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A AVALIAÇÃO EM QUESTÃO PERRENOUD E LUCKESI

A AVALIAÇÃO EM QUESTÃO PERRENOUD E LUCKESI

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 A AVALIAÇÃO EM QUESTÃO: PERRENOUD E LUCKESIBernardo Alfredo Mayta Sakamoto
1
 RESUMO:
A prática da avaliação da aprendizagem não é simplesmente o confrontoentre as metas estabelecidas e os resultados obtidos. O francês Philippe Perrenoud e obrasileiro Cipriano Luckesi afirmam que esta prática possui implicações sociais econceptuais. Segundo a tradição, a avaliação permite verificar o grau de consecução dosobjetivos através da comparação das metas com os resultados; ajuda detectar as falhas eincorreções no processo de ensino e aprendizagem; e, também, facilita a distribuiçãodos resultados escolares dos alunos de acordo com uma escala previamente definida.Nesta perspectiva, há várias modalidades de avaliação: diagnóstica, formativa esumativa. Estas permitem conhecer o domínio dos pré-requisitos necessários para acompreensão da nova unidade de ensino e detectar as dificuldades de aprendizagem esuas deficiências. Perrenoud e Luckesi percebem que o termo avaliação daaprendizagem possui uma origem recente, apareceu em 1930, e é atribuído a RalphTyler, educador norte americano que se dedicou à questão de um ensino que fosseeficiente. Os pesquisadores norte-americanos da área de avaliação de aprendizagemdefinem o período de 1930 a 1945, como o período “tyleriano”. O termo foi introduzidonesses anos, mas a prática da avaliação teve uma influência mundial. Hoje, continuaesta prática da avaliação aplicando-se internacionalmente, isto é, baseando-se em provase exames, apesar de vários educadores acreditarem que a avaliação poderia e deveriasubsidiar um modo eficiente de fazer ensino sem ter conseqüências de exclusão social.Para colocar em questão a avaliação e suas conseqüências sociais, nos restringimos àleitura de
 Avaliação: da excelência à regulação das aprendizagens, entre duas lógicas
 de Perrenoud e
 Avaliação da aprendizagem escolar 
de Luckesi que nos permitemperceber as implicações sociais desta prática. Assim, apresentaremos a obra dePerrenoud, na primeira parte: a exclusão social como conseqüência de práticas dehierarquia na avaliação, e, na segunda parte, a definição da avaliação de Luckesi comoato de amor, digno distintivo do exercício docente.
Palavras-chaves
: avaliação, Perrenoud, Luckesi, exclusão social.
1
CCHS/Unioeste. Doutor em filosofia. bsakamoto@uol.com.br
 
 
A avaliação em questão: Perrenoud e Luckesi1. Introdução
 A avaliação é um conceito que designa o processo de confronto entre as metasestabelecidas e os resultados obtidos. A pratica da avaliação permite verificar o grau deconsecução dos objetivos, através da comparação das metas com os resultados, ajuda adetectar as falhas e incorreções no processo de ensino e aprendizagem e facilita adistribuição dos resultados escolares dos alunos de acordo com uma escala previamentedefinida. Há várias modalidades de avaliação: diagnóstica, formativa e sumativa. Elaspermitem conhecer o domínio dos pré-requisitos necessários para a compreensão danova unidade de ensino e detectar as dificuldades de aprendizagem e suas deficiências.O termo avaliação da aprendizagem é recente, apareceu em 1930, e é atribuído aRalph Tyler, educador norte americano que se dedicou à questão de um ensino quefosse eficiente. Os pesquisadores norte-americanos da área de avaliação deaprendizagem definem o período de 1930 a 1945, como o período “tyleriano” daavaliação da aprendizagem. O termo foi introduzido, mas a prática continuou sendobaseada em provas e exames, apesar de vários educadores acreditarem que a avaliaçãopoderia e deveria subsidiar um modo eficiente de fazer ensino: “é muito necessáriocotejar cada instrumento de avaliação que for proposto com os objetivos que se têm emmira e ver se aquele utiliza situações capazes de evocar a espécie de comportamento quese deseja como objetivo educacional” (TYLER, 1981, p. 166).Para SORDI (1995), a prática de avaliação deve ser um ato dinâmico onde oprofessor e os alunos assumem o seu papel, de modo co-participativo, através daimplementação do diálogo e da interação respeitosa, comprometendo-se com aconstrução do conhecimento e a formação de um profissional competente. É um atoessencialmente político, expressando concepções de Homem-Mundo-Educação. ParaHOFFMANN (1993), as avaliações mostram ações provocativas do professor, quedesafia o aluno a refletir sobre as experiências vividas, a formular e reformularhipóteses, direcionando para um saber enriquecido. Mas, nestas compreensões daavaliação apenas se mensura a medida dos objetivos: se eles foram ou não alcançados.Elas somente consideram os aspectos declarados do processo e ignoram todos osaspectos latentes que possam ocorrer com base na dinamicidade das experiências. Estaspráticas da avaliação encontram-se em uma aporia: ou se muda o cona reguito deavaliação ou o de experiência.
 
Neste contexto das práticas da avaliação da aprendizagem, apresentamos doispensadores que refletem as implicações sociais e conceptuais desta prática: o francêsPhilippe Perrenoud e o brasileiro Cipriano Luckesi. Assim, apresentaremos, na primeiraparte, a exclusão social como conseqüência de práticas de hierarquia na avaliação, e, nasegunda parte, a definição da avaliação como ato de amor.
2.
 
Avaliação como exclusão social em Perrenoud.
Philippe Perrenoud em sua
 Avaliação: da excelência à regulação dasaprendizagens, entre duas lógicas
(1999) afirma que na prática da avaliação daaprendizagem não só se classificam os alunos na sala de aula, também, estas práticaspossuem um efeito social muito mais definido: a avaliação cria as hierarquias sociaisque consolidam a sociedade atual.
a) A avaliação é uma tortura moderna.
Perrenoud afirma que a avaliação não é uma tortura medieval, nem antiga. Elesinala que a avaliação é uma invenção nascida na modernidade, com os colégios noséculo XVII. A avaliação é “indissociável do ensino de massa (séc. XVIII), com aescolaridade obrigatória”. (PERRENOUD, 1999, p. 09).Os antecedentes da avaliação se encontram nas épocas da reforma e contra-reforma. Na reforma, a
 Didática Magna
de Jan Amos Komensky, Comenius (1592-1670). Na contra-reforma, na
 Ratio Studiorum “Plano de estudos”
de
 
1594, destinadapara a educação jesuíta, que foi formulada definitivamente por Aquaviva em 1599.Na
 Didática Magna
de Comenius, se
encontram
padrões das práticas deavaliação:1.
 
“De tempos em tempos, interrompendo a lição, deve interrogar um ou outro:“o que acabei de dizer? quer repetir esse período? em que ocasião aconteceuisso? etc. Isso será útil para toda a classe. Se ficar claro que alguém estavadistraído, deverá ser repreendido e punido imediatamente, para que todos seesforcem em prestar mais atenção”. (COMENIUS, 2002, p. 212).2.
 
“O professor pessoalmente, como inspetor supremo, deverá dirigir-se ora aum, ora a outro, para verificar sobretudo a atenção daqueles em quem tempouca confiança. Por exemplo: pedirá as lições aprendidas de cor a umaluno, a um segundo, a um terceiro e a todos, enquanto todos os outrosouvem. Assim, todos deverão ir preparados para a escola, pelo temor de serinterrogados”. (COMENIUS, 2002, p. 213).

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