementos específicos da vida de Jesus são históricos, a despeito da confiabilidade geral do documento no qual a citação ou evento em particular é relatada. Esses mesmos critérios são então aplicáveis aos relatos de Jesus encontrados nos evangelhos apócrifos, ou escritos rabínicos, ou mesmo o Alcorão. É claro, se os evangelhos podem ser mostrados como documentos confiáveis de forma geral, muito melhor! Mas os critérios não dependem de tal pressuposição. Eles ajudam a localizar consistências históricas em meio a lixo histórico. Assim, nós não precisamos nos preocupar em defender a confiabilidade geral dos evangelhos ou cada declaração atribuída a Jesus nos evangelhos (muito menos sua inerrância!).
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